Honduras inaugura centros de assistência Cidade Mulher

Honduras Opens Woman’s City Service Centers

Por Iris Amador/Diálogo
março 16, 2017

O primeiro centro “Cidade Mulher”, um projeto do governo de Honduras para prestar serviços sociais às mulheres, está pronto para começar a funcionar a partir de 28 de março. As Forças Armadas concluíram sua construção e entregaram as instalações no começo de janeiro. Nesses centros as hondurenhas receberão múltiplos serviços, entre os quais capacitações, assistência médica e orientação jurídica. O centro de assistência, localizado na colônia Kennedy da capital hondurenha, Tegucigalpa, é o primeiro de cinco centros cujo projeto e edificação estão a cargo da instituição militar. O modelo inovador de cuidados à população feminina do país prevê impulsionar o desenvolvimento das mulheres e de suas famílias por meio de assistência à saúde, economia, direitos, segurança e crescimento pessoal e econômico. Além disso, os centros também preveem oferecer assistência às crianças que vêm acompanhadas de suas mães. “O Cidade Mulher é um espaço de oportunidades para as mulheres, onde, sob um mesmo teto, 15 instituições irão se juntar para coordenar e trabalhar juntas, com o intuito de oferecer serviços de qualidade para o desenvolvimento integral das mulheres hondurenhas”, explicou à Diálogo a advogada Rosa de Lourdes Paz, delegada presidencial para dirigir o programa Cidade Mulher. O projeto contempla inaugurar mais dois centros em 2017, um em Choloma, no departamento de Cortés, e outro em Juticalpa, no departamento de Olancho. Para 2018, o plano é iniciar operações em outros dois centros: um em San Pedro Sula e outro em La Ceiba, na costa norte. Cidades femininas “As Forças Armadas apoiam esse programa através do departamento de engenharia da Direção Logística das Forças Armadas, mediante o projeto, a elaboração de orçamento e supervisão de todas as obras”, disse à Diálogo o Coronel de Infantaria Jorge Alfredo Cerrato, porta-voz das Forças Armadas de Honduras. “Completamos a construção do primeiro centro em sete meses e prevemos completar os quatro centros restantes no prazo estipulado”, assegurou o Cel Cerrato. “Tudo já está pronto para começarmos em Choloma. As Forças Armadas estarão supervisionando a obra até o final”, acrescentou. Cada Cidade Mulher é, de fato, como uma pequena cidade. Cada complexo possui, no mínimo, sete edifícios, cada um projetado para atender diferentes necessidades. Estão rodeados de jardins, áreas verdes e calçadões ao ar livre. O investimento no primeiro centro foi de quase US$ 4 milhões. A construção dos centros restantes terá um custo de US$ 20 milhões. Igual a outras mulheres no mundo “As mulheres são objeto de muita discriminação, embora representemos mais de 52 por cento da população hondurenha. Elas recebem salários menores por trabalhos iguais, são vulneráveis a vários tipos de abuso, não têm acesso a créditos financeiros e muitas perdem a vida por doenças ligadas a seu gênero que não são atendidas a tempo”, expressou Paz. “Acreditamos que esse projeto terá um impacto positivo na vida de muitas mulheres. Cremos que repercutirá na diminuição da violência intrafamiliar e que, por meio da ajuda que receberão, também será possível evitar a emigração e a evasão escolar”, acrescentou o Cel Cerrato, ao expressar a satisfação das Forças Armadas em colaborar com essa iniciativa. “Esta é uma iniciativa para facilitar o acesso de todas as mulheres a seus direitos. É o Estado preocupado em prover uma plataforma para que elas possam receber serviços em um lugar só, não em locais dispersos, o que dificulta mais o seu acesso”, disse Paz. “O único requisito para entrar é ser mulher”, acrescentou. Módulos de assistência O Cidade Mulher prestará serviços por meio de seis módulos de assistência. O primeiro é para ajudar as mulheres a alcançar autonomia econômica. As mulheres são o principal motor da economia informal, porém elas não dispõem de empréstimos. Por meio do Cidade Mulher, elas terão acesso ao que a administração chama de “créditos solidários”, para que possam financiar seus pequenos negócios. Há também um módulo focado na assistência e prevenção da violência doméstica. Nele, as mulheres terão acesso à assistência jurídica e auxílio em situações de emergência. O terceiro módulo está voltado para a saúde sexual e reprodutiva das mulheres. De acordo com o doutor Jorge Cerrato, ginecologista do Hospital Militar em Tegucigalpa, o câncer de colo de útero é a principal causa de morte das mulheres em Honduras, seguido de perto pelo câncer de mama. Ele explicou também que Honduras é o segundo país da América Latina com a maior quantidade de gravidez em adolescentes. Por isso, o Cidade Mulher busca contribuir para a prática segura e saudável da sexualidade das mulheres. Ele busca diminuir a incidência de doenças por meio da educação com fins preventivos e mediante o diagnóstico precoce. O centro também oferecerá às mulheres assistência pré-concepcional, pré-natal e pós-natal. Um quarto módulo está voltado para a educação coletiva, mediante estratégias educativas e o envolvimento das comunidades para eliminar normas culturais que permitem as desigualdades de gênero. A instrução será variada e haverá seminários, palestras e grupos de discussão sobre temas que vão desde a tomada de decisões até a educação sexual. Dos módulos restantes, um está focado na assistência à infância e, o último, na assistência a adolescentes. Com o Cidade Mulher, o governo tem como objetivo reduzir a porcentagem de mulheres de 15 anos ou mais sem renda de trabalho, diminuir a taxa de mortalidade materna e baixar o índice de mortalidade infantil em crianças menores de cinco anos. As projeções iniciais são de atender 8.000 novas beneficiárias a cada ano. “Tenho a convicção de que, quando a mulher se coloca de pé e caminha por decisão própria, jamais retrocede”, concluiu Paz.
Share