Honduras treina especialistas em ajuda humanitária

Honduras Trains Humanitarian Aid Specialists

Por Iris Amador/Diálogo
outubro 19, 2017

Pelo menos duas vezes por ano, o Centro de Adestramento Regional de Ajuda Humanitária (CARAH), das Forças Armadas de Honduras, convida resgatistas civis e militares da América Central e do Caribe para participar de treinamentos para melhorar a capacidade de resposta e ajuda à população em casos de catástrofe. No curso mais recente, que terminou em meados de agosto, foram graduados 32 novos especialistas de El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e República Dominicana. Os países membros da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas (CFAC) firmaram acordos para apoiarem-se profissionalmente e também para fortalecer vínculos de cordialidade. Desde janeiro, Honduras está encarregada da secretaria geral pro tempore da CFAC por dois anos, porém cada país membro tem a responsabilidade de oferecer diferentes unidades acadêmicas. Dessa forma, cada nação faz uma oferta educativa às demais. Honduras se especializa em ajuda humanitária, enquanto a República Dominicana se concentra em direitos humanos, a Guatemala na manutenção da paz, El Salvador no crime transnacional e a Nicarágua na remoção de minas. “O CARAH é o centro mais novo da CFAC”, explicou à Diálogo o Coronel de Engenharia do Exército de Honduras José Luis Mendieta, diretor do centro e comandante da Unidade Humanitária e de Resgate (UHR) das Forças Armadas de Honduras. “Os treinamentos são constantes e os soldados estão prontos para se unirem a esforços de auxílio em toda emergência”, assinalou. O centro foi criado em janeiro de 2014 e, em três anos, capacitou cerca de 250 pessoas em práticas de busca e resgate de vítimas em todo tipo de desastres naturais, bem como em contingências provocadas pelo homem, como incêndios ou ataques terroristas. “Quando os oficiais retornam a seus países, cada um se torna um agente multiplicador, porque eles transmitem o que aprenderam a seus companheiros em suas respectivas unidades humanitárias e de resgate”, expressou o Cel Mendieta. Cursos integrados Ainda que a maioria dos participantes sejam oficiais das forças armadas regionais, o centro de adestramento designa oito das 32 vagas em cada curso para membros do Corpo de Bombeiros e do Comitê Permanente de Contingências Nacionais (COPECO), a fim de colaborar com as entidades de primeira resposta do país. Esse é o caso da unidade hondurenha de resgate Katrachos USAR (por sua sigla em inglês de Urban Search and Rescue, ou Busca e Salvamento Urbanos), composta por membros do COPECO, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Honduras. Horas depois que o México fora sacudido por um terremoto de magnitude 7,1 na escala Richter, no dia 19 de setembro, os Katrachos USAR se deslocaram até o país para “prestar assistência aos irmãos mexicanos”, conforme anunciou o presidente Juan Orlando Hernández. O centro separou o treinamento em dois cursos integrados de ajuda humanitária. Ambos são teórico-práticos e intensivos, com duração de quatro semanas. “Como país anfitrião, Honduras proporciona o alojamento e a alimentação dos convidados”, explicou o Cel Mendieta. No primeiro curso, os oficiais são instruídos quanto a primeiros socorros, avaliação de danos e necessidades e métodos para o abastecimento de materiais – água, medicamentos, pertences, produtos de higiene básica –, bem como em exercícios de resgate aquático em águas fechadas e abertas. No Curso Integrado de Ajuda Humanitária 2, os participantes recebem instrução para resgates em espaços confinados bem como em estruturas desabadas, tanto leves como de maior porte, com simulações em construções que são erguidas para que os militares possam destruí-las, entrar e sair delas com toda a sua equipe de resgatistas, observando todas as medidas de segurança. As provas de resistência em águas abertas e corredeiras são realizadas em La Ceiba, na costa norte do país, para mensurar as capacidades dos resgatistas no rio Cangrejal, que possui corredeiras de categoria três, quatro e cinco, no qual treinaram até equipes olímpicas internacionais. “É o rio que possui a melhor vazão em Honduras para esses fins”, assegurou o Cel Mendieta. Preservar vidas Entre os oficiais que fizeram os cursos este ano, o 1° Tenente de Engenharia do Exército Juan Carlos Reyes Hernández, elemento da UHR-Honduras desde 2011, é um dos melhores. Ele ganhou o primeiro lugar no primeiro adestramento que concluiu em maio. “Cada curso é complexo e todos são muito proveitosos. Não estamos julgando; disso depende a vida das pessoas. Treinamos para salvar vítimas. O primordial para nós é preservar suas vidas”, disse à Diálogo o 1o Ten Reyes. “Todas as provas são o mais reais possível. Mede-se o nosso conhecimento, nossa resistência e a precisão nos processos.” O 1o Ten Reyes fez parte do contingente que há alguns anos resgatou mineiros na região de Choluteca, ao sul de Honduras, depois de um desabamento. Em 2016, durante uma forte tempestade, deslocou-se com seus companheiros para proteger a população em perigo em uma área de deslizamentos. “Não parava de chover, porém conseguimos retirar os residentes e estabilizar a área com sacos de areia, colocando lonas na colina e criando uma nova saída para as correntes”, lembrou. Trabalho conjunto O CARAH se prepara para oferecer um próximo curso de procedimentos padronizados que oferecerá aos soldados das unidades de resgate da CFAC em outubro. “Terá uma duração de 45 dias e serão incorporadas competições como incentivo”, explicou o Cel Mendieta. “Virão seis soldados de cada país e nas competições serão medidas capacidades de resposta.” “Nós nos atualizamos constantemente”, acrescentou o 1o Ten Reyes. “Estamos prontos para operar em qualquer desastre natural, em qualquer ambiente, em terra, no mar, em rios”. “Nós, dos cinco países, estamos às ordens. O problema de um é problema dos cinco”, finalizou o Cel Mendieta. “Todos estamos dispostos a servir cada um, e cada um está disposto a servir a todos.”
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