Honduras cria Polícia de Elite para combater crime organizado

Por Dialogo
fevereiro 20, 2012



O governo de Honduras está planejando a criação de uma força policial de elite para enfrentar o crime organizado e investigar crimes que vão de narcotráfico a corrupção e assassinato.
Juan Orlando Hernández, presidente do Congresso de Honduras, apresentou o projeto da nova agência em 20 de janeiro, segundo o qual os novos policiais serão submetidos a um rigoroso treinamento em métodos de investigação e que a nova força de segurança seguirá as diretrizes da disciplina militar e o respeito aos direitos humanos.
“A Polícia Nacional continuará a existir, haverá apenas uma força independente com novos agentes treinados para o enfrentamento a certos tipos de crime, com ênfase em investigação criminal”, disse Hernández ao Congresso, acrescentando que, enquanto a nova agência está sendo desenvolvida, os agentes da Polícia Nacional serão submetidos a uma avaliação – novamente com a assessoria e orientação “de setores estrangeiros que desejam nos apoiar.”
Hernández assinalou que o modelo chileno foi elogiado internacionalmente e que “tem obtido sucesso em diversos países.”
As autoridades de Honduras buscaram o modelo utilizado pelo Chile, cuja Polícia Nacional incorporou a lei de direitos humanos internacional a sua doutrina e treinamento através de um acordo assinado em janeiro com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O acordo “é uma demonstração do comprometimento da polícia do Chile com os direitos humanos”, disse Felipe Donoso, diretor da delegação regional do CICV.

Intensa onda de crimes alarma autoridades hondurenhas

A ação do governo de Honduras de criar uma força investigativa de elite surge em um momento em que o país é assolado por uma alarmante escalada do narcotráfico e de atividades de gangues, com um consequente aumento no índice de homicídios. Os traficantes de drogas de nações vizinhas invadiram o país, fomentando a violência e a corrupção. A Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA) estima que 25 toneladas de cocaína são transportadas através de Honduras todo mês, com destino aos lucrativos mercados de drogas da América do Norte.
O Chile não é o único país a se comprometer a ajudar Honduras no combate ao crime e à violência crescentes. Espanha e Colômbia também têm assessorado o país, declarou o presidente hondurenho Porfirio Lobo em entrevista à Rádio HRN. Os Estados Unidos enviarão a Honduras um analista de técnicas de segurança para avaliar os desafios que o país enfrenta com a criminalidade e para prestar consultoria na área de estratégia.
Autoridades do governo hondurenho informaram que Hugo Acero Velásquez, um analista de segurança colombiano, já se encontra em Tegucigalpa prestando consultoria ao governo na área de estratégias de combate ao crime.
O presidente de Honduras, em 18 de janeiro, encontrou-se em Miami com autoridades americanas que se comprometeram a enviar analistas de técnicas de segurança, informou o ministro da Segurança Pública de Honduras, Pompeyo Bonilla.
“Iremos avaliar como coordenar as ações que envolverão diversos países, tais como Colômbia e Chile, para poder resolver este problema de segurança”, declarou Bonilla em entrevista à imprensa, acrescentando que “precisamos assumir que temos um grande problema, mas que existe uma forte vontade de encontrar uma solução.” O ministro admitiu que o desafio da criminalidade tem sido exacerbado pela corrupção infiltrada em algumas instituições governamentais.

UNODC: San Pedro Sula, a cidade mais perigosa da América Latina

Honduras não é o único país do Triângulo do Norte da América Central a ser afetado pela violência relacionada às drogas e às quadrilhas. Guatemala e El Salvador também sofrem com o crime e a violência, principalmente devido à migração dos cartéis mexicanos, que passaram a realizar nesses países suas operações de narcotráfico.
A taxa de homicídios em Honduras hoje é de 82,1 por 100.000 habitantes, a maior do mundo de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Cerca de 7.000 assassinatos foram registrados em 2011 – um aumento de 250% em seis anos.
San Pedro Sula, a segunda maior cidade do país, é mais perigosa que a mexicana Ciudad Juárez, de acordo com um relatório emitido pela organização não governamental Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal no México. De acordo com a ONG, os 1.143 assassinatos ocorridos na cidade hondurenha no ano passado representam um índice de 158 homicídios por 100.00 habitantes.
A proposta de criação da nova força policial em Honduras dá seguimento a uma série de outras medidas de combate ao crime e à violência promovidas pelo governo, incluindo a permissão de extradição de traficantes indiciados e a implementação de um programa de proteção a testemunhas para quem denunciar crimes relacionados ao narcotráfico e à corrupção.
Lobo destacou centenas de tropas às principais cidades de Honduras, incluindo San Pedro Sula e Tegucigalpa, para combater a criminalidade e patrulhar, juntamente com a polícia, as áreas dominadas pelas gangues em meados do ano passado. Lobo explicou que o objetivo era “garantir a presença das autoridades nas áreas de maior conflito.”
O presidente prometeu “fazer o possível dentro da lei para reduzir a impunidade que nos causa indignação.” O envio de militares às áreas de conflito seguiu-se à demissão de quatro importantes chefes de polícia, depois que quatro policiais acusados de assassinato foram soltos. O Congresso de Honduras aprovou uma lei para que os militares permaneçam nas áreas de conflito por um período mais longo.
“Essa lei permitirá às Forças Armadas assumirem a função de polícia para enfrentar o crime organizado e os narcotraficantes que atuam no país”, disse o congressista Oswaldo Ramos, membro do partido conservador do governo de Honduras. Autoridades hondurenhas afirmaram que o destacamento temporário de militares em apoio à polícia reduziu o número de homicídios em 36%.
A pestilência da corrupção na Colômbia, sempre afeta os inocentes e mais sérios... Atte: silvio figueroa lopez, social-comunista cristão, cartagena, colômbia.
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