Honduras terá um novo navio de apoio logístico e cabotagem

Honduras to Have Logistical Support Vessel

Por Iris Amador/Diálogo
abril 14, 2017

O início da construção do navio de apoio logístico e cabotagem (BAL-C, por sua sigla em espanhol) para as Forças Armadas de Honduras pela Marinha Nacional da Colômbia, por meio da Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval Marítima e Fluvial (COTECMAR), foi oficializado com a colocação do bloco da quilha do BAL-C em uma cerimônia da qual participaram oficiais de ambas as instituições castrenses em Cartagena, Colômbia, no último dia 27 de fevereiro. Durante a cerimônia, o Vice-Almirante Jorge Enrique Carreño, presidente da COTECMAR, disse que o projeto marca uma nova etapa de cooperação entre a Colômbia e Honduras. Ele comparou a união entre os dois países com a resistência da solda que uniu a colocação do bloco na quilha. “A resistência da solda é maior do que a resistência do próprio aço e esperamos que essa cooperação seja ainda mais forte do que essa solda”, disse o V Alte Carreño. Além disso, ele assinalou que a cooperação entre Honduras e Colômbia data de muitos anos no combate ao crime transnacional, bem como em inteligência, operações navais e treinamentos. “Hoje começamos uma cooperação em uma dimensão distinta, que é a dimensão tecnológica.” Vigilância e ajuda “Honduras possui áreas extensas, às quais só é possível chegar por via aérea ou marítima. Seu difícil acesso, as dificuldades de comunicação e a necessidade de resguardar essas zonas motivou o país a investir na compra de uma embarcação de apoio logístico e cabotagem”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Jesús Benítez, comandante da Força Naval de Honduras. “O navio cumprirá uma multiplicidade de missões, algumas orientadas a apoiar as comunidades isoladas, para levar-lhes suprimentos ou outro tipo de ajuda humanitária, e outras voltadas à manutenção das operações na luta contra o narcotráfico”, destacou o C Alte Benítez. Por sua posição geográfica, Honduras é utilizada como ponte para os narcotraficantes em suas tentativas de movimentar drogas da América do Sul para a América do Norte, porém as ações do país para resguardar suas águas no Pacífico e no Caribe lhes dificultou a passagem. “Desde que começamos a reforçar o Escudo Marítimo, em janeiro de 2014, os narcotraficantes tiveram que modificar sua forma de operar”, afirmou o C Alte Benítez. “Eles se afastaram de nossas costas e se viram forçados a usar veleiros, barcos pesqueiros ou pequenas lanchas, o que significa que levam mais tempo e isto envolve um custo maior.” Primeiro na América Central O comandante da Força Naval de Honduras explicou que, além de fortalecer a proteção do país, eles buscam reforçar a capacitação marítima e fluvial para também ajudar as nações vizinhas em emergências. “Com o BAL-C, adquirimos maior capacidade para ajudar países da região em casos de desastres naturais, porque essa embarcação pode transportar carga acima e abaixo do convés: mantimentos, água, combustível para veículos e aviões, caminhões, basculantes”, expressou. Honduras será o primeiro país da América Central a contar com o BAL-C, que pode transportar 210 toneladas na plataforma de carga, atingir velocidades de 9 nós e ter autonomia de navegação de 40 dias. Além disso, conta com seu próprio equipamento para dessalinizar água e produzir até 2.000 galões de água potável por dia. Terá uma capacidade para 15 tripulantes, com 160 pés de comprimento e 36 pés de largura. “Uma das maiores vantagens desse navio é a de que pode chegar até a praia, sem precisar de cais. Não necessita de infraestrutura portuária e pode fazer aproximações da costa sem ficar encalhado”, disse o C Alte Benítez. Transferência tecnológica e de conhecimentos Honduras e Colômbia firmaram um acordo de cooperação em abril de 2016 e, em novembro do mesmo ano, o presidente de Honduras e a COTECMAR firmaram o convênio para a construção e transferência de tecnologia e conhecimento para oficiais da Força Naval de Honduras. “O convênio inclui suporte para manutenção por dois anos e instrução para três de nossos oficiais”, disse o C Alte Benítez. Ele destacou também que os engenheiros mecatrônicos já estão na Colômbia, integrados à Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla, onde obterão seu mestrado em Engenharia Naval. O Capitão-Tenente Johnnie Sibrián é um dos oficiais hondurenhos na Colômbia. “Vamos fazer parte de todo o processo de construção do navio, desde o corte até a montagem dos blocos. O casco já está bastante adiantado”, disse. “O que aprendemos aqui, queremos transferir para outros”, acrescentou.
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