Polícia e Forças Armadas hondurenhas combatem crime organizado

Por Dialogo
março 28, 2014



A polícia e as Forças Armadas de Honduras estão trabalhando em parceria para capturar 150 líderes de gangues criminosas e melhorar a segurança pública, segundo autoridades do país.
O objetivo das forças de segurança é concretizar a promessa do presidente Juan Orlando Hernández de “tolerância zero” ao crime.
Segundo as autoridades, as Forças Armadas e a polícia estão compartilhando informações sobre as gangues criminosas, as atividades ilegais que elas praticam, regiões operam e quem são seus líderes. Entre as gangues visadas, estão Mara Salvatrucha, também conhecida como MS-13, Barrio 18 e Los Cachiros.
Essas gangues estão envolvidas em tráfico interno de drogas, homicídios, tráfico de pessoas, extorsão, sequestro e outras atividades criminosas. Também formam alianças com organizações criminosas transnacionais, como o Cartel de Sinaloa e o Los Zetas. As gangues locais ajudam a transportar drogas para grupos maiores do crime organizado.
A polícia hondurenha e as forças militares estão empenhadas em derrubar esses grupos inicialmente por meio do intercâmbio de informações.

Estratégia coordenada

“O Exército e a polícia estão trabalhando de mãos dadas como parte de uma estratégia de inteligência coordenada para pegar os chefes de Maras, Barrio 18 e Los Cachiros”, diz o coronel Germán Alfaro Escalante, subcomandante da Polícia Militar da Ordem Pública (PMOP).
O governo forneceu recursos adicionais à PMOP e a um grupo de policiais militares conhecido como TIGRES (Tropa de Inteligência de Resposta Especial de Segurança). Ambos os grupos foram criados no outono de 2013. Juntos, a PMOP e a TIGRES compõem um contingente de 10.000 policiais militares e soldados. Muitos deles patrulham as ruas de Tegucigalpa e San Pedro Sula.

Luta contra a ‘cultura da impunidade’

As forças de segurança estão combatendo a “cultura da impunidade” que se desenvolveu entre as gangues, diz Raúl Pineda Alvarado, analista de segurança baseado em Tegucigalpa.
“Nós hoje temos mais de 33.000 membros de gangues traficando drogas e pessoas para dentro e fora do país”, afirma Alvarado. “Isso é mais que na Guatemala e na Nicarágua e, de várias maneiras, eles estão ficando mais fortes, com lucros anuais de mais de US$ 15 bilhões.”
Segundo as autoridades, as organizações criminosas transnacionais que operam em Honduras transportam cerca de 80% de suas drogas por via marítima e o resto através de rotas aéreas e terrestres. Os criminosos do narcotráfico e os membros das gangues que trabalham com eles são responsáveis pela maior parte da violência no país.
Desde 2010, o Cartel de Sinaloa, o Los Zetas e outras organizações criminosas transnacionais utilizam portos no norte de Honduras para transportar drogas. Com o auxílio das gangues locais, os membros do crime organizado colocam as drogas em navios, que seguem para o México, os Estados Unidos e o Canadá.

Líderes de gangues são o alvo

As forças de segurança hondurenhas capturaram vários líderes e membros de gangues nos últimos meses.
Por exemplo, em 15 de janeiro de 2014, a polícia de Tegucigalpa capturou seis membros da o Taliban, uma gangue local. Em 20 de fevereiro, a polícia de San Luis, Comayagua matou José Gerónimo Espinoza Zúniga, um suposto líder do grupo. Ele era conhecido como “El Chombo”.
De acordo com as autoridades, as capturas e mortes de líderes de gangues estão causando um impacto positivo.
“Desde a criação da PMOP, em outubro do ano passado, reduzimos os níveis de homicídios de três para um por dia e, desde o início de fevereiro, desarticulamos 18 gangues criminosas”, diz o coronel Escalante.
As forças de segurança estão dando ênfase especial à identificação e à captura ou morte de líderes de gangues.
Há um contingente de 4.000 agentes da PMOP e 5.300 da TIGRES pronto para capturar 150 líderes de gangues em todo o país. “Policiais selecionados têm sido intensamente recrutados para reforçar a TIGRES. Eles tiveram um treinamento especial em coleta de dados para inteligência”, explica Escalante.
As forças de segurança contam com a ajuda da população.
Em fevereiro de 2014, o governo ofereceu uma recompensa de 250.000 lempiras (US$ 13.000) por informações que levem ao paradeiro de diversos membros da Los Espinoza. Os membros da gangue são suspeitos da morte de mais de 30 pessoas, incluindo seis policiais na região central de Honduras.

Tecnologia para combater crime organizado

De acordo com Alvarado, além de colher informações de cidadãos para localizar membros de gangues, as forças de segurança têm de usar tecnologia para reprimir as gangues e as organizações criminosas transnacionais.
É exatamente isso que as autoridades estão fazendo. No final de 2013, o ex-presidente Porfirio Lobo anunciou a compra de US$ 30 milhões em radares para detectar aeronaves que transportam cargas de drogas.
“Nós precisamos infundir um senso de medo [nos narcotraficantes] para que eles achem mais difícil traficar armas e drogas para o México e os EUA”, diz Alvarado.
Presidente Hernández disse à mídia local: “Ninguém pode entrar no país como se aqui fosse uma terra de ninguém (...) Esta não é uma terra de traficantes de drogas, e este não é um país para aqueles que procuram impunidade (...) Aqui existem homens e mulheres decentes que desejam viver com paz e tranquilidade.”
O presidente hondurenho está buscando uma cooperação mais intensa com o México e os EUA para combater a violência na América Central. Parte dessa iniciativa inclui a extradição de integrantes do crime organizado procurados nos dois países.
Em 14 de janeiro de 2014, o Supremo Tribunal de Honduras anunciou estar encaminhando pedidos de extradição, para o México e os EUA, de cinco suspeitos de associação ao crime organizado.


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