Entrevista com o Coronel Hedwig Gilaard, chefe da Defesa do Suriname

Interview with Colonel Hedwig Gilaard, Suriname’s Chief of Defense

Por Dialogo
dezembro 26, 2012


Durante a edição 2013 da Conferência sobre Segurança dos Países do Caribe (CANSEC), realizada no Comando Sul dos Estados Unidos nos dias 12 e 13 de dezembro de 2012, o Coronel Hedwig Gilaard, chefe da Defesa do Suriname, falou a Diálogo sobre os principais problemas de segurança enfrentados por seu país e a importância de participar do Programa de Parceria Estatal, uma iniciativa auspiciada pelo Departamento de Defesa dos EUA que incentiva a cooperação de segurança entre as nações parceiras.

Diálogo: Quais são as principais preocupações e prioridades quanto à segurança de seu país no momento?

Coronel Hedwig Gilaard: Atualmente enfrentamos o crime organizado transnacional; acho que toda a América do Sul, América Latina e Caribe passam pela mesma situação. Estamos no continente sul-americano e então temos esses problemas. Não sei se outros países do CARICOM sofrem com isto também, mas nós estamos enfrentando a imigração ilegal, a pirataria, e sabemos que todos nós também sofremos com o tráfico ilícito ligado às drogas ilegais, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de pessoas, entre outros.

Diálogo: Quais são os benefícios de trabalhar com os Estados Unidos e outras nações no combate a esses desafios à segurança?

Cel Gilaard: Existem muitos benefícios, porque somos uma nação pequena. É sempre bom trabalhar com outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, porque sabemos que eles têm muita experiência e sempre podemos aprender como enfrentar essas organizações criminosas.

Diálogo: Como o Suriname se beneficiou do trabalho com a Guarda Nacional de Dakota do Sul, como parte do Programa de Parceria Estatal?

Cel Gilaard: Ah, foi maravilhoso. Foi uma experiência única. Temos muitos amigos lá agora, e eu citarei pelo menos dois nomes: General-de-Brigada Tim Reishch [General-adjunto da Guarda Nacional de Dakota do Sul], e Coronel John Weber [diretor do Programa de Parceria Estatal de Dakota do Sul-Suriname]. Eles estiveram no Suriname recentemente e conversamos sobre o que faremos juntos. Acho que esta é a melhor parceria que temos, com Dakota do Sul. Gostaríamos de rever sempre o Cel Weber e o Gen Brig Reisch. Sabemos que estamos em boas mãos.

Diálogo: Qual a importância de participar do exercício anual Golden Coyote, organizado pela Guarda Nacional de Dakota do Sul?

Cel Gilaard: Gostaria de dizer que para nós é uma grande honra participar do Golden Coyote, porque estamos aprendendo com os melhores. Assim, quando nossos rapazes voltam, todos contam como foram bem tratados e o que aprenderam. Eles aprendem muito lá.

Diálogo: Como o senhor está se preparando para a estreia no Fuerzas Comando 2013?

Cel Gilaard: Estamos muito ansiosos com a oportunidade de participar do exercício Fuerzas Comando deste ano. Infelizmente não pudemos participar no ano passado e este será o primeiro ano em que enviaremos representantes de nossas forças especiais para as competições.

Diálogo: O tema da CANSEC deste ano é manutenção e apoio das forças. Como o senhor pretende manter e apoiar seus recursos?

Cel Gilaard: Na minha opinião, a educação é um dos elementos mais importantes da manutenção. Se houver uma boa educação, as coisas fluirão suavemente. Se alguém vir nossa frota agora, e eu me refiro à Marinha, nossa frota está quase imobilizada devido a problemas políticos do passado. Temos o mesmo problema com a Força Aérea. As aeronaves estão paradas por pequenas coisas. Precisamos investir na defesa. Se não fizermos isto, aí então teremos problemas. Mas a segurança normalmente custa muito, ela é cara, e os políticos precisam estar conscientes de que se quisermos ter continuidade, teremos que investir. Ainda estamos conseguindo fazer isto porque usamos pequenos barcos pesqueiros, mas não podemos ir muito mais longe. Temos um problema com as pequenas embarcações que chegam do Brasil através de nossos rios. Como não temos navios grandes, utilizamos os pequenos para controlar os rios. Ficamos muito desapontados quando soubemos que não receberíamos embarcações dos Estados Unidos [embarcações SAFE doadas a alguns países caribenhos como parte da iniciativa Secure Seas], e precisamos buscar outros meios para isto. Mas existem coisas que os governos devem fornecer, como embarcações e aeronaves. A principal razão pela qual nós queríamos ter esses barcos é para controlar os navios, as embarcações que chegam a nossas águas após as 20 h. Eles aguardam o anoitecer. Por isto gostaríamos de ter esses barcos para utilizar nessas tarefas.

Diálogo: Como membro do CARICOM, quais são as semelhanças e diferenças entre o Suriname e as demais nações-membros quanto a sua abordagem da segurança regional?

Cel Gilaard: Temos os mesmos problemas, mas, por outro lado, não somos uma ilha. Também temos pirataria e tráfico de pessoas e, além disto, temos ouro. Este é um dos nossos maiores problemas. Por termos ouro, temos garimpeiros ilegais que entram no nosso país por terra e praticam mineração ilegal, e este é um dos nossos maiores desafios. Os países do CARICOM têm seus problemas, mas as nações do continente têm outros, não apenas as drogas. Foi como eu falei, pirataria e tráfico de pessoas.

Diálogo: Como o senhor vê seu relacionamento com as forças de defesa do Brasil, da Guiana e da Guiana Francesa, seus países vizinhos?

Cel Gilaard: Vou começar pela Guiana. Acho que poderíamos estar melhor. Trocamos informações, mas, na minha opinião, poderia ser melhor. Com a Guiana Francesa, estamos fazendo um grande trabalho conjunto, realizamos exercícios juntos, treinamos juntos. Com o Brasil, esta é uma longa história. Há muitos anos começamos a treinar nossos homens no Brasil e continuamos a fazê-lo. Assim sendo, o relacionamento com o Brasil é excelente.

Diálogo: O senhor tem algo mais a acrescentar?

Cel Gilaard: Sim, gostaria de falar sobre nossa parceria com os países do CARICOM. Tenho certeza de que ela poderia ser melhor. Os países de língua inglesa se dão muito bem com os parceiros do CARICOM. Nós, que falamos holandês, precisamos esforçar-nos ao máximo para sermos parceiros melhores, para nos envolvermos mais no CARICOM.



muito interessante a opinião do Sr. Cnel, muito sábio e inteligente ao apresentar um resumo de sua área. é bom que colaborem, já que são zonas sensíveis e podem ser úteis ao narcotráfico delinquente transnacional.
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