Puerto Quetzal, um dos principais centros econômicos da Guatemala, está prestes a se transformar, devido a um ambicioso projeto de expansão liderado pelo governo guatemalteco, em colaboração com os Estados Unidos, como prova do seu compromisso com o desenvolvimento econômico e a segurança regional da nação centro-americana.
O projeto de expansão, liderado pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (USACE), busca ampliar o terminal do porto em 800 metros, construir quatro embarcadouros adicionais, elevando o total a oito, e modernizar a infraestrutura operacional, para acomodar embarcações comerciais maiores. As melhorias fortalecerão a capacidade comercial da Guatemala e posicionarão o porto como um centro de logística regional. Sua localização, próxima ao Canal do Panamá, também lhe confere um valor estratégico significativo para o transporte marítimo global.
“O apoio dos EUA é para o projeto e a construção de 800 metros de cais divididos em dois setores iguais, que serão uma extensão das instalações existentes”, disse à Diálogo o Vice-Almirante José Antonio Lemus, da Marinha da Guatemala, presidente da Empresa Portuária Quetzal, a instituição que administra o Puerto Quetzal. “A expansão permitirá que o porto manuseie maiores volumes de carga e atenda a navios maiores, respondendo assim à crescente demanda do comércio internacional em Puerto Quetzal.”

Experiência global
O USACE tem uma trajetória destacada no planejamento, construção e manutenção de projetos de infraestrutura aquática e terrestre. Sua participação no projeto do Puerto Quetzal garante uma abordagem técnica robusta, que inclui avaliações ambientais, sociais e de viabilidade, afirma a Agencia Guatemalteca de Noticias.
O USACE trabalhou em inúmeros projetos em toda a América Central, incluindo a construção de sistemas de drenagem em comunidades de Honduras e El Salvador, para mitigar inundações. Em Honduras, por exemplo, o USACE implementou o gerenciamento de bacias hidrográficas em 2020, após o impacto das tempestades tropicais Eta e Iota. Em 2019, a equipe do USACE contribuiu na Guatemala para melhorar a infraestrutura hídrica e construir escolas em áreas rurais, como Huehuetenango.
Além da região da América Central, “sua experiência inclui um acordo técnico na Argentina, focado no intercâmbio de conhecimentos e experiências em matéria de hidrovias e portos”, publicou a revista argentina Escenario Mundial. “Esse acordo estabelece as bases para uma colaboração mais estreita entre a Administração Geral de Portos da Argentina e o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA.”
Bacia hidrográfica econômica
A modernização do Puerto Quetzal marcará um antes e depois na capacidade comercial da Guatemala. Menos de duas semanas depois que o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitou a Guatemala, uma delegação do USACE esteve na Guatemala de 17 a 21 de fevereiro para realizar avaliações iniciais da capacidade de Puerto Quetzal e discutir uma futura cooperação para fortalecer a infraestrutura do país centro-americano.
Em maio, quando o acordo formal for assinado, as solicitações de três ações também serão apresentadas aos engenheiros do USACE. “A primeira é a extensão da doca artificial em 800 metros; a segunda é um estudo para uma extensão adicional de 400 metros, para um total de 1.200 metros na doca artificial; e a terceira é no mar, porque há profundidades que permitem ter mais de 25 metros de calado a uma curta distância da praia”, informou o V Alte Lemus.
Esse desenvolvimento não apenas impulsionará as exportações guatemaltecas, mas também reduzirá os custos operacionais e promoverá empregos durante a construção e a operação, melhorando as condições da economia local, afirmou o jornal LaHora.
“Um grande número de trabalhadores, tanto da empresa portuária, quanto das empresas privadas, são habitantes das comunidades próximas”, acrescentou o V Alte Lemus. “Por outro lado, o impacto ambiental que a expansão de Puerto Quetzal gerará é mínimo, porque está localizado em um terreno desabitado, não vinculado às populações da região.”
Benefício regional
A expansão de Puerto Quetzal permitirá que o porto manuseie navios comerciais maiores, aumentando significativamente sua capacidade operacional. “Isso ajudará a reduzir o tempo de espera para os navios que queiram entrar no porto, porque temos navios que passam mais de 20 dias esperando que haja uma posição para poder descarregar”, explicou o V Alte Lemus. “Esses 20 dias aumentam os custos dos usuários. Estimamos que a espera na fila pode custar até US$ 20.000 por dia, em alguns casos.”
Os benefícios da modernização do porto também serão sentidos pelo público. “De seus lucros anuais, o Puerto Quetzal doa 20 por cento ao governo federal e 15 por cento é distribuído para a municipalidade da região”, acrescentou o V Alte Lemus. “Além disso, a expansão do Puerto Quetzal beneficiará a Guatemala e a região de forma estratégica, econômica, política e social.”
“Mesmo no campo militar ou naval, essas instalações estarão disponíveis para nossas nações parceiras. A possibilidade de atracar e reabastecer navios não apenas contribuirá comercialmente, mas também nos permitirá oferecer essa capacidade como parte de nossa contribuição à segurança da região”, concluiu o V Alte Lemus.



