Guatemala reforçará suas fronteiras para cortar rotas do narcotráfico

Guatemala to Shore Up its Borders to Cut Off Drug-Trafficking Routes

Por Lorena Baires/Diálogo
abril 04, 2017

As Forças Armadas da Guatemala criarão um cinturão de segurança ao longo da fronteira compartilhada com Belize, Honduras, El Salvador e México, para bloquear mais de dez rotas terrestres que as estruturas do narcotráfico utilizam para transportar drogas. Para conseguir isso, as autoridades dos ministérios da Defesa e do Interior criaram um plano minucioso que facilitará o deslocamento de 4.200 integrantes para as regiões fronteiriças por onde essas rotas passam: Izabal, Petén, Alta Verapaz, Zacapa, Escuintla, Suchitepéquez, Retalhuleu, Quetzaltenango e San Marcos. Os integrantes pertencem ao Corpo Especial de Reservas para a Segurança Cidadã (CERSC), um batalhão de elite criado, em fevereiro de 2015, para apoiar a Polícia Nacional Civil (PNC) nas “tarefas de restabelecimento ou manutenção da segurança dos cidadãos, assim como apoio em trabalhos humanitários e em casos de calamidade pública ou emergência nacional”, segundo consta no acordo de criação publicado no Diario de Centroamérica da Guatemala. “A PNC nos indica que já está preparada para se responsabilizar pela segurança dos cidadãos e, por isso, vamos transferir os integrantes do CERSC de seis regiões e 30 municípios. Iniciamos, em abril, com a transferência do primeiro grupo, formado por 2.100 soldados”, especificou à Diálogo o Coronel William García, diretor geral de imprensa do Ministério da Defesa da Guatemala. “A Academia da PNC formará, este ano, 4.000 policiais, que estarão prontos para somar-se aos 37.000 que já patrulham as ruas para oferecer segurança à população. Assim, supriremos a saída dos militares [do CERSC]”, explicou à Diálogo o ministro do Interior Francisco Rivas. “Estamos concentrados na segurança com um conceito muito mais integral, no qual a PNC lidere um trabalho de prevenção paralelamente ao combate à criminalidade, que já temos. Para isso, em breve, teremos mais integrantes”, acrescentou. A Guatemala combate uma onda de violência provocada principalmente pelas disputas territoriais que existem entre diversos cartéis de drogas e as atividades ilícitas das quadrilhas que incluem assassinatos encomendados, extorsões e narcotráfico. O registro de homicídios na Guatemala tem uma média de 6.000 casos por ano. Narcotráfico e contrabando O panorama levou à necessidade de destacar o primeiro grupo de militares na fronteira da Guatemala com o México, cujo comprimento é de aproximadamente 962 quilômetros, onde as Forças Armadas identificaram pelo menos 104 pontos cegos. “Nos municípios fronteiriços com o México, há estruturas operacionais de Los Zetas, trazendo problemas de tráfico ilícito de armas e transporte de drogas, cujo destino não é apenas o México, mas também os Estados Unidos”, acrescentou o Cel García. A Guatemala e o México estão divididos naturalmente pelo maior e mais caudaloso rio da América Central, o Usumacinta, cujo comprimento é de 1.113 quilômetros. De acordo com as Forças Armadas, nele navegam outros problemas, como o contrabando de cigarros, licores e pessoas para prostituição. Entre a Guatemala e Belize, há uma fronteira terrestre de 212 quilômetros e outra natural de 111 quilômetros, formada pelo rio Sarstún. As estruturas criminosas aproveitam a situação para praticar suas atividades ilegais. Narcotráfico e quadrilhas O problema nas fronteiras da Guatemala com Honduras e El Salvador está na utilização pelos narcotraficantes das áreas costeiras no Pacífico salvadorenho e no Atlântico hondurenho, para descarregar drogas vindas da América do Sul e, eventualmente, continuar até o norte. Além disso, as quadrilhas controlam o território nos dois países para extorquir e traficar armas e drogas. Na fronteira com Honduras, as Forças Armadas da Guatemala identificaram o contrabando de vários artigos através dos rios e muitos criminosos fazem parte da migração ilegal para o México e os Estados Unidos. Para evitar isso, as autoridades de segurança da Guatemala e de Honduras reforçaram a vigilância de suas fronteiras desde abril do ano passado, depois que as Forças Armadas de El Salvador anunciaram a criação das Forças Especializadas de Reação El Salvador, um grupo militar de elite de apoio à PNC, cujo objetivo principal é a captura dos 100 chefes de quadrilhas mais perigosos do país. Além disso, a Assembleia Legislativa da Guatemala aprovou um pacote de reformas que endureceu a legislação penal e declarou as quadrilhas como “organizações terroristas”, da mesma forma que fez a Sala Constitucional da Corte Suprema de Justiça de El Salvador nesse mesmo ano. “Na fronteira com El Salvador, o problema mais sério são as gangues, porque sempre existe o risco de passarem à Guatemala. De fato, capturamos vários chefes de quadrilhas salvadorenhas”, lembrou o Cel García. El Salvador capacita suas forças militares fronteiriças graças ao Plano de Ação Conjunta em Segurança Regional Colômbia - Estados Unidos (USCAP, por sua sigla em inglês), um programa de cooperação em segurança regional apoiado pelo Comando Sul dos EUA, onde a Colômbia compartilha conhecimentos por meio de treinamentos especializados que buscam fortalecer as capacidades das nações parceiras. “O Comando Sumpul, um grupo de elite contra o contrabando e narcotráfico nas fronteiras, coloca em prática os conhecimentos adquiridos na USCAP. Assim, conseguimos aumentar a vigilância nos pontos cegos e nas capturas”, informou à Diálogo o Coronel Jorge Miranda, chefe do Conjunto 3 de Operações do Estado-Maior Conjunto da Força Armada de El Salvador. O Comando Sumpul vigia mais de 130 passagens fronteiriças da Guatemala.
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