Oficiais hondurenhos recebem mestrado em construção naval

Honduran Officers Earn Master of Naval Engineering Degree

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
março 12, 2018

Membros da Força Naval de Honduras (FNH) reafirmaram suas habilidades e conhecimentos na construção de embarcações e no uso de ferramentas de alta tecnologia para o projeto de embarcações. Três oficiais hondurenhos obtiveram mestrado em Engenharia Naval na Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla da Marinha Nacional da Colômbia, em Cartagena.

“No primeiro trimestre de 2018, outro grupo de cinco oficiais da Força Naval de Honduras viajará para a Colômbia para fazer, também, o mesmo curso de mestrado”, informou à Diálogo a Capitão-Tenente da FNH Ivonne Sibrian Mejía, chefe do Departamento de Relações Públicas. “O plano é o de capacitar 15 oficiais hondurenhos nessa pós-graduação.”

O programa acadêmico faz parte do contrato de construção do navio de apoio logístico e cabotagem BAL-C Gracias a Dios, da FNH, firmado em novembro de 2016 pela Secretaria de Defesa Nacional de Honduras e pela Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Nacional Naval, Marítima e Fluvial da Colômbia (COTECMAR). Os três oficiais hondurenhos, juntamente com três membros da Marinha da Colômbia e três da COTECMAR, tiveram uma formação intensiva com um programa acadêmico distribuído em 15 disciplinas, cinco seminários e uma tese.

“A pós-graduação em Engenharia Naval nos ajuda a formar competências científicas e acadêmicas para solucionar problemas do setor industrial naval, fluvial e marítimo, que vão ser úteis para nosso país para desenvolver avanços como os que a Marinha colombiana alcança”, disse à Diálogo o Capitão-Tenente Jonhy Sibrian Mendoza, um dos oficiais formados no curso. “Agradecemos aos governos da Colômbia e de Honduras por essa inestimável oportunidade de ajudar nosso país.”

O pessoal das diferentes instituições navais adquiriu conhecimentos avançados na análise dinâmica de navios, na análise de estruturas navais, nos sistemas de potência marítima, na integração de sistemas navais de engenharia, no projeto naval concorrente e na gestão de estaleiros. Os militares foram formados por instrutores da Colômbia, do Chile, do Equador e da Índia.

Os oficiais que receberem o título de engenheiros navais serão profissionais formados dentro do âmbito científico, com sentidos éticos e críticos. Eles serão capazes de realizar a modelagem de um navio com conhecimentos de sua dinâmica, da análise de sua capacidade de manobra e do seu comportamento no mar. Terão também a capacidade de analisar soluções alternativas para a definição e otimização dos sistemas de propulsão do navio, conforme informações da Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla.

Grande apoio

Os alunos militares farão parte do grupo supervisor na construção do BAL-C Gracias a Dios, uma nave moderna que se incorporou em novembro de 2017 ao escudo marítimo para defender Honduras contra as ameaças das organizações do crime transnacional. O navio tem capacidade para navegar em águas de menos de 1,5 metro de profundidade, o que facilita seu embarque e desembarque sem necessidade de atracadouro, possuindo uma autonomia de 40 dias em alto-mar com uma tripulação de 15 pessoas.

“Participamos de todo o processo de construção do BAL-C Gracias a Dios. Recebíamos as aulas e a aplicação direta de um projeto de construção naval”, ressaltou o CT Sibrian Mendoza. “Também participamos das provas de mar e de esforço para a construção da embarcação.”

“Como já foi dito, esses oficiais já fizeram seu primeiro navio. Eles estão capacitados”, disse a CT Sibrian Mejía. “Eles farão parte do Centro de Reparos Navais na Base Naval da cidade de Puerto Cortés da Força Naval de Honduras.”

Primeiro estaleiro

“Esse plano vai mais além. O governo de Honduras trabalha no desenvolvimento de um estaleiro para apoiar o reparo e a manutenção de embarcações de mais de 200 pés de comprimento, com os mais altos padrões de qualidade e capacidade de resposta em tempos oportunos de assistência”, indicou a CT Sibrian Mejía. “As marinhas dos países vizinhos contarão com preços competitivos para reparar suas embarcações.”

Além de apoiar no desenvolvimento da indústria marítima hondurenha para atender de forma integral às necessidades da FNH e da indústria naval marítima e fluvial, o estaleiro garantirá uma operação comercial, industrial e financeira que gere seus próprios recursos para garantir um crescimento de longo prazo. Honduras contará com a assessoria da COTECMAR para desenvolver o projeto com base na ampla experiência que ela detém.

“O mestrado em Engenharia Naval faz parte da estratégia nacional para desenvolver nos próximos cinco ou sete anos a construção desse primeiro estaleiro que beneficiará o Estado para atender a um mercado muito além de poder fazer apenas pequenas operações”, informou a CT Sibrian Mejía. “A FNH aproveita as boas relações com a Colômbia para desenvolver engenheiros navais que vão fazer parte desse projeto.”

Fortalecimento do escudo marítimo

O nível de profissionalismo na FNH tem sido determinante para a consecução da missão. “Nós, oficiais hondurenhos, temos capacidades para desenvolver qualquer tarefa”, comentou o CT Sibrian Mendoza. “Tenho uma enorme satisfação por haver terminado com êxito essa missão.”

Toda a formação recebida fortalecerá o escudo marítimo que combate o narcotráfico e o crime organizado. “Nossa frota naval não terá que esperar meses para ser reparada para poder sair para patrulhar sua área de responsabilidade e ter presença constante no mar”, acrescentou a CT Sibrian Mejía. “Esse fortalecimento operacional é valioso porque somos um país de passagem do narcotráfico.”
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