Porta-Helicópteros Atlântico chega ao Brasil em clima de festa

Helicopter Carrier Atlântico Receives Festive Welcome in Brazil

Por Nelza Oliveira/Diálogo
setembro 19, 2018

Com um desfile naval e uma salva de 21 tiros na Baía de Guanabara, chegou ao Rio de Janeiro o Porta-Helicópteros Multipropósito (PHM) Atlântico, o maior navio de guerra operado por um país da América Latina. A Marinha do Brasil (MB) comprou o navio do governo britânico.

O processo de transferência do PHM Atlântico na Inglaterra para a tripulação brasileira envolveu a absorção de experiências e informações técnicas a respeito do navio. Também incluiu cursos ministrados pela Marinha Real Britânica e pelos fabricantes dos equipamentos de bordo, além de exercícios operacionais conduzidos pelo oficial da bandeira de treinamento marítimo, conhecido como FOST, no Centro de Treinamento da Marinha do Reino Unido.

“A gente teve a oportunidade de fazer o que eles chamam de hot handover, que seria a tripulação britânica passando para a brasileira todos os conhecimentos e experiências que eles adquiriram nesses últimos 20 anos na operação do navio. Foi um período em que nós conduzimos o navio e revisamos diversos equipamentos, para que chegasse plenamente operacional junto à Marinha no Brasil”, explicou no desembarque o Capitão-de-Mar-e-Guerra da MB Giovani Corrêa, comandante do Atlântico.

Compra de oportunidade

De fabricação britânicano, o ex-HMS Ocean, como era chamado antes de ser rebatizado pela MB, tem 203,43 metros de comprimento, capacidade para operar simultaneamente sete aeronaves em seu convés de voo e transportar até 12 aeronaves em seu hangar. O navio, que pode levar até 800 militares e desembarcá-los por helicópteros ou usando suas quatro lanchas, pesa 21.578 toneladas quando carregado. O Atlântico custou ao Brasil US$ 109 milhões, mas o governo britânico já havia pagado US$ 92 milhões só pela modernização pela qual o navio passou entre 2013 e 2014.

“Foi uma compra de oportunidade. A Marinha do Reino Unido estava se desfazendo [do navio] porque construíram dois porta-aviões e precisavam do pessoal que operava esse navio para compor a tripulação dos novos. Era o navio capitania da esquadra britânica, está em ótimo estado de conservação e se mostrou como excelente aquisição da Marinha”, afirmou o CMG Giovani.

Familiares e amigos esperavam ansiosos pelos 303 militares que estavam, em alguns casos, há até seis meses na Inglaterra, aprendendo a operar o navio. Brasil os acolheu no dia 25 de agosto com orgulho.

“O mais difícil foi o tempo longe da família. Apesar de ser um navio grande, ter um certo conforto, você fica muitos dias sem ter contato com a família por dificuldade e limitações de sinal, de comunicação e segurança”, afirmou a Capitão-de-Corveta da MB Márcia Freitas, chefe do departamento de saúde e única mulher a bordo do Atlântico.

Treinamentos e missões

O navio poderá ser usado no controle de áreas marítimas, apoio à Força Naval em operações de guerra e em missões estratégicas logísticas, transportando militares, munições, suprimentos, água potável e equipamentos. Com suporte hospitalar, também é apropriado para missões humanitárias, auxílio a vítimas de desastres naturais, evacuação de pessoal e em operações de manutenção da paz.

“Ele representa um poder de dissuasão no Atlântico Sul para que se mantenha como uma área de segurança, uma zona de cooperação, de paz, o que é muito importante para a economia do Brasil. Pode ajudar também nas operações de paz, como já fazemos no Líbano com as nossas fragatas”, disse o CMG Giovani.

Na Inglaterra, o navio participou de diversas operações de ajuda humanitária: em Honduras e Nicarágua, atingidas pelo furacão Mitch, em 1998; e nas ilhas do Caribe atingidas pelo furacão Irma, em 2017. Em 2012, o navio prestou apoio aos Jogos Olímpicos de Verão, em Londres.

O PHM Atlântico passa a ser o principal navio da esquadra brasileira, posto ocupado antes pelo porta-aviões NAe São Paulo. “[Com o PHM Atlântico] nós mantemos o adestramento e a qualificação dos nossos pilotos em vários tipos de missões, com a possibilidade de termos uma plataforma que opera todas as aeronaves da Marinha, noite e dia”, contou o CMG Giovani.

No Brasil, o navio receberá mais 129 tripulantes, além dos 303 que voltaram da Inglaterra. Para o oficial, o Atlântico ainda pode ajudar até a incentivar a indústria naval do país.

“O nível de complexidade de um porta-helicópteros é muito grande. Esse navio estimula a indústria naval porque a própria manutenção dos seus equipamentos vai requerer obviamente não só a capacidade industrial e de engenharia do nosso Arsenal de Marinha, mas também vai ser uma oportunidade para as indústrias que fazem parte da base industrial de defesa desenvolverem suas capacidades e manterem suas mãos de obras qualificadas”, finalizou o CMG Giovani.
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