Em consonância com a dedicação da Guarda Costeira dos EUA (USCG) no combate às atividades marítimas ilícitas e na promoção da segurança marítima, o USCG Cutter James (WMSL 754) foi destacado no Oceano Atlântico Sul para realizar missões conjuntas com seus homólogos sul-americanos, com o objetivo de combater a pesca ilegal chinesa na região.
Os países costeiros da América do Sul criticaram a enorme frota pesqueira chinesa por suas estratégias de pesca invasivas e, muitas vezes, ilegais, que esgotam o estoque de peixes e prejudicam a biodiversidade da região.
No final de maio, o USCG Cutter James chegou ao porto do Rio de Janeiro, no Brasil, marcando sua terceira parada na região. A visita do USCG Cutter James, quando os Estados Unidos e o Brasil comemoram 200 anos de relações diplomáticas, destaca a cooperação cada vez maior entre as duas nações e as forças marítimas, que buscam combater atividades marítimas ilícitas e reforçar a soberania marítima.
“Trabalhar com a Marinha do Brasil tem sido uma demonstração bem-sucedida de como nossos países podem trabalhar juntos”, disse o Capitão de Mar e Guerra Donald Terkanian, da USCG, comandante do USCG Cutter James, em um comunicado. “O James teve a oportunidade de aprimorar as relações entre os Estados Unidos e o Brasil, ao mesmo tempo em que abordou as ameaças impostas pela pesca ilegal, não declarada e não regulamentada [INN], a segurança portuária e a facilitação do comércio e viagens marítimas seguras e legais.”
O USCG Cutter James embarcou o Capitão de Corveta Fernando Schild, da Marinha do Brasil, em abril de 2024. As marinhas do Brasil e dos EUA usam sistemas aéreos não tripulados para aumentar a conscientização do domínio marítimo em uma variedade de missões. O oficial brasileiro embarcado faz parte do primeiro esquadrão de sistemas aéreos não tripulados baseado em navios do Brasil.
Antes do Brasil, o USCG Cutter James fez uma parada em Buenos Aires, chegando em 29 de abril, para realizar um treinamento com seus homólogos da Prefeitura Naval Argentina (PNA). “Realizamos um treinamento conjunto com a USCG sobre o controle dos espaços marítimos e a vigilância de tarefas de pesca, com a participação de alunos das nossas escolas superiores e de cadetes”, afirmou a PNA na rede social X.
“Esta visita [a Buenos Aires] marca um momento significativo na colaboração contínua entre os Estados Unidos e a Argentina, com o objetivo de melhorar a segurança marítima e combater atividades ilícitas no mar”, disse a Embaixada dos EUA em Buenos Aires, em um comunicado.
Com uma tripulação de 150 homens e mulheres, o USCG Cutter James é um dos maiores e mais avançados navios da frota da USCG. “A tripulação se dedica a missões que incluem o combate ao tráfico de drogas e o monitoramento de atividades de pesca ilegal, não declarada e não regulamentada no Atlântico. Seu trabalho não apenas apoia as necessidades dos EUA, mas também contribui para a estabilidade e a segurança regionais”, informou a Embaixada dos EUA em Buenos Aires.
O navio também realiza “operações antinarcóticos em busca de carregamentos de maconha e cocaína”, informou o jornal argentino Perfil.
Durante a visita a Buenos Aires, a tripulação do USCG Cutter James participou de um workshop sobre a pesca INN com os oficiais da PNA. Eles também visitaram o Serviço de Aviação, a Direção de Comunicações e o Serviço de Barcos Guarda-Costas da PNA, informou o site de notícias argentino Infobae.
O navio fez sua primeira parada em Montevidéu, Uruguai, no final de abril, para uma visita programada ao porto.
Ameaça da China
A cooperação naval entre os Estados Unidos e os países da região ocorre em meio a alertas de especialistas sobre os barcos pesqueiros da China, que há anos deixam um rastro de destruição no sul do continente americano. “Uma frota de 800 embarcações chinesas depreda as áreas de pesca da América do Sul”, disse à Diálogo Milko Schvartzman, especialista em conservação marinha do Círculo de Políticas Ambientais da Argentina.
“A totalidade dessa frota pertence ou é subsidiada por seu governo e realiza pesca INN, colocando em risco os ecossistemas do Pacífico e do Atlântico e deixando as comunidades costeiras sem alimentos, especialmente no Peru, Equador, Argentina e Uruguai”, declarou Schvartzman.
Segundo o especialista, o esforço de pesca e o número de embarcações chinesas que depredam os ecossistemas marinhos da América do Sul aumentam a cada ano. “A falta de controle, monitoramento e gerenciamento só pode levar ao colapso ambiental”, adverte. Por isso, ele considera “importante e necessário que as diferentes forças de controle e vigilância realizem intercâmbios”, tanto de metodologias como de experiências na prevenção da pesca INN.
“No caso da Prefectura Naval Argentina, há abundante experiência no uso da força, bem como no uso de ferramentas jurídicas e tecnológicas para reprimir a pesca ilegal. Assim como foram realizados exercícios com os Estados Unidos, é importante que sejam realizados com outros países da região e de outros continentes”, concluiu Schvartzman.


