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General de Exército Luis Navarro: cibersegurança e ciberdefesa são tarefas primordiais

General de Exército Luis Navarro: cibersegurança e ciberdefesa são tarefas primordiais

Por Steven McLoud/Diálogo
setembro 07, 2021

Diálogo entrevistou o General de Exército Luis Fernando Navarro Jiménez, do Exército da Colômbia, comandante geral das Forças Militares da Colômbia, no âmbito da Conferência Sul-Americana de Defesa 2021, realizada em Miami, Flórida, nos dias 17 e 18 de agosto.

Diálogo: Quais são os maiores desafios regionais que os países da América do Sul devem superar junto com os Estados Unidos?

General de Exército Luis Fernando Navarro Jiménez, do Exército da Colômbia, comandante geral das Forças Militares da Colômbia: Creio que a cooperação é fundamental para combater as ameaças comuns. Pode ser que em alguns países as ameaças sejam mais acentuadas do que em outros, mas no final geram problemas na região, porque cada uma se manifesta de maneira diferente.

A partir da nossa perspectiva na Colômbia, vemos que uma das principais ameaças é o narcotráfico. Consideramos que esse continua sendo o principal elemento desestabilizador da região, porque toda a cadeia de valor do narcotráfico, começando pelos cultivos ilícitos e insumos químicos que chegam a esses cultivos, até os laboratórios que processam a pasta base de cocaína, acabam se transformando em cloridrato de cocaína.

O Almirante de Esquadra Craig S. Faller, da Marinha dos EUA, comandante do Comando Sul dos EUA, recebe o General de Exército Luis Fernando Navarro Jiménez, do Exército da Colômbia, na sede do SOUTHCOM, no dia 20 de fevereiro de 2019. (Foto: Juan Chiari/Quartel do Exército dos EUA em Miami)

Esse produto, que começa a transitar não apenas na Colômbia, mas também em diferentes países, cria problemas grandes de economias ilegais. O mesmo tráfico gera corrupção, rompe o tecido social nas regiões onde é produzido, e começa por uma ramificação que se estende por toda a região. Mas, no final das contas, a origem é apenas uma; e surgem as máfias, o tráfico de armas, enfim, uma quantidade de problemas associados à questão do narcotráfico.

Outro grande desafio que temos para enfrentar é a gestão dos recursos naturais. A região é muito rica em recursos naturais, tanto minerais como vegetais. Há uma grande biodiversidade também, e esse é um desafio muito importante que temos que enfrentar. Então, proteger a água, o meio-ambiente, a biodiversidade, é um tema que na Colômbia já se tornou uma questão de segurança nacional.

Diálogo: Dois temas discutidos nessa conferência foram os desafios do domínio espacial e a cibersegurança e seus efeitos na segurança nacional. O que a Colômbia está fazendo para enfrentar esses desafios?

Gen Ex Navarro: Os temas tratados foram fundamentais, porque há uma grande oportunidade para que esse domínio espacial nos permita ter um melhor acesso às comunicações. Isso também nos permitirá, de maneira muito mais eficiente e rápida, controlar fenômenos, como, por exemplo, a mineração ilegal, que ataca as florestas e os parques naturais. Temos aí, então, uma grande oportunidade.

A questão da cibersegurança e da ciberdefesa é uma tarefa muito importante, porque esse é o novo cenário e domínio da guerra. Ali também temos desafios muito grandes. Já vemos como os países se preparam para defender sua infraestrutura, para defender seus ativos econômicos, para defender a capacidade das empresas. Também já vimos como os grupos têm manipulado as redes sociais, justamente para criar o caos e a desordem. Na Colômbia, vimos como foram promovidos atos violentos através do uso irresponsável das redes sociais.

Então, aqui também temos desafios. Estamos trabalhando para ajustar a normatividade, estamos trabalhando forte na capacitação. Nas Forças Militares, criaremos a especialidade da cibersegurança e, obviamente, isso nos obriga também a fazer planos muito concretos, muito estruturados, para a gestão dos recursos e do orçamento.

Diálogo: Que papel assumiu o Exército durante a pandemia da COVID-19 para ajudar as autoridades civis?

Gen Ex Navarro: Estamos trabalhando no âmbito de nossa Operação San Roque. Estamos efetuando o plano de vacinação e estamos avançando muito bem. Estamos ajudando na segurança, nas zonas afastadas do país, colocando nossos recursos disponíveis, como veículos, aeronaves, helicópteros, elementos tanto navais quanto fluviais, para que a vacinação possa chegar às zonas mais afastadas do país. É também um desafio muito grande vacinar nossos próprios homens e mulheres. Creio que conseguimos fazer isso e vamos indo bem. Avançar na vacinação é um objetivo nacional.

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