Ajudas humanitárias fazem parte da rotina da Força Aérea Brasileira

Humanitarian Aid is Routine in the Brazilian Air Force

Por Andréa Barretto/Diálogo
junho 08, 2017

Todos as manhãs, militares da Força Aérea Brasileira (FAB) acordam sabendo que aquele pode ser um dia de missão, seja para atender a uma necessidade emergencial de busca, para ajudar vítimas de um desastre natural, para atuar em apoio à segurança pública ou para transportar um órgão a ser transplantado em uma pessoa. E as ações não se restringem ao território brasileiro. Desde o começo do ano, a FAB já prestou colaboração a países vizinhos em três ocasiões. Em fevereiro, empregou uma aeronave C-130 Hércules no combate a mais de 100 focos de incêndio em florestas do Chile. No início de abril, também disponibilizou 150 militares e duas aeronaves em operação de busca a um navio cargueiro desaparecido em região marítima de responsabilidade do Uruguai. Na missão mais recente, a FAB usou duas aeronaves C-130 Hércules e deslocou 32 militares para colaborar com o governo do Peru na prestação de assistência emergencial às cerca de 700 mil pessoas afetadas pelas enchentes nesse país. A situação, considerada uma das mais graves na história recente do Peru, mobilizou também o apoio de outras nações além do Brasil. “Havia aeronaves de outros países, como Chile, Argentina e, posteriormente, Estados Unidos. Apesar de não acontecer diretamente um trabalho conjunto, ocorreu a soma da solidariedade pela realização dos trabalhos isolados de cada país, que contribuíram com a atenuação do sofrimento da população das regiões atingidas”, contou o Tenente-Coronel Marcelo da Silva Ribeiro, comandante do Esquadrão Cascavel (1º GTT) da FAB. Essa unidade militar revezou-se com o Esquadrão Gordo (1º/1º GT) na operação no Peru. Esses esquadrões são os que operam, no âmbito da FAB, os aviões C-130 Hércules, considerados os mais adequados para o contexto peruano “por suas características de grande capacidade de transporte de carga e de passageiros”, explicou o Ten Cel Ribeiro. Durante 22 dias de missão – de 21 de março a 11 de abril –, os militares realizaram 154 horas de voo. Quase duas mil pessoas foram transportadas nos aviões da FAB, resgatadas principalmente nas cidades de Trujillo, Chiclayo, Piura e Tumbes e levadas para a capital peruana, Lima, onde recebiam abrigo e cuidados de saúde. No retorno da capital para as regiões alagadas, os aviões voltavam carregados com mantimentos, água e medicamentos. Juntas, as duas aeronaves brasileiras entregaram em torno de 380 toneladas de carga à população necessitada. Salva-vidas O Ten Cel Ribeiro afirmou que o pronto atendimento a questões humanitárias são fruto de um treinamento contínuo da FAB. “Mantemos a tropa e as aeronaves prontas para o cumprimento de suas diversas missões a todo momento, para o emprego em qualquer tempo e em qualquer lugar, por meio de um rigoroso programa de treinamento realizado no decorrer de cada ano”. O serviço de transporte de órgãos humanos destinados ao transplante é uma das atividades que também ilustra o potencial salva-vidas do trabalho da Força Aérea. Em 6 de junho, completou um ano que esse tipo de ação foi intensificado pela FAB. A partir da publicação do Decreto n° 8783/2016, pelo menos uma aeronave passou a ser mantida à disposição para atender a chamados de transporte de órgãos a qualquer hora do dia e da noite. Uma equipe de acionamento especializada também permanece de prontidão, “para que seja planejada a missão e [sejam] coordenados todos os apoios necessários para a operação nos mais diversos cenários”, explicou o Primeiro-Tenente Aviador Linccon Gregório Fernandes, piloto do Sexto Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA 6) da FAB, que fica em Brasília. Desde que essa iniciativa foi colocada em prática há um ano, a FAB já completou a entrega de 258 órgãos. A equipe que participa dessas operações é composta basicamente pela tripulação do avião acionado, que conta com dois pilotos e um mecânico. Em alguns tipos de aeronave, há também a presença de um comissário. Além desses, mais dois militares ou civis podem integrar o grupo na função de médico e de enfermeiro captador. “Quando há um chamado, os pilotos conduzem a aeronave ao aeródromo mais próximo do local de captação do órgão. O mecânico os apoia com a verificação periódica dos equipamentos da aeronave e o comissário com o auxílio à tripulação, em caso de emergência. Já o médico e o enfermeiro fazem a captação do órgão [buscam o material no hospital ou instituição que fez a cirurgia de retirada] e trazem-no à aeronave”, resumiu o 1° Ten Linccon. O transporte de órgãos é, muitas vezes, uma corrida contra o tempo, já que o material é sensível e pode deixar de servir ao transplante em questão de poucas horas. Diante desse desafio, a FAB prevê, dentro da sua logística de transporte de órgãos, o emprego de aeronaves rápidas, com grande autonomia de voo e capazes de pousar e decolar em diferentes tipos de solo. “Dessa forma, de acordo com a localidade e o tipo de órgão, é acionado um determinado tipo de aeronave”, ressaltou o 1° Ten Linccon. O piloto fez questão de lembrar de uma de suas experiências à frente de uma missão dessa natureza. “Estava me preparando para dormir e o telefone tocou. Seria uma noite como as outras, porém a ligação a deixou vibrante. Coloquei meu uniforme, peguei a minha mala e segui para a Ala 1, em Brasília”. Ali, ele descobriu que a missão seria levar um médico e uma enfermeira para Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde captariam um fígado para ser transplantado em Brasília. “Após o acionamento, em aproximadamente duas horas, já estávamos decolando de Dourados. Essa missão me marcou muito, pois estava em casa, numa noite comum, e o acionamento a deixou deveras gratificante por saber que estava salvando uma vida”.
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