Intercâmbio militar em El Salvador destaca a importância dos suboficiais

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Por Dialogo
maio 17, 2016






De 10 a 12 de maio, sargentos e subtenentes de todos os ramos das Forças Armadas de El Salvador e da Guarda Nacional de New Hampshire se reuniram com representantes do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) em San Salvador para trocar ideias e visões sobre como apoiar a função dos suboficiais entre os militares salvadorenhos. O intercâmbio com sargentos e subtenentes foi o primeiro desse tipo e tornou-se realidade depois que o General de Brigada Felix Nuñez Escobar, Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de El Salvador, pediu a ajuda dos militares dos EUA na elaboração de um programa para fortalecer os corpos de suboficiais salvadorenhos e ajudar a preencher a lacuna entre eles e os oficiais.

Intercâmbios semelhantes serão realizados na República Dominicana e no Paraguai com a intenção de oferecer uma oportunidade para que suboficiais de nações parceiras aprendam entre si e com os suboficiais dos EUA.

Em San Salvador, o intercâmbio começou com uma apresentação do Subtenente salvadorenho Marcos Alfaro, que falou sobre as responsabilidades e objetivos dos suboficiais no apoio ao governo contra ameaças de gangues, crime organizado e narcotráfico. “Nosso objetivo neste intercâmbio é, acima de tudo, conseguir apoio do alto comando para iniciar o projeto voltado ao desenvolvimento de nossos suboficiais, de modo a torná-los mais profissionais. Assim, poderão ser um instrumento essencial para facilitar a função do Chefe do Estado-Maior Conjunto em qualquer nível designado”, disse o ST Alfaro a Diálogo
.

Melhorar o entendimento


O nível de expectativa foi alto em El Salvador, por ser o primeiro país a sediar um programa desse tipo. “Minha esperança é que suboficiais dos dois países e do nosso estado de New Hampshire, especificamente, possam sair dessa experiência com um melhor entendimento sobre sua função, uma melhor compreensão sobre os suboficiais de outros países e um conhecimento mais amplo sobre como treinar para trabalhar com outros países. É uma grande oportunidade de aprender lições entre si”, diz o Sargento Lore H. Ford IV, líder do contingente de New Hampshire. “Espero que aprendam algo conosco, e tenho muita esperança de que possamos aprender com eles também.”

Depois da exposição do ST Alfaro sobre os desafios enfrentados pelos suboficiais salvadorenhos, o grupo visitou duas instalações de treinamento de suboficiais em La Unión, situada no golfo de Fonseca.

A primeira visita foi à Escola de Suboficiais e Tropa da Força Armada “Segundo Tenente Mariano Iglesias Moreno” do Comando Militar de Educação e Doutrina, onde cadetes recebem treinamento sobre todos os aspectos das Forças Armadas, incluindo as Forças Anfíbias Especiais. O Tenente Coronel Jualberto Calderón Barrientos, oficial superior da academia, disse que “todos os candidatos devem treinar em todos os aspectos para atender aos desafios e ameaças que a pátria enfrenta, além de participar de missões internacionais. Nosso tema é 'Preparação para todos os aspectos da segurança'”.

“O programa da academia é voltado à promoção da honra e do orgulho de ser um suboficial das Forças Armadas de El Salvador”, disse o ST Alfaro aos visitantes. Falou também sobre os valores e responsabilidades de um suboficial, ressaltando o importante apoio que os suboficiais prestam aos oficiais no terreno e em cada aspecto de sua função. “Os suboficiais devem estar prontos para abordar as ameaças e desafios enfrentados por El Salvador e corresponder à importância de seu papel nas missões internacionais”, afirma. “Lembrem-se que os suboficiais são o vínculo direto com os oficiais em todos os setores das Forças Armadas.”

O ST Alfaro explicou a Diálogo
que “foi importante conversar com eles e instilar o orgulho de serem suboficiais, garantindo que soubessem que têm o apoio do Chefe do Estado-Maior Conjunto, que tem muito interesse em assegurar que recebam o treinamento mais profissional.”

A segunda visita foi ao Centro de Instrução e Educação Naval, onde o Primeiro Sargento da Marinha David S. Ribeiro falou ao ST Alfaro sobre o papel dos suboficiais da Marinha dos EUA.

“Queremos realizar uma mudança cultural nas Forças Armadas de El Salvador, de maneira que os membros da instituição vejam os suboficiais como um importante apoio para os oficiais em todos os níveis”, disse o subtenente salvadorenho.

Parceria


“O exercício aqui em El Salvador superou minhas expectativas. Uma de nossas expectativas em relação aos suboficiais das nações parceiras é que eles avancem no sentido de pedir mais responsabilidade, mais treinamento e sejam mais relevantes no âmbito de seu exército. Vimos isso em nossa primeira visita em janeiro. Nos quatro meses seguintes, eles realmente progrediram com o desenvolvimento dos suboficiais, e estou muito contente com isso”, diz o Subtenente do Exército dos EUA Karim Mella, responsável pelo Programa de Desenvolvimento de Parcerias no SOUTHCOM e participante do intercâmbio.

“Uma coisa que notamos é o maior nível de suas perguntas e pedidos em comparações com os eventos anteriores. O tipo de pergunta que fazem para obter informações de uma perspectiva de liderança. Agora, querem ajudar os outros suboficiais a atingir o seu nível. Somente isso já é uma enorme realização em países que tradicionalmente dão muita ênfase aos oficiais”, diz o ST Mella.

O futuro


Com relação ao futuro desenvolvimento do programa de suboficiais em El Salvador, o ST Alfaro afirmou que eles devem continuar recebendo apoio do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de El Salvador, a fim de que o programa siga crescendo. “Esperamos que as Forças Armadas dos EUA continuem considerando os militares salvadorenhos como parceiros para intercâmbios futuros. Estou grato pelo apoio que recebemos do SOUTHCOM, pois nos ajudará a avançar no desenvolvimento dos suboficiais com o objetivo principal de criar uma equipe de suboficiais profissionais”, completa.

O ST Mella afirmou que, embora não seja fácil ver os resultados imediatamente em um programa de desenvolvimento de suboficiais como esse, “veremos os resultados dentro de alguns meses e em poucos anos. Espero que, toda vez que formos a um país para oferecer apoio, eles possam obter ideias e aplicá-las em seu país da melhor forma que funcione melhor para cada exército.”
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