Pilotos de helicópteros de exportação

Helicopter Pilots for Export

Por Geraldine Cook/Diálogo
agosto 15, 2017

Vestida com seu uniforme de piloto verde oliva, a agente de polícia do Serviço de Vigilância Aérea da Costa Rica Yuriana Arnesto Segura tem um grande desafio: ser a primeira mulher piloto de helicópteros de seu país. A agente Arnesto está na segunda semana do curso básico de piloto de helicópteros da Escola de Helicópteros para as Forças Armadas (EHFAA) “Coronel Carlos Alberto Gutiérrez Zuluaga”, localizada no Comando Aéreo de Combate N.º 4 (CACOM 4), da Força Aérea da Colômbia (FAC), em Melgar, região de Tolima, na Colômbia. “É um orgulho incrível e uma pressão muito grande”, disse a agente Arnesto. “Sou a primeira pessoa que vai abrir este caminho para as outras mulheres do meu país. É um compromisso; preciso me esforçar muito para conseguir isto.” Para cumprir sua meta, a agente Arnesto inicia sua rotina acadêmica bem cedo. O curso básico dura oito meses e entre suas atividades curriculares conta com uma parte teórica, práticas em simuladores de voo e manobras aéreas diurnas e noturnas. Com ela, estudantes e instrutores iniciam também sua rotina acadêmica. “O tratamento é muito especial para os estrangeiros. O curso tem muita demanda acadêmica”, disse o 1º Tenente da Força Aérea do México Amilcar Valentino García Cardenas, aviador militar que está no curso básico. “Espero obter os melhores resultados para ser um bom piloto de helicóptero.” O curso permite que os militares e a polícia, com ou sem experiência aérea, se formem como pilotos de helicópteros. Os estudantes precisam de uma excelente condição psicológica e física, além de um alto rendimento acadêmico. A escola “A escola tem como objetivo principal formar todas as tripulações de helicópteros das Forças Armadas da Colômbia e regionalmente no continente, do México ao Chile, de acordo com as exigências que cada país faz por meio dos Estados Unidos com o Comando Sul”, disse o Tenente-Coronel da FAC John Jairo Pardo Torres, diretor da EHFAA. O Ten Cel Pardo Torres acrescentou que os Estados Unidos escolheram financiar a escola na Colômbia por sua localização estratégica na região e pela experiência de sua força aérea. A escola foi criada em 2002 e assumiu a instrução em asa rotativa para as forças militares do país do CACOM 4. “A escola é uma referência internacional de pilotos de helicópteros com excelente prestígio”, acrescentou o Ten Cel Pardo Torres. Suas aulas formaram o pessoal das forças militares e da polícia da Colômbia, Costa Rica, Guatemala, de Honduras, do Panamá, Peru, México e da República Dominicana, entre outros países. “É a instituição em idioma espanhol e regional que oferece treinamento de helicópteros a militares latino-americanos.” O curso básico é certificado como Diplomado em Asa Rotativa pelo Ministério da Educação da Colômbia. A ideia é transformá-lo em mestrado. A EHFAA também oferece os cursos de simulador de voo e de técnico de voo, por meio de aulas interativas e treinamentos na frota de helicópteros TH-67, Bell 206 Ranger, H-500 Hughes e Bell 212. Durante os oito meses de programa, os estudantes adquirem o conhecimento e a destreza para poder operar uma aeronave, cumprir as missões designadas, responder a situações de emergência de voo e manobrar em vários terrenos. A EHFAA tem 32 instrutores; a maioria é da FAC, mas também participam instrutores do Exército e da Marinha da Colômbia, além de instrutores internacionais. “Não se trata apenas de pilotar a aeronave, mas também de entendê-la... Que os estudantes entendam o que ela pode realmente fazer e como arrumá-la em caso de falhas”, afirmou o Capitão da FAC Miguel Díaz, piloto instrutor do TH-67. Em seu trabalho, ele busca potencializar as capacidades de seus estudantes para que possam pilotar o TH-67 por meio de instruções de controle de cabine, terminologia aeronáutica, conhecimentos meteorológicos, manobras para o controle do helicóptero e uso de lentes de visão noturna, entre outros aprendizados. Instrução multifacetada “A experiência do meu primeiro voo foi muito emocionante, até fiquei com vontade de chorar”, disse o 1° Tenente de Comunicações do Exército do Peru Jorge Escudero Escudero, piloto que cursa o sétimo mês de estudos na EHFAA. “Foi muito emocionante quando pude me identificar, pela primeira vez, com meu sinal ‘Escudo’ com a torre de controle”. A experiência de voar não é o único desafio que os estudantes da EHFAA enfrentam. A interação com várias culturas faz parte de sua experiência de formação. “Não sabia muitas coisas sobre a Força Aérea ou sobre o Exército da Colômbia; não conhecia outras culturas”, acrescentou o 1º Ten Escudero. “É a primeira vez que estou fora do Peru e me sinto muito grato.” A escola não atrai apenas estudantes com vontade de voar. Os instrutores da EHFAA têm motivação para ensinar com altos padrões de qualidade. “Fiz meu curso básico como piloto nesta escola em 2005 e agora sou instrutor”, disse o Capitão-de-Corveta da Aviação Nacional da Marinha Nacional da Colômbia Oscar Armando Molina Osorio, instrutor da EHFAA. “Continuo o legado dos meus professores e hoje tenho muito orgulho.” O CC Molina lembrou sua época de estudante, quando a EHFAA começava com suas operações e tinha a meta de se tornar uma escola internacional de alta qualidade. “Na minha época era uma visão. Hoje tenho muito orgulho e admiração porque a FAC liderou este programa.” Ser instrutor é um grande desafio profissional para o CC Molina, pois ele sabe da responsabilidade que significa ensinar alunos que vêm de “seu próprio país e de países irmãos”. “Isto teve um valor muito grande para a minha formação profissional”, disse o Capitão de Grupo da Força Aérea do Chile Jaime Rodrigo Ulloa, piloto e instrutor convidado pela EHFAA. O Cap Ulloa é instrutor há seis meses e comentou que a experiência internacional na escola é valiosa para seu país, tanto pela qualidade educacional quanto pelo intercâmbio de experiências entre forças armadas. “Para o Chile, esta escola tem muito valor porque a Colômbia tem experiência em combate.” Cooperação internacional O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, por meio da Equipe de Assistência Técnica (TAFT, por sua sigla em inglês) de Aviação, colabora com a capacitação de pilotos de helicópteros da América Latina por meio da ampliação da EHFAA. “A TAFT supervisiona e administra a participação do governo dos Estados Unidos na capacitação dos pilotos de asa rotativa das Forças Armadas da Colômbia e na transformação da escola EHFAA em um Centro Regional de Treinamento de Helicópteros (RHTC, por sua sigla em inglês)”, disse o Major do Exército dos Estados Unidos Adrian Villa, chefe da TAFT. Este apoio, acrescentou, se concentra na ajuda financeira e em garantir a manutenção, a padronização da capacitação de pilotos, o controle de qualidade e a supervisão de segurança do programa. “Estamos treinando a FAC para o TH-67”, disse o Maj Villa. O programa doou 60 helicópteros TH-67. “A capacidade que um helicóptero fornece a uma força militar não tem preço.” Enquanto o sol sai por trás das montanhas que rodeiam a base de Melgar, a agente Arnesto se prepara para realizar seu sonho. “Quero cumprir as funções de vigilância aérea como piloto de meu país”, disse motivada por ser a primeira mulher da Costa Rica na EHFAA. O Ten Cel Pardo Torres reconhece a importância dos padrões de qualidade e a fraternidade entre seus alunos. “O intercâmbio aumentou os laços de amizade e camaradagem das nações parceiras”, concluiu.
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