Hezbollah, perigo constante na América Latina

A perseverança para desmantelar o Hezbollah e o vácuo e a instabilidade em seu aparato de comando poderiam levar os operadores desse grupo terrorista a efetuar ajustes táticos, para ampliar suas ações criminosas na América Latina, adverte um relatório publicado em outubro de 2024 por OFCS Report, uma mídia italiana concentrada na geopolítica.

“Com a aniquilação das redes de liderança do Hezbollah, em breve poderíamos testemunhar uma atomização do grupo, especialmente em regiões como a América Latina”, disse à Diálogo Henry Ziemer, investigador associado do Programa das Américas, da ONG Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington. “É possível que nos próximos anos testemunhemos como elementos do Hezbollah na América Latina buscam uma maior autonomia, semelhante à ‘franquia’ de Al Qaeda e ISIS/ISIL, depois que os centros de poder desses grupos foram eliminados.”

Com o apoio de nações cúmplices, o Hezbollah tem uma rede na América Latina para financiar suas atividades criminosas transnacionais, por meio de várias atividades ilícitas, entre elas o narcotráfico. Enquanto isso, seu principal patrocinador, a República Islâmica do Irã, facilita sua presença na região, ao estabelecer relações vantajosas com países que têm regimes autoritários, publicou Real Clear Defense, um meio de comunicação dos EUA especializado em questões de defesa e segurança.

Foto de arquivo. O cidadão libanês Moussa Hamdan (centro) é escoltado ao chegar ao palácio de Justiça de Assunção, Paraguai, para prestar declaração no julgamento que enfrenta por supostamente financiar o grupo militante xiita Hezbollah, em 16 de junho de 2010. (Foto: Norberto Duarte/AFP)

“Esse resultado poderia levar que um ramo do Hezbollah esteja ainda mais integrado na região, trabalhando em estreita colaboração com grupos criminosos transnacionais, bem como com organizações criminosas como na Venezuela”, acrescentou Ziemer. “Corre-se o risco de exacerbar os desafios que os governos latino-americanos já enfrentam, ao tentar conter o narcotráfico e a violência dentro e ao redor de suas fronteiras.”

De Washington, Dina Siegel Vann, diretora do Instituto Arthur e Rochelle Belfer para Assuntos Latinos e Latino-Americanos, do Comitê Judaico Norte-Americano, enfatizou à imprensa que o Hezbollah busca constantemente oportunidades para ativar células “adormecidas” e explorar o terreno para futuras operações.

“A presença do Hezbollah na América Latina é difícil de ser separada das redes transnacionais de tráfico de armas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro”, ressaltou Ziemer. “A descoberta de uma célula do Hezbollah que conspirou em 2023 para realizar ataques contra a comunidade judaica no Brasil demonstra que o grupo continua disposto e capaz de planejar agressões em toda a região; mas, grande parte das operações diárias do grupo parece estar mais focada em fluxos financeiros ilícitos, para encher seus cofres.”

Nos últimos meses, Israel fez várias tentativas de minar as capacidades do Hezbollah. Assim, o grupo terrorista estaria recrutando novos combatentes, tentando encontrar maneiras de se rearmar por meio da produção nacional e do contrabando de materiais através da Síria, informou, em 5 de dezembro, StratNews Global, uma agência de notícias de assuntos estratégicos globais, com sede na Índia.

Yossi Mansharof, membro sênior do think tank israelense Instituto Misgav para a Segurança Nacional, disse à imprensa que o Hezbollah terá de lançar um grande esforço de arrecadação de fundos para tentar se reconstruir, pois “eles precisam de bilhões de dólares, que o Irã não pode lhes dar, porque está em uma crise econômica”.

Em outubro de 2024, a Argentina apontou Hussein Ahmad Karaki como “o chefe do Hezbollah na América Latina”, diretamente ligado ao atentado de 1992 contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, informou o jornal uruguaio El País. Karaki ainda está ativo e é supostamente responsável por pelo menos três tentativas de ataques em Bolívia, Brasil e Peru, nos últimos anos.

O desafio crucial é fazer com que os países desmantelem os nós da cadeia de suprimentos, o que pode requerer cooperação de segurança, intercâmbio de inteligência e criação de capacitação entre os parceiros, publicou a revista norte-americana Foreign Policy.

“É importante saber quem está no comando das operações do Hezbollah na região, assim como é igualmente importante saber como se movimenta, quem o apoia e com quem está em contato”, ressaltou a Infobae Emanuele Ottolenghi, membro da Fundação para a Defesa das Democracias, de Washington. “Nesse momento, com o conflito em curso no Oriente Médio, é possível que o Hezbollah esteja tentando montar planos para ataques em lugares como a América Latina. É por isso que a divulgação dessas notícias é importante. Ela pode ajudar a diminuir o risco desses ataques.”

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