As forças de segurança da Guatemala continuam a golpear grupos criminosos transnacionais que persistem no cultivo de papoula e maconha em alguns dos municípios limítrofes com o México.
O Ministério do Interior erradicou mais de 9 milhões de plantas de papoula e mais de 2,5 milhões de pés de maconha, entre 1º de janeiro e 2 de julho de 2022, informou a Agência Guatemalteca de Notícias (AGN).
A situação está mudando com o tempo e com a presença de cartéis mexicanos que compartilham as rotas de distribuição. Além disso, devido ao seu isolamento, o desenvolvimento econômico de algumas comunidades é precário e as famílias tendem a se dedicar à monocultura. Esta combinação de fatores torna os habitantes vulneráveis.
“As áreas de Tajumulco e Ixchiguán são praticamente zonas tão distantes do centro de investimentos que se poderia dizer que estão abandonadas”, disse à Diálogo Nelson Cancinos, advogado e especialista em questões de narcotráfico da Universidade de San Carlos da Guatemala. “Sem fontes de trabalho ou a injeção de capital privado que esteja interessado em investir, também é complicado dizer aos habitantes para não se envolverem em culturas ilegais.”
Precisamente, em vários municípios dessa região, a Subdireção Geral de Análise de Informações Antinarcóticos (SGAIA), da Polícia Nacional Civil, erradicou 34.351 plantas de maconha, no departamento de Totonicapán, e 78.025 plantas de maconha no município de Melchor de Mencos, departamento de Petén, informou a SGAIA, em 14 de julho.
O exército da Guatemala também confirmou a erradicação de 50.488 plantas de papoula em 13 de julho, durante o estado de sítio mantido desde 9 de junho em Ixchiguán e Tajumulco, departamento de San Marcos, para conter a violência desencadeada por grupos armados do crime organizado. A SGAIA acrescentou naquele mesmo dia que, somente na aldeia de San Andrés, em Ixchiguán, cinco campos de cultivos de papoulas foram localizados.
O ex-ministro do Interior da Guatemala e especialista em narcotráfico e crime organizado, Francisco Rivas, disse à Prensa Libre que a papoula cultivada na Guatemala “é levada para o México, onde é processada e depois enviada para os Estados Unidos. Esses grupos mexicanos de narcotráfico estão financiando todo esse cultivo e os grupos criminosos locais com armas para a logística da transferência”.
Cancinos concorda com o ex-ministro e acrescenta que existem áreas e corredores de grupos criminosos do narcotráfico local que não só recebem dinheiro, mas também os pagam com drogas, de modo que o consumo doméstico local está disparando.
A Assembleia Nacional prorrogou o estado de sítio na região por mais 30 dias, informou El Periódico, em 11 de julho. Quanto a isso, Cancinos acredita que as medidas implementadas em Ixchiguán e Tajumulco devem ser complementadas por serviços estáveis de outras instituições do Estado, para fornecer assistência integral aos habitantes dessas áreas distantes das cidades comerciais.
“É necessário que a presença policial e militar seja acompanhada pelas demais instituições, como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação, com projetos de curto e médio prazo para as comunidades. Além disso, devem atendê-las com créditos para suas culturas, desenvolvimento de gado, neste caso cabritos ou cabras, e analisar se é possível mudar de monocultura a outros tipos de culturas ou programas para facilitar as plantações”, disse Cancinos.
Em 27 de junho, as autoridades municipais e líderes comunitários de Ixchiguán e Tajumulco assinaram 16 acordos que lhes permitirão realizar um número igual de projetos, entre os quais destacam a construção e melhoria de ruas, a expansão de escolas primárias e a construção de dois institutos de educação básica, de acordo com a AGN.


