Força Aérea de Honduras, 86 anos de serviço

Honduran Air Force, 86 Years of Service

Por Kay Valle/Diálogo
junho 14, 2017

A decolagem da aviação em Honduras começou em 1921 com a aquisição do primeiro avião de guerra. A sua era como escola de aviação militar começou em 1931, quando foi criada como Ministério da Marinha e Aviação. “A história da instituição é gloriosa e a aviação de combate da Força Aérea de Honduras (FAH) começou em 1936. O conflito da Segunda Guerra Mundial impulsionou a compra de mais aviões, que serviriam para sobrevoar as costas do Pacífico e do Atlântico”, disse à Diálogo o Coronel da Força Aérea de Honduras José Luis Sauceda Sierra, comandante-geral da FAH. Os aeródromos eram mais comuns porque a infraestrutura de rodovias era reduzida. Por isso, as funções da FAH se diversificaram e o reconhecimento das fronteiras por meio dos patrulhamentos aumentou, já que Honduras se integrou à guerra contra os alemães. “De 1942 até 1944, os patrulhamentos aéreos realizados com os Stinson F2 aumentaram para três vezes por dia. No dia 24 de julho de 1942, foi detectado um submarino que os elementos da FAH atacaram com bombas”, disse à Diálogo o Capitão reformado da Força Aérea de Honduras Jurgen Hesse Joya, historiador do Museu do Ar de Honduras. “Esse enfrentamento transformou Honduras no único país centro-americano que participou de um combate da Segunda Guerra Mundial”, assegurou. Desenvolvimento sustentado Edgard Mejía, analista de segurança e professor da Universidade da Polícia Nacional, disse à Diálogo que, embora a FAH seja o menor braço das Forças Armadas, ela teve um desenvolvimento sustentado e constante desde sua fundação. “A formação de seu pessoal, incluindo as especialidades no controle de aeronaves de asa rotativa, asa fixa, pilotos de combate, manutenção de aviões, de radares, inteligência aérea, além de outras ações, melhoraram o dimensionamento operacional da instituição”, expressou. Para ele, a FAH teve épocas de ouro, todas dignas de destaque. A primeira ocorreu em 1977, quando houve um avanço; do turbo-hélice passou à era do jato, com a aquisição dos F86 e depois dos A37B Dragonfly, ainda ativos. Depois, em 1983, foi criado o Esquadrão de Defesa Aérea, permitindo que exista um escudo aéreo que faça parte do combate ao crime organizado internacional. “A última [etapa] surge da necessidade de fixar as bases do que é hoje a Escola de Capacitação de Médio Comando. E, sem dúvida, o sucesso mais significativo foi a aquisição dos F5”, ressaltou Mejía. Igualdade de gênero Para ingressar na FAH, os jovens devem ser maiores de 18 anos e não há diferença de gênero. Isso significa que os ramos de estudo para cadete de voo, oficial técnico ou segurança aérea estão abertos a todos. “Desde 1996, a FAH começou a receber estudantes mulheres, tornando-se a primeira academia aérea da América Central a abrir-lhes as portas. Atualmente, há um total de 198 estudantes. Desses, 23 são mulheres”, disse o Cel Sauceda. Os jovens que ingressam obterão a licenciatura em Ciências Aeronáuticas e a patente militar de segundo-tenente com a especialidade escolhida ao final de quatro anos. “Os que escolherem ser cadete de voo serão pilotos da FAH”, afirmou. Esses jovens poderão exercer sua profissão em uma das quatro bases da FAH. Na base “Hernán Acosta Mejía”, em Tegucigalpa, o esquadrão de transporte, helicópteros e VIP e o esquadrão presidencial estão lotados. Na Base “Enrique Soto Cano”, em Comayagua, localizam-se a Escola Militar de Aviação e o Esquadrão de Oficiais. Na cidade de Lima está a Base “Armando Escalón Espinal”, fundada em 1969 como Comando Norte. A Base “Héctor Caraccioli Moncada”, localizada em La Ceiba Atlántida, é sede dos aviões supersônicos F5E e F5F. Trabalhos de resgate e apoio A aquisição de helicópteros é também uma das conquistas importantes a se destacar, já que com eles se apoiam a cidadania e as instituições que enviam ajuda, principalmente para as regiões afetadas por desastres naturais. A entrega de mantimentos em regiões isoladas por inundações, o resgate de pessoas extraviadas, além de patrulhamentos, da localização de áreas afetadas por desmatamento ilegal, extração de objetos que são patrimônio cultural e localização de áreas clandestinas de pouso são tarefas cotidianas para a FAH. Outro dos trabalhos ressaltados pelo Cel Sauceda é o combate a incêndios florestais. O mais recente ocorreu em Tegucigalpa em março de 2017. O incêndio devastou mais de 200 hectares de floresta de pinheiros. A FAH deslocou vários helicópteros para combatê-lo. Durante três dias, mantiveram o apoio aos bombeiros até apagá-lo. O resgate aéreo é outro trabalho realizado pela FAH. Enquanto se realizava esta entrevista, o Cel Sauceda recebeu uma solicitação urgente para iniciar a busca de dois cidadãos hondurenhos e um italiano considerados desaparecidos no mar do Caribe. A FAH iniciou a busca imediatamente, localizou os náufragos poucas horas depois do início do rastreamento e realizou as tarefas de resgate. Asas para a Saúde Em 1962, a FAH iniciou o “Asas para a Saúde”, um programa que foi criado para o transporte de pacientes civis e militares com emergências médicas. O transporte para os centros hospitalares é feito pelos diretores desses centros e não é feito apenas nas regiões onde não há acesso, mas em todo o país. “Para realizar essa missão, a FAH conta com dois aviões Cessna 208 Grand Caravan, doados pelo governo dos Estados Unidos, com um valor de US$ 4 milhões. Os médicos e enfermeiros pertencem à FAH. Eles são especializados em transportar pacientes por via aérea, onde as condições são diferentes das terrestres”, expressou o Cel Sauceda. “Década após década, a FAH vai se renovando como instituição. As alianças com as forças aéreas da América são produtivas; além disso, oferece aos jovens um lugar onde se profissionalizar, demonstrar o amor à pátria e servir à cidadania”, concluiu o comandante da FAH.
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