Forças Armadas do Brasil combatem crimes ambientais na Amazônia

Forças Armadas do Brasil combatem crimes ambientais na Amazônia

Por Eduardo Szklarz / Diálogo
março 16, 2020

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que a Amazônia brasileira perdeu 9.762 quilômetros quadrados de vegetação em um ano. A área desmatada, maior do que o território de Porto Rico, refere-se ao período de agosto de 2018 a julho de 2019 e aumentou 29,5 por cento em relação ao ano anterior.

Os dados foram obtidos por imagens do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite, que gera relatórios anuais. Segundo o INPE, a superfície de mata destruída é a maior desde 2008.

Frente a esse cenário, as Forças Armadas do Brasil têm se mobilizado na luta contra os desmatamentos, garimpos e queimadas ilegais na Amazônia. Em dezembro de 2019, por exemplo, o Exército Brasileiro realizou a Operação Puretê I para combater os crimes ambientais no estado do Amazonas, responsável por 14,5 por cento da área devastada no último ano.

Militares da 16ª Brigada de Infantaria de Selva penetraram na região dos rios Içá e Puretê, próxima à fronteira da Colômbia e foco da extração ilegal de madeira e minérios. “Empregamos também militares da 3ª Companhia de Forças Especiais e do 2º Pelotão Especial de Fronteira, que realizaram patrulhamento em toda a calha do rio Puretê e parte do rio Içá”, disse à Diálogo o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx).

Agentes da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente também integraram a Puretê I, com o apoio de dois destacamentos de Operações na Selva, do Comando de Fronteira Solimões/8º Batalhão de Infantaria de Selva (Cmdo Fron Sol/8º BIS) e de um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército.

Com o auxílio de um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército, os militares brasileiros reprimiram o narcotráfico, o desmatamento e a mineração ilegal na Amazônia, durante a Operação Puretê I. (Foto: Exército Brasileiro)

“Os agentes, junto com o Exército, reprimiram o narcotráfico transnacional e os crimes contra o meio ambiente, especificamente a mineração ilegal”, afirmou o CCOMSEx. “A ação foi realizada por meio da fiscalização das dragas de extração de ouro que estavam localizadas no Rio Puretê.”

O Pelotão do Cmdo Fron Sol/8º BIS participou da apreensão de cerca de 10.000 alevinos (peixes recém-saídos do ovo) de espécies variadas, que estavam dentro de uma lancha, informou o CCOMSEx. Os peixes foram conduzidos à Delegacia da Polícia Federal.

Cooperação com a Colômbia
Os militares brasileiros têm aumentado a cooperação com as forças armadas dos países vizinhos na preservação da Amazônia. Uma dessas iniciativas é a Reunião Regional de Intercâmbio Militar entre Brasil e Colômbia, realizada anualmente para reprimir crimes ambientais e transfronteiriços.

“Essa é uma atividade de suma importância para a coordenação de procedimentos no combate a delitos na faixa de fronteira”, afirmou o CCOMSEx. “O objetivo é realizar trocas de experiências e de conhecimentos de interesse comum, ligados ao controle e à segurança na região fronteiriça, assim como estreitar os laços de amizade e camaradagem entre os militares participantes.”

Ação coordenada
As Forças Armadas do Brasil também intensificaram a coordenação com as autoridades civis para combater os crimes ambientais no norte do país. Foi o caso da ação conjunta realizada em 10 de fevereiro de 2020, quando agentes da Polícia Civil, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e do Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Amazonas interditaram uma madeireira ilegal que funcionava no município de Manacapuru.

“Apreendemos um trator, maquinários utilizados para a extração de madeira e grande quantidade de madeira sem documentação”, afirmou à imprensa a delegada Carla Biaggi, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo da Polícia Civil do Amazonas.

No segundo semestre de 2019, o IPAAM implantou um sistema de sensoriamento remoto para melhorar a detecção dos crimes ambientais. A técnica mapeia os desmatamentos e queimadas através de sensores instalados em satélites.

“O uso dessa tecnologia permitirá identificar e mensurar a área afetada”, afirmou em nota o gerente de Geoprocessamento do IPAAM, José Luiz Nascimento. Segundo ele, o cruzamento das informações através do Sistema de Informações Geográficas revelará o nome e demais informações do infrator, para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

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