Há três anos, o General de Brigada Azariel Loria assumiu o comando da Força de Defesa de Belize (BDF), prometendo fortalecer as capacidades da BDF, adotar a mudança e contribuir para a estabilidade, a segurança e a prosperidade do país centro-americano.
Sob sua liderança, a BDF tem trabalhado diligentemente para conter o narcotráfico, apoiar a população com operações humanitárias e, ao mesmo tempo, aprimorar a prontidão operacional e as capacidades das tropas por meio de intercâmbios com nações parceiras.
Diálogo teve a oportunidade de conversar com o Gen Bda Loria durante a Conferência de Segurança do Caribe (CANSEC), em Trinidad e Tobago, no início de dezembro de 2024, para discutir alguns desses tópicos e muito mais.
Diálogo: O senhor está à frente da Força de Defesa de Belize desde janeiro de 2022. Quais foram, em sua opinião, seus maiores desafios e suas maiores realizações até agora?
General de Brigada Azariel Loria, comandante da Força de Defesa de Belize: O ambiente de segurança está mais complexo do que nunca em nível global. Em nossa região, continuamos a enfrentar ameaças tradicionais e não tradicionais. Os traficantes de drogas continuam a usar Belize como um ponto de transbordo.
Isso, por sua vez, tem efeitos de segunda e terceira ordem, em que nosso povo e os setores público e privado são frequentemente infiltrados, o que causa uma pressão adicional sobre a governança e outras questões de segurança. Continuaremos a negar e a interditar essa ameaça transnacional de usar o território de Belize com nossos recursos limitados, mas continuando com a coordenação regional, que é um multiplicador de forças.
Tenho orgulho de anunciar que conseguimos impedir com sucesso a atividade do narcotráfico nos últimos três anos. Antes de 2022, tivemos uma onda de aterrissagens aéreas ilegais, mas desde então conseguimos diminuí-la significativamente. Somos cautelosos em relação a isso porque, no final de 2024, tivemos duas aterrisagens e outras estavam a caminho, mas, novamente, com a coordenação do nosso Centro Conjunto de Inteligência e Operações, conseguimos impedir a entrada desses aviões suspeitos.
A ameaça não tradicional, como a mudança climática, que representa uma ameaça existencial globalmente, é acentuada em nossa região entre junho e novembro de cada ano. Nos últimos três anos, passamos por um furacão (Lisa) e duas tempestades tropicais (Nadine e Sara).
Lisa [em 2022] causou estragos na Cidade de Belize, e foi uma tarefa monumental limpar a cidade e as áreas vizinhas, o que foi feito em tempo recorde com a ajuda da BDF e da Guarda Costeira de Belize. Continuamos a ajudar a Organização Nacional de Gerenciamento de Emergências (NEMO) a alcançar a população em geral, que estava precisando de suprimentos de emergência.
E, mais uma vez, em 2024, duas tempestades tropicais [Nadine e Sara] inundaram muitas áreas baixas do país, onde continuamos a fornecer pequenas embarcações para evacuar civis e transportá-los para dentro e para fora de seus vilarejos, para que pudessem ter acesso à escola e realizar suas atividades diárias. No entanto, devemos continuar a preparar-nos e ser mais resilientes para enfrentar as mudanças climáticas, pois isso não será nada fácil.
Diálogo: Qual é o foco para este ano?
Gen Bda Loria: A intenção é continuar a edificar a força e continuar a garantir a administração e o bem-estar de nossas tropas. Continuaremos a manter e melhorar o treinamento e a prontidão operacional, o que deverá reforçar positivamente a preparação das tropas para enfrentar ameaças emergentes.
Continuaremos a garantir que o pilar de sustentação seja mantido por meio de nossas cadeias logísticas e, com a assistência de nossos aliados e parceiros regionais, poderíamos alcançar a cooperação de segurança, para enfrentar questões de interesse mútuo.
Diálogo: A BDF desempenha um papel fundamental na segurança das fronteiras de Belize. Em maio de 2024, a BDF reforçou as patrulhas fronteiriças ao longo da fronteira norte, devido à crescente influência dos cartéis mexicanos. Que outros planos foram implementados para conter as atividades do crime organizado no território de Belize?
Gen Bda Loria: Até o ano passado [2023], nunca havíamos visto cartéis operando ao lado de nossa fronteira norte. A ameaça foi detectada e as informações foram compartilhadas com nossos homólogos mexicanos. Foram organizadas reuniões com México e Belize em nível ministerial, para encontrar maneiras de combater a crescente influência dos cartéis ao sul do México. Foram criados mecanismos, nos quais continuamos a realizar operações binacionais com as Forças Armadas mexicanas mensalmente, e melhoramos os mecanismos de intercâmbio de informações, que diminuíram gradualmente os efeitos de segunda e terceira ordem dos incidentes de tiroteios fatais no norte de Belize e no sul do estado de Quintana Roo, no México.
Reforçamos nossos sistemas de intercâmbio de inteligência, permitindo um melhor rastreamento dos movimentos criminosos e a interrupção das rotas de tráfico.
O Ministério da Defesa adotou uma abordagem integral do governo, reconhecendo que a questão vai além das operações terrestres. Dessa forma, também nos concentramos no fortalecimento das operações marítimas e trabalhamos em estreita colaboração com a Guarda Costeira, para combater essas atividades ilícitas.
Diálogo: Em meados de setembro de 2024, as primeiras tropas de Belize se juntaram à missão de Apoio Multinacional à Segurança no Haiti. Como essas tropas se prepararam para essa missão?
Gen Bda Loria: Essa não é a primeira vez que as tropas de Belize são destacadas para o Haiti. Em 1994 e 1995 fomos destacados operacionalmente sob a égide da Força Multinacional dos EUA. A Organização das Nações Unidas (ONU) assumiu a missão e Belize continuou a contribuir com tropas durante aproximadamente um ano ou mais, até que o país foi considerado estabilizado.
Em consonância com o compromisso de Belize com a estabilidade regional e a solidariedade internacional, fizemos uma parceria com a Comunidade do Caribe para formar uma força-tarefa específica, demonstrando nossa responsabilidade de contribuir para a paz e a segurança globais.
Além do treinamento interno que realizamos na BDF, com foco em liderança, integração de equipes e operações táticas, nossos oficiais e soldados também receberam treinamento em conjunto com nosso parceiro regional, a Jamaica. Eles passaram por um treinamento especializado nos módulos de treinamento de manutenção da paz da ONU, preparando-os para as diversas tarefas que lhes serão exigidas.
Diálogo: Em setembro de 2024, uma equipe do Comando de Operações Especiais Sul (SOCSOUTH), um componente do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), juntou-se à BDF durante três semanas de treinamento intensivo, para integrar-se melhor à força na luta contra as organizações criminosas e a proliferação de narcóticos. Qual é a importância para a BDF de treinamentos e exercícios como esse com o SOUTHCOM?
Gen Bda Loria: Os exercícios de treinamento são absolutamente essenciais para a BDF. A colaboração com o SOCSOUTH nos permite atingir prioridades como o aprimoramento da nossa prontidão operacional e das capacidades de treinamento, para lidar com as ameaças em evolução enfrentadas por Belize. Esses exercícios proporcionam às nossas forças especiais oportunidades inestimáveis para aprender táticas avançadas, melhorar a coordenação e integrar-se a parceiros internacionais.
A experiência e os conhecimentos obtidos durante essas sessões de treinamento conjunto fortalecem nossa capacidade de operar com eficácia nesse complexo ambiente operacional. Nossa parceria com SOUTHCOM proporciona um nível de prontidão operacional para proteger nossa integridade territorial e contribuir aos esforços globais mais amplos, para combater o crime transnacional. Esses treinamentos e parcerias de valor inestimável reforçam nosso compromisso com a cooperação regional e internacional.
Diálogo: Que tipo de compromissos, intercâmbios e treinamentos a BDF está planejando com o SOUTHCOM e com a Guarda Nacional da Louisiana, seu parceiro no Programa de Parceria Estatal, para 2025?
Gen Bda Loria: Estamos ansiosos em continuar com os exercícios de treinamento conjunto, enfocados no combate às ameaças transnacionais, com o objetivo de incorporar operações táticas, missões de assistência humanitária e treinamento especializado em contraterrorismo e resposta a desastres.
De acordo com o Programa de Parceria Estatal com a Guarda Nacional da Louisiana, estamos planejando integrar ainda mais seus conhecimentos às nossas forças, enfatizando o desenvolvimento da liderança, bem como a resposta e o gerenciamento de desastres e emergências. Há dois anos, fomos ao Centro Conjunto de Treinamento de Prontidão (JRTC), destacando cerca de 150 soldados e marinheiros para a Louisiana durante três semanas, onde eles se beneficiaram dos exercícios combinados conjuntos.
Esperamos encontrar maneiras mais inovadoras de levar nossa parceria a outro patamar, para melhorar a coordenação entre nossas unidades terrestres, aéreas e marítimas, com forte ênfase na melhoria da nossa prontidão de treinamento e eficácia operacional.
Esses compromissos não se referem apenas ao aprimoramento de nossa prontidão militar, mas também ao fomento de parcerias de longo prazo, que apoiem os objetivos de segurança de Belize e contribuam para a estabilidade regional, o que é fundamental para apoiar esses esforços e reforçar nosso compromisso com a cooperação regional e internacional.
Diálogo: Que tipo de cooperação e intercâmbio de melhores práticas com as nações parceiras e com os Estados Unidos a BDF está realizando, para fortalecer suas capacidades cibernéticas e contribuir com os esforços nacionais para combater as ameaças cibernéticas?
Gen Bda Loria: As discussões sobre segurança cibernética trazem à mente as ameaças que vêm junto com ela e que afetam gravemente os setores financeiro, de saúde, de governança e de informações de qualquer país. Ela penetrou em todos os domínios, incluindo o espaço próximo. Atores estatais e não estatais usam essa plataforma para realizar atividades ilícitas, como o roubo de informações sobre direitos de propriedade, cartões de crédito e contas bancárias, usando bitcoin, que, de certa forma, não está regulamentado no momento, bem como manipulando eleições gerais, entre outros crimes.
O que é preocupante é que é difícil identificar esses agentes suspeitos, e os países adversários protegerão ou negarão qualquer tipo de punição ou que tais incidentes tenham ocorrido.
Reconhecemos que esses problemas podem ocorrer em maior escala nos países desenvolvidos, mas não estamos imunes e precisamos continuar a preparar-nos, pois, no momento, nossa melhor aposta é fortalecer nossas camadas de defesa para minimizar as ameaças cibernéticas.
A BDF reconhece a importância da segurança cibernética no combate às ameaças em evolução. Reconhecendo nossas restrições de recursos, estamos concentrados em fortalecer nossas capacidades cibernéticas por meio da cooperação estratégica e do intercâmbio de melhores práticas com outras nações, inclusive os Estados Unidos.
Participamos ativamente de fóruns regionais de segurança, incluindo o CANSEC, para promover o diálogo e compartilhar percepções sobre desafios e soluções em segurança cibernética. Continuamos a colaborar estreitamente com os Estados Unidos e nos beneficiamos de sua experiência e de seus programas de formação em segurança cibernética.


