Os recentes esforços da Guatemala colocaram o país na vanguarda da luta contra o narcotráfico internacional na América Central e levaram as forças de segurança da nação a desferir um golpe histórico contra as organizações criminosas em 2024.
O sucesso da Guatemala, conforme noticiou o jornal oficial do país, Diario de Centro América, no início de janeiro, reflete o compromisso de suas forças e da eficácia de suas estratégias contra o crime organizado. “Os golpes contra o crime organizado aumentaram significativamente em 2024, em comparação com 2023”, informou.
“O narcotráfico internacional utiliza as águas territoriais da Guatemala para suas atividades ilegais, devido à sua proximidade com a costa mexicana”, disse à Diálogo a Major Ann Marie Argueta, do Exército de Terra da Guatemala, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional. “Isso ajuda [os criminosos] a diminuir sua cadeia de valor para contrabandear mercadorias ilícitas da América do Sul até o país de destino.”
Resultados sem precedentes
Em 2024, as autoridades guatemaltecas realizaram um recorde de apreensões de drogas, totalizando 18,2 toneladas de cocaína, informou o Diário de Centro América.
“Também destruímos sete pistas de pouso ilegais e dois laboratórios clandestinos”, acrescentou a Maj Argueta. “As maiores apreensões foram efetuadas nas costas do Pacífico e do Atlântico, durante as operações Calamar I e II, pela Polícia Nacional Civil [PNC] e pela Marinha da Defesa Nacional.”
Em março de 2024, a PNC informou que, durante a Operação Calamar I, juntamente com o Exército, apreenderam três embarcações com 3.927 quilos de cocaína em uma semana.
Por sua vez, em 19 de novembro, durante a Calamar II, a Guarda Costeira da Guatemala apreendeu uma quantidade recorde de cocaína no país, depois que, após uma perseguição, traficantes de drogas abandonaram sua embarcação na costa do Caribe. “A embarcação estava transportando 157 sacos com um total de 3.905 pacotes”, informou o jornal guatemalteco Prensa Libre. “A contagem do que foi apreendido resultou em 4,4 toneladas de cocaína”, informou o Ministério do Interior.
“O Exército da Guatemala realiza operações de interdição terrestre, marítima, de vigilância e aérea, estabelecendo controle e soberania no território nacional e obtendo excelentes resultados”, disse a Maj Argueta. “Essas operações obtêm um resultado eficaz, cortando as cadeias de suprimentos das organizações criminosas transnacionais dentro do território nacional.”
Os países da América Central já não estão somente vigiando o narcotráfico internacional como zonas de trânsito, mas também estão fazendo experiências com plantações. “O cultivo de coca em pequena escala se expandiu dos tradicionais países andinos de produção para Venezuela, Guatemala e Honduras, pois a tecnologia permitiu que a cultura prosperasse fora do seu berço andino”, indicou InSight Crime, uma organização que estuda o crime organizado na América Latina, em um relatório de julho de 2024.
Vizinhos e parceiros

“Nessa luta contra o narcotráfico, vale a pena destacar o apoio de países parceiros que também estão comprometidos com o Estado de Direito, a paz e a democracia, e que alocam recursos para fortalecer as capacidades de segurança, doações e operações conjuntas”, informou o site de notícias guatemalteco Canal Antigua. “As operações de Calamar são possíveis graças ao intercâmbio de inteligência entre Estados Unidos, Colômbia, Guatemala e México.”
Para a Maj Argueta, a cooperação internacional é fundamental para fortalecer a capacidade dos países na luta contra o narcotráfico. “A Guatemala contribui para a eficácia das operações, correspondendo ao compromisso das nações parceiras de combater o narcotráfico na região.”
Em fevereiro de 2024, por exemplo, soldados, policiais e agentes alfandegários da Guatemala e do México iniciaram a Operação Anel de Fogo, ao longo da fronteira entre ambos os países, informou o site de notícias mexicano Milenio. O objetivo era “combater sobretudo as ações do crime organizado transnacional, que se manifesta como contrabando, tráfico de armas e tráfico de pessoas”, disse à imprensa o então porta-voz do Exército da Guatemala, Coronel Rubén Téllez.
Mais de 5.000 soldados guatemaltecos, 500 agentes da PNC e mais de 700 militares do Exército Mexicano participaram da operação, patrulhando seus respectivos territórios, para fortalecer a segurança em ambos os lados da fronteira.
Durante 2024, os Estados Unidos também desempenharam um papel crucial no apoio à Guatemala em sua luta contra o narcotráfico, realizando importantes doações e acordos com seu governo e seu Ministério da Defesa.
“Um dos grandes desafios do nosso governo é recuperar os espaços terrestres, aéreos e marítimos que […] foram explorados pelo crime organizado para suas operações”, ressaltou o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, segundo a Agencia Guatemalteca de Noticias (AGN). Arévalo também destacou a importância da cooperação com os Estados Unidos, observando que “eles são nossos principais parceiros e aliados na luta conjunta contra o crime organizado transnacional”.
Apoio incondicional
Em fevereiro de 2024, o então embaixador dos EUA na Guatemala, Tobin Bradley, entregou 19 veículos todo-terreno à PNC, para combater as atividades do narcotráfico, o crime organizado e o tráfico de pessoas, bem como fortalecer as capacidades de investigação criminal.
Em outubro, o governo dos EUA entregou equipamentos no valor de US$ 13 milhões à Guatemala. Em 4 de outubro, os Estados Unidos entregaram o navio-patrulha de alto-mar Hunahpú GC-871, informou a AGN. A embarcação, equipada com tecnologia de ponta, foi incorporada imediatamente à frota do Comando Naval do Pacífico, para reforçar a vigilância de suas águas territoriais.
Por outro lado, em 24 de outubro, a General de Exército (R) Laura Richardson, do Exército dos EUA, então comandante do Comando Sul dos EUA, entregou ao Exército da Guatemala equipamentos de radiocomunicação, coletes blindados e capacetes, além de veículos de artilharia e peças de reposição para aeronaves e embarcações, entre outros materiais.
Além disso, entre março e outubro de 2024, o programa Guatemala se Transforma – uma iniciativa do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado dos EUA e do governo guatemalteco para reforçar a segurança – recebeu o compromisso dos EUA de investir US$ 100 milhões para reforçar o Estado de Direito e a segurança da Guatemala. “Juntos, estamos formando parcerias sólidas para acabar com as extorsões, desmantelar as redes de contrabando e de tráfico e apoiar a PNC em seu recrutamento, treinamento e desempenho, para o benefício do povo”, ressaltou Bradley na ocasião.
“O narcotráfico representa uma séria ameaça à segurança e ao bem-estar das comunidades. O fácil acesso a substâncias ilícitas e à circulação de grandes quantidades de dinheiro fora do sistema financeiro causam inflação, dificultam o acesso a bens básicos e geram instabilidade econômica”, concluiu a Maj Argueta. “Com a luta contra o narcotráfico e o crime organizado, buscamos proteger a saúde das pessoas, garantir a segurança pública e promover o desenvolvimento econômico das comunidades afetadas por esses flagelos.”


