Guiana: Na vanguarda das interdições de drogas no Caribe

Guyana: At the Forefront of Drug Interdictions in the Caribbean

Por Dialogo
fevereiro 17, 2016




Especialistas antinarcóticos concordam que a Guiana é um importante ponto de transbordo de drogas destinadas aos Estados Unidos. A Agência Antidrogas dos EUA (DEA) abriu recentemente um escritório na capital do país sul-americano, Georgetown, garantindo uma presença esperada há mais de uma década. O novo escritório tem o objetivo de prestar assistência à luta da Guiana contra o narcotráfico e a lavagem de dinheiro.

Para falar sobre a questão do combate ao narcotráfico, terrorismo e outras ameaças que atualmente afetam a Guiana, Diálogo
conversou com o General de Brigada Mark Phillips, Chefe do Estado-Mario da Força de Defesa da Guiana, durante a XIV Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC) em Kingston, na Jamaica, na última semana de janeiro.


Diálogo:
Durante a CANSEC 2016, o senhor participou de um painel sobre terrorismo no Caribe. Esta é uma preocupação significativa para seu país?

General de Brigada Mark Phillips:
Sim e não. Pode não ser nossa principal preocupação. Uma importante preocupação para a Guiana é a nossa disputa territorial com os países vizinhos Suriname e Venezuela. Essa é a principal preocupação, e gostaríamos de encontrar uma solução judicial para as disputas territoriais com esses dois países. Do nosso ponto de vista, teremos de colocar muita ênfase no monitoramento de nossos jovens, através de nossas agências de inteligência, para ver se eles também serão radicalizados na Guiana. E a Guiana tem uma considerável população muçulmana.

Diálogo:
Que porcentagem da população é muçulmana?

Gen Brig Mark Phillips:
Cerca de 15% da população da Guinana é muçulmana praticante. Por isso, embora a fronteira possa ser a principal questão que nos manterá despertos até tarde da noite, também nos preocupamos com outras ameaças emergentes, como o terrorismo e a radicalização de jovens que podem terminar querendo se juntar ao Estado Islâmico (ISIS).

Diálogo:
Como a Guiana se beneficia por ser membro da Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe (CBSI)?

Gen Brig Mark Phillips:
Os militares, por exemplo, incluindo a Força de Defesa da Guiana e a Guarda Costeira da Guiana, beneficiaram-se de equipamentos obtidos através da CBSI. Temos alguns barcos de patrulhamento de rios e costas que foram adquiridos através da CBSI, juntamente com sistemas de comunicação para assegurar as comunicações entre os navios e o pessoal em terra. A Força Policial da Guiana também recebeu apoio da CBSI, especialmente na área de fortalecimento de capacidades. Então o apoio da CBSI beneficiou não apenas a Força de Defesa da Guiana, mas também a Força Policial do país.

Diálogo:
Que função a Guiana desempenha na CBSI?

Gen Brig Mark Phillips:
O fato é que somos um país caribenho. Estamos ligados ao Caribe. Sofremos as mesmas ameaças, como o tráfico ilegal, e as questões transnacionais e de transbordo. Nos beneficiamos da CBSI porque temos os mesmos desafios que muitos países do Caribe. E, embora estejamos na América do Sul, somos um país pequeno com uma população pequena enfrentando todos os desafios tradicionais e não tradicionais de defesa e segurança, assim como ameaças emergentes à segurança do país. O que é importante para nós no âmbito nacional é a coordenação interagências; que a Força de Defesa da Guiana trabalhe com outros órgãos regulatórios e de aplicação da lei e, certamente, também nos âmbitos regional e internacional com a cooperação regional e internacional. Estamos prontos para isso.

Diálogo:
A Guiana também se preocupa com drogas que atravessam o país e armas deixadas para jovens, especialmente homens jovens, que poderiam usá-las para formar gangues?

Gen Brig Mark Phillips:
A Guiana é um ponto de transbordo no sentido de que as drogas passam por nosso país. Ou seja, tentamos conter a passagem de drogas pela Guiana. Estamos na vanguarda quando se trata de interdição de traficantes de drogas. No ano passado, interditamos um semissubmersível que na realidade havia sido fabricado numa zona remota da Guiana. Não sabemos quem fabricou, mas a embarcação foi recuperada e entregue aos EUA. Acredito que esteja em Key West [na Flórida] no momento. Talvez seja o maior semissubmersível já encontrado.

Diálogo:
Isso é surpreendente já que os anteriores normalmente vinham da Colômbia.

Gen Brig Mark Phillips:
Exatamente. Também encontramos recentemente uma lancha, que está na Guiana agora, claro, sendo usada pela DEA e outras agências de segurança dos EUA. Estamos aumentando nossa capacidade de execução de operações antidrogas. A Força de Defesa da Guiana participa sobretudo mobilizando barcos ou aviões para o transporte de agentes da lei ou a vigilância em áreas remotas. Trabalhamos em uma estrutura antiagências com a Unidade Aduaneira Antinarcóticos, a Força Policial da Guiana e outros organismos de aplicação da lei.

Diálogo:
É difícil alternar entre as questões de soberania que o senhor mencionou e a luta contra o tráfico ilegal?

Gen Brig Mark Phillips:
Sim, é difícil. Se você ler a Lei de Defesa, que inclui as normas estabelecidas pela Força de Defesa da Guiana, verá que o texto fala claramente sobre o emprego da Força de Defesa da Guiana na defesa e na manutenção da ordem do país. E se der uma olhada no contrato de manutenção da ordem na Guiana, verá que temos de trabalhar com as agências de aplicação da lei para lidar com todas as situações que consideramos hostis à manutenção da ordem no país.

Diálogo:
A Força de Defesa da Guiana tem duas funções, certo?

Gen Brig Mark Phillips:
Sim. Nossa principal função é a defesa, mas há um aspecto de aplicação da lei pelo qual temos de trabalhar com as autoridades civis. Além disso, há uma função de desenvolvimento, segundo a qual devemos trabalhar com o desenvolvimento de infraestrutura na Guiana através de nossas unidades de engenharia e dedicar tempo ao desenvolvimento e capacitação de jovens [e] participação em todo o esforço de desenvolvimento da Guiana. O desenvolvimento também é importante para nós.

Diálogo:
E quanto aos esforços de ajuda a desastres?

Gen Brig Mark Phillips:
A ajuda a desastres se insere no mesmo pilar: defesa, aplicação da lei e operações de ajuda humanitária. Temos uma agência local conhecida como Comissão da Defesa Civil, que exerce função de liderança, à qual a [Força de Defesa da Guiana] sempre prestará apoio em qualquer operação de ajuda a desastres.

Diálogo:
Vocês trabalham em conjunto com o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) na realização de todos esses esforços?

Gen Brig Mark Phillips:
Absolutamente. A Força de Defesa da Guiana e o SOUTHCOM têm uma relação muito similar à existente entre o SOUTHCOM e outros países do Caribe.

Diálogo:
E agora, com a mudança de comando e o Almirante Kurt Tidd como novo comandante
?

Gen Brig Mark Phillips:
Tivemos um relacionamento muito bom com o comandante anterior, o Almirante de Esquadra John Kelly. Ele até visitou a Guiana para ver, em primeira mão, o que estávamos fazendo. Esta é apenas uma transição de liderança, mas estou certo de que os laços com o SOUTHCOM continuarão crescendo sob a nova liderança.
Sucesso
Share