Honduras na luta frontal contra o narcotráfico

Honduras in Frontal Assault against Drug Trafficking

Por Kay Valle/Diálogo
novembro 18, 2016

O narcotráfico é uma ameaça multinacional, especialmente para os países do Triângulo Norte. Contudo, cada país faz seus maiores esforços para combatê-lo. “Honduras, por sua vez, melhora a cada dia.” Essa afirmação foi feita pela advogada Soraya Calix, titular da Direção de Luta contra o Narcotráfico (DLCN). O Ministério Público deste país centro-americano possui várias repartições especiais, sendo uma delas a DLCN. É nela que começa a luta contra o narcotráfico. A diretora Cálix comentou à Diálogo que, além de outras ações, as apreensões de drogas tornaram-se o foco para a neutralização das ações do crime organizado nacional e internacional. “Como resultado do trabalho dos detetives desta seção, até este mês de novembro de 2016, se comparado com 2015, as apreensões de droga em grupos do crime organizado nacional e internacional dobraram em número”, asseverou Cálix. O porta-voz da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA), Tenente Coronel Santos Nolasco, informou que, além do incremento nas apreensões, a diminuição no trânsito de cocaína pelo território hondurenho apresentou queda significativa, graças à luta frontal que a FUSINA empreendeu contra a criminalidade comum e organizada. Essa luta compreende a implementação de medidas extremas, como o escudo terrestre, aéreo e marítimo, e o trabalho conjunto das forças da ordem. Essas medidas possibilitaram, no decorrer de 2016, a apreensão de quase 15 mil quilos de cocaína, 700 quilos de pasta base, 200 barris de produtos químicos precursores para a elaboração de drogas e a destruição de 10 laboratórios. Essas apreensões de drogas foram efetuadas na região do litoral atlântico. Como medida preventiva, a FUSINA tem focada suas operações nessa área. As operações das forças da ordem permitiram, além das apreensões de drogas, a desarticulação de inúmeros grupos criminosos dedicados ao narcotráfico. Assim, tornou-se possível a extradição de 12 cidadãos hondurenhos solicitados pela justiça dos Estados Unidos, acusados de tráfico ilegal de entorpecentes. “O trabalho realizado durante quase três anos de operações permitiu a inabilitação de 137 áreas clandestinas de pouso, que eram empregadas na descarga de drogas”, disse o Ten Cel Nolasco. Ações contra o narcotráfico O enfoque da DLCN está presente na coordenação e execução de ações voltadas à luta contra todas as formas e modalidades do narcotráfico. As operações contra esse tipo de crimes começaram em 1996. A corporação conta com 166 detetives distribuídos em quatro seções: Investigações Antidrogas, Investigações de Lavagem de Ativos e Privação de Domínio, Esquadrão de Cães K9 e Investigações sobre o desvio de Precursores Químicos. Tegucigalpa é sede do escritório principal da direção e conta com outras três sedes que coordenam e executam ações de apreensão nas áreas terrestres, aéreas e marítimas de grande escala, bem como as operações de combate ao pequeno tráfico. “Em uma operação contra o pequeno tráfico, realizada na cidade de San Pedro Sula, no primeiro semestre de 2016, os detetives da direção descobriram uma nova maneira de distribuição do crack, que agora é empacotado em ampolas, usada pelos pequenos distribuidores nas cidades mais importantes do país”, disse Cálix. O Ten Cel Nolasco explicou que “quando as investigações da DLCN conduzem a uma operação de apreensão, os detetives recebem apoio dos elementos da FUSINA”. Após a apreensão, a droga passa por uma cadeia de custódia, como evidência para o ingresso no sistema judiciário e proceder, posteriormente, à punição. Uma vez apresentadas as provas perante o juiz, ela é destruída. Luta e prevenção “Em Honduras, a droga mais produzida e consumida é a maconha, ao passo que o consumo de cocaína é mínimo”, informou o Ten Cel Santos. Acrescentou, ainda, que “em Honduras, desde 28 de outubro de 2014 até hoje, foram apreendidos 58 mil quilos de maconha. Para evitar o aumento no consumo de drogas no país, a Polícia Militar da Ordem Pública tem implementado o programa ‘Sem drogas vivemos melhor’”. Segundo números da FUSINA, este programa forneceu palestras de prevenção para mais de 70 mil estudantes do ensino médio durante 2016. Por sua vez, Cálix asseverou que lutar contra o narcotráfico não é a única responsabilidade da DLCN, mas também aumentar a consciência dos cidadãos relativamente aos danos para a saúde provocados pelo consumo de drogas. “Essa conscientização está sendo realizada a nível nacional, através da campanha denominada ‘Liberdade e saúde sem drogas’, com palestras informativas nos centros educacionais do país”, afirmou. Calix destacou o muitas das apreensões realizadas aconteceram graças às denúncias anônimas. “O sucesso de muitas operações de apreensão de drogas deve-se à colaboração dos cidadãos. Contamos com uma equipe profissional de detetives prontos para receber suas denúncias”, concluiu.
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