O Panamá e os Estados Unidos continuam a solidificar sua aliança em segurança, reforçando seus esforços por meio de exercícios conjuntos, assistência técnica e acordos estratégicos, destinados a proteger o Canal do Panamá e combater as crescentes ameaças transnacionais em constante evolução.
O Comando de Operações Especiais, Sul dos EUA (SOCSOUTH) é um pilar fundamental dessa parceria e desempenha um papel essencial no aprimoramento mútuo das capacidades das forças de ambos os países. Por meio de treinamentos conjuntos combinados (JCETs), intercâmbios de especialistas no assunto (SMEEs) e outras atividades, como o exercício PANAMAX Alfa, as forças de ambos os países fortalecem ainda mais sua interoperabilidade, diante dos desafios que afetam a estabilidade regional.
“Por mais de duas décadas, o Comando de Operações Especiais do Comando Sul dos EUA [SOUTHCOM] desempenha um papel fundamental no fortalecimento operacional das forças panamenhas”, afirmou em uma entrevista à Diálogo o Comissário Raymond Cáceres, do Serviço Nacional de Fronteiras do Panamá (SENAFRONT), oficial de ligação do Panamá no SOUTHCOM.

Exercícios e capacidades aprimoradas
Essa colaboração permite o desenvolvimento de treinamentos conjuntos, operações combinadas e exercícios de interoperabilidade, que reforçam as capacidades do SENAFRONT, do Serviço Nacional Aeronaval (SENAN) e da Polícia Nacional, com o apoio técnico do SOUTHCOM.
Um dos enfoques principais tem sido o treinamento especializado. “Recebemos instrução em primeiros socorros, defesa de instalações críticas, patrulhas urbanas em embarcações e técnicas de atirador de elite”, disse o Comissário Cáceres. “Esse apoio fortaleceu nossas forças especiais nas áreas de fronteira, onde atuam grupos ligados ao narcotráfico.”
O Comissário Cáceres enfatizou que a cooperação com SOCSOUTH tem sido essencial desde a criação do SENAFRONT em 2008, após a dissolução da antiga Força Pública. “Tem sido uma história de colaboração constante com SOCSOUTH e SOUTHCOM, em apoio direto às nossas operações”, acrescentou.
Exercícios como o PANAMAX elevam os níveis de preparação das forças de segurança contra ameaças como sabotagem, terrorismo e crime organizado, ao mesmo tempo em que promovem uma maior coordenação entre as forças regionais. Essas atividades ressaltam um compromisso compartilhado com a segurança coletiva em um ambiente que exige respostas integradas.
Treinamento, interoperabilidade
O exercício anual PANAMAX Alfa, um pilar da aliança de segurança entre os Estados Unidos e o Panamá, é realizado em três fases. A Fase 0 se concentra na cooperação civil-militar, por meio de ações de ajuda humanitária e desenvolvimento comunitário. A Fase I inclui simulações operacionais, para proteger o Canal, e a Fase II envolve manobras conjuntas com forças multinacionais, permitindo que todos os participantes desenvolvam um entendimento comum e uma resposta coordenada, informou o Ministério da Segurança Pública do Panamá, em um comunicado.
“Exercícios como o PANAMAX Alfa fortalecem a segurança nacional. O importante é promover a interoperabilidade”, disse o Comissário Cáceres. “Diferentes instituições agem de maneira coordenada, seguem os mesmos procedimentos e respondem com eficácia a emergências.”
O Comissário Cáceres destacou a Fase I como um plano nacional e bilateral com impacto em várias áreas do país, com foco na proteção do Canal. “É aí que entram o SOCSOUTH e o SOUTHCOM, com suas capacidades para instruir-nos e coordenar os treinamentos táticos.”
Desafios e ameaças emergentes
O Comissário Cáceres destacou que um dos principais desafios é o crescimento das capacidades das organizações criminosas, impulsionadas pelos rendimentos provenientes do narcotráfico. “Nosso desafio é proteger a população e impedir que essas estruturas se infiltrem ou normalizem sua presença.”
Para ajudar a enfrentar essas ameaças, os Estados Unidos forneceram apoio tecnológico e de infraestrutura crucial. Por exemplo, em 22 de maio, os Estados Unidos entregaram uma nova instalação de manutenção de veículos ao SENAFRONT, bem como dois reboques, equipamentos de coleta de dados biométricos e equipamentos de satélite, ao Serviço de Migração, aprimorando a capacidade do Panamá de combater o crime organizado, informou a Embaixada dos EUA no Panamá, em um comunicado.
“Essa colaboração não apenas fornece equipamentos, mas também conhecimentos técnicos e treinamento. Contar com a tecnologia adequada é essencial para antecipar, detectar e responder de forma eficaz”, acrescentou o Comissário Cáceres. “As ameaças digitais estão em constante evolução. Graças à cooperação com os Estados Unidos, fortalecemos nossas defesas para proteger infraestruturas críticas.”
Em apoio direto a essa iniciativa, as forças dos EUA e do Panamá realizaram as primeiras conversações oficiais entre as Forças de Operações Especiais (SOF) dos EUA e do Panamá, em 18 de fevereiro. As conversações SOF culminaram em um memorando de entendimento que formaliza o compromisso contínuo com os objetivos de segurança compartilhados.
Perspectivas para o futuro
O Comissário Cáceres alertou que a migração irregular também representa uma ameaça crítica, destacando um desafio comum que afeta a região. “A migração é um direito, mas tem sido explorada por redes criminosas”, afirmou.
Os Estados Unidos e o Panamá têm intensificado seus esforços para combater esses fluxos ilícitos. Isso inclui acordos estratégicos, como o memorando de entendimento assinado em julho de 2024, que facilitou voos de deportação financiados pelos EUA para migrantes que carecem de base legal para permanecer no Panamá. Essas iniciativas, complementadas pelos programas de capacitação e desenvolvimento de capacidades do SOCSOUTH, visam diretamente combater as organizações criminosas transnacionais, que se beneficiam do tráfico ilícito e do tráfico de pessoas na região.
O Comissário Cáceres concluiu, enfatizando a necessidade de uma cooperação contínua e sólida: “Enfrentar ameaças comuns requer trabalho conjunto. As ameaças não se detêm. Somente por meio de uma forte colaboração entre o Panamá, os Estados Unidos e as nações parceiras podemos combatê-las de forma eficaz e sustentável.”


