Honduras lança Primeiro Batalhão Canino das Forças Armadas para combater criminalidade

Honduras Unleashes Armed Forces’ First Canine Battalion To Fight Crime

Por Dialogo
julho 16, 2015




Os mais novos membros de elite das Forças Armadas hondurenhas têm habilidade excepcional para farejar contrabando.

Eles são 136 cães fiéis e bem-treinados que compõem o Primeiro Batalhão Canino da Polícia do Exército para Garantia da Lei e da Ordem que treina os cães para detectarem drogas escondidas, dinheiro, bombas e armas de fogo. Os cães se tornaram especialistas em frustrar as atividades criminosas no país centro-americano.

O Tenente-Coronel de Infantaria José Marcos Ávila Irías, líder do inovador Batalhão Canino, está satisfeito por ter esses aliados fortes e motivados na luta contra a criminalidade. Ele está especialmente impressionado com as capacidades olfativas dos cães, que têm faro até 100 mil vezes mais apurado que o dos seres humanos, segundo cientistas. A parte do cérebro canino que processa odores é proporcionalmente 40 vezes maior do que em cérebros humanos. Os cães têm até 300 milhões de receptores olfativos em seus narizes, enquanto os seres humanos têm aproximadamente seis milhões.

“Com suas capacidades olfativas e eficácia na redução do tempo de busca, cada cão realiza o trabalho de 30 homens”, diz o Ten. Cel. Ávila. “Aumentamos nossa capacidade de resposta ao trabalhar com eles e faremos ainda mais quando o processo estiver consolidado e os soldados confiarem mais nos serviços dos cães.”

Cães militares detectam drogas e armas


Os cães da Polícia do Exército rapidamente se revelaram valiosos na luta contra o crime.

As Forças Armadas hondurenhas formaram o Batalhão Canino em dezembro de 2014. Em maio e junho, os cães da Polícia do Exército detectaram 18 sacos de maconha em um bairro de Tegucigalpa, 132 quilos de cocaína em La Ceiba e várias armas de fogo na fronteira da Guatemala com Honduras.

Ao todo, os cães são capazes de farejar doze diferentes cheiros de contrabando. As Forças Armadas também planejam treinar alguns cães para detectarem odores de vítimas feridas e restos humanos, uma habilidade que seria útil nos trabalhos de resgate e recuperação durante terremotos e outros desastres naturais. Além disso, planejam aumentar o número de cães até o final de 2015.

“Teremos um total de 180 cães quando completarmos nosso processo de aquisição até o final de 2015”, afirmou o Ten. Cel. Ávila. Os cães serão introduzidos em etapas. O grupo atual de 136 cães inclui raças como pastores-alemães e Belgas, golden retrievers, terriers e pastor Belga de Malinois, uma raça utilizada pelo Serviço Secreto dos EUA para proteger a Casa Branca.

Utilizando as capacidades olfativas dos cães


As tropas empregam os cães militares em missões reais somente se eles demonstrarem uma taxa de sucesso de, no mínimo, 85% em farejar contrabando durante o treinamento, que dura 16 semanas para os cães e seus parceiros humanos. Os cães são separados conforme suas especialidades de farejo: narcóticos e dinheiro, explosivos e armas. Nos próximos meses, um novo grupo será treinado exclusivamente para farejar dinheiro.

“Cada equipe vai para missões por períodos de duas semanas”, afirma o Ten. Cel. Ávila. Após esse período, há um tempo previsto para o cão se recuperar e ser examinado por um veterinário. As equipes de cães e soldados também treinam juntas entre as missões.

“O vínculo entre o animal e seu guia é fundamental", disse Ávila. “Eles são uma equipe ajustada, trabalham juntos. Todo soldado está empenhado nessa parceria. A participação neste batalhão não é obrigatória, mas pedimos aos participantes que estejam dispostos a participar durante toda a vida do cão. Eles precisam ter afinidade com os seus parceiros.”

O soldado Erick Josué Carías e seu cão parceiro, o Gladiador, são uma dessas equipes. Em uma apresentação à imprensa, Carías disse que ele está com Golden Retriever branco desde o nascimento do cão e que eles viajaram juntos para diferentes partes do país. O cão mostrou suas habilidades ao encontrar facas e outras armas durante uma varredura da Penitenciária Nacional localizada em Támara, a cerca de 28 quilômetros da capital.

Gladiador e outros cães militares prestam serviço nas fronteiras do país, nos aeroportos de Tegucigalpa, San Pedro Sula, La Ceiba e Roatán, além de dar apoio às autoridades aduaneiras no maior porto marítimo. Os cães são elementos fundamentais nas operações realizadas pela FUSINA, um corpo de forças combinadas que acumulou um histórico significativo, apreendendo narcóticos ilegais, capturando traficantes conhecidos e membros de redes de extorsão e confiscando suas propriedades.

Forças Armadas adquirem mais cães


O desenvolvimento do Batalhão Canino tem sido um esforço de cooperação que se estende além das fronteiras nacionais. Treinadores militares colombianos e dominicanos ajudaram a lançar o programa das Forças Armadas hondurenhas, e tanto as Forças Armadas da Colômbia como da República Dominicana colaboraram em parceria com as forças dos EUA para desenvolver e apoiar seus próprios programas caninos em anos anteriores. No final de março, o Ministério da Defesa Nacional de Honduras anunciou a aquisição de mais 50 cães trazidos da Colômbia.

Os cães se adaptaram à sua nova casa rapidamente, aprendendo a reagir a palavras nas línguas indígenas de Honduras. “Temos um glossário para a nossa própria escola, e eles entendem comandos em misquito e garífuna”, afirmou o Ten. Cel. Ávila a Diálogo
. “Nós os usamos para evitar distrações quando os cães estão trabalhando ou treinando.”

Os cães são inteligentes, vigilantes, enérgicos e, quando não estão trabalhando, amigáveis. Gladiador, assim chamado devido a suas habilidades de sobrevivência, e Capitão, Pantera, Milo e os outros cães do Batalhão Canino podem ser os melhores amigos do homem, mas estão se revelando os piores inimigos dos criminosos.

O Primeiro Batalhão Canino fortalece os esforços de segurança e serve como um elemento de dissuasão para os delinquentes. “Os cães raramente falham nas tarefas que lhes são dadas. Nas tarefas em que um ser humano pode ser enganado ou trapaceado, esses cães treinados não podem ser enganados”, disse o analista de segurança Billy Joya. “As pessoas que tentam enganar o sistema para transportar narcóticos, armas ou dinheiro ilegalmente precisam saber que esses cães são verdadeiros soldados, e o que eles fazem de melhor é servir e proteger.”
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