Honduras: Aumentam apreensões de cocaína e maconha

Honduras: Cocaine, marijuana seizures on the rise

Por Dialogo
agosto 31, 2012




TEGUCIGALPA, Honduras – Honduras usou suas ligações com os países centro-americanos parceiros na Operação Martillo para obter grandes vitórias em sua luta contra os narcóticos nos primeiros sete meses do ano.
“A cooperação entre países permite o intercâmbio de informações e melhores recursos tecnológicos, o que resulta nos golpes contundentes que estamos desferindo atualmente contra narcotraficantes que se movimentam por ar e mar", diz o coronel Isaac Santos Aguilar, chefe da Direção de Luta Contra o Narcotráfico (DLCN).
A DLCN apreendeu 5 t de cocaína e 17,8 t de maconha nos primeiros sete meses de 2012, ante 5,7 t de cocaína e 70 kg de maconha em 2011.
Santos Aguilar elogiou os resultados da Operação Martillo, uma ação conjunta internacional que reúne países do Hemisfério Ocidental e nações europeias em um esforço para deter as rotas de tráfico nas duas costas do istmo da América Central.
“Trabalhamos em conjunto com a cooperação internacional para tentar interromper o fluxo de drogas”, explica. “Os esforços têm dado resultados: uma grande quantidade de drogas foi confiscada; aeronaves foram forçadas a pousar; capturamos lanchas; e, com a Operação Martillo, em março deste ano, um semissubmersível foi interceptado no Caribe.”
Apenas neste ano, autoridades confiscaram dois narcossubmarinos. No ano passado, foram três, segundo a DLCN.
Graças às informações coletadas pela Operação Martillo, a DLCN determinou onde os narcotraficantes estabeleceram suas principais rotas.
“Durante os últimos nove meses, o fluxo de drogas por via terrestre da América do Sul para o nosso país foi centralizado na região noroeste, especialmente no departamento de Olancho”, informa Santos Aguilar. “Por outro lado, no Caribe, vimos um aumento no tráfico no departamento de Gracias a Dios e Colón.”
A maioria dos aviões que transportam narcóticos entra no país através do vale de Agalta e do município de Catacamas, em Olancho. Mas houve também um aumento em atividades relacionadas a drogas nas áreas de Ahuas, Auca, Brus Laguna e Wampusirpe, em Gracias a Dios, afirma Santos Aguilar.
“São áreas remotas e de difícil acesso”, acrescenta.
Desde o início deste ano, a DLCN destruiu 17 pistas de pouso clandestinas usadas por narcotraficantes para contrabandear narcóticos para o país – 13 a mais do que em todo o ano de 2011.
O chefe do órgão diz ainda que o sistema judicial está condenando os narcotraficantes a penas mais severas.
“[Os narcotraficantes] já não operam com tanta impunidade”, destaca. “No fim do ano passado e no início deste ano, ficamos saturados com a quantidade de drogas e voos entrando no país”, lembra. “Mas as autoridades estão reprimindo o crime, e as drogas confiscadas são destruídas imediatamente.”
Santos Aguilar diz que a DLCN não está combatendo apenas o tráfico em larga escala.
“Estamos combatendo o comércio de narcóticos em pequena escala e o enriquecimento ilícito de cidadãos que agem em cumplicidade com máfias hondurenhas e internacionais para introduzir drogas no país”, afirma Santos Aguilar. “Esse enriquecimento é à custa de sangue – sangue de hondurenhos.”
Segundo Santos Aguilar, a luta contra os narcóticos vai além da repressão. A DLCN fez uma parceria com a Polícia Nacional hondurenha, a Direção Executiva de Impostos (DEI), órgão responsável pela arrecadação de tributos, e a Secretaria de Saúde para manter as crianças longe das drogas.

“Os jovens são os que mais consomem drogas no país, e é evidente que, cada vez mais, utilizam drogas sintéticas. Mas o tráfico, o consumo e a distribuição de drogas tradicionais continuam ocorrendo”, alerta.
Pelo menos 100.000 estudantes fumam maconha, 47.000 consomem cocaína, 37.000 usam crack e outras drogas e 174.000 bebem álcool, segundo uma pesquisa com estudantes de todo o país conduzida pelo Instituto Hondurenho para Prevenção do Alcoolismo, Dependência às Drogas e Farmacodependência (IHADFA).
Há 1,3 milhão de estudantes do ensino fundamental entre 6 e 15 anos de idade e 533.000 estudantes do ensino médio no país, segundo a Secretaria de Educação.
“O consumo de narcóticos entre jovens é difícil de controlar porque as drogas estão disseminadas em todo o país”, afirma Rony Efraín Portillo, diretor geral do IHADFA. “Só unidos poderemos fazer frente a esse mal.”
Cerca de 60% dos hondurenhos – o país tem 8 milhões de habitantes –, dizem que os narcotraficantes têm “alguma” ou “muita” influência em seus municípios e departamentos, segundo um estudo de julho de 2012 conduzido pela Comissão Nacional de Direitos Humanos (CONADEH).
O estudo reforçou a opinião de Ramón Custodio López, chefe da CONADEH, de que os narcóticos se tornaram um grande problema.
“Honduras já não é um país de trânsito de drogas – é agora um país com tráfico de drogas, o que impacta todas as esferas sociais”, ressalta. “Até o momento, conseguimos reestruturar algumas instituições criadas para combater o narcotráfico. É um longo caminho, mas estamos na direção certa.”
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