Luta Contra O Tráfico De Drogas A Partir Do Espaço

Fighting Drug Trafficking From Space

Por Dialogo
julho 01, 2012





As forças de segurança federais na Argentina têm um novo aliado na sua luta contra

o tráfico de drogas: a tecnologia de satélite. Agora eles têm acesso a imagens de alta

definição geradas a partir de 15 satélites, que varrem o país a cada dia, incluindo as do

novo satélite argentino, SAC-D/Aquarius.

As autoridades argentinas têm grandes expectativas com relação às informações das

imagens que o satélite irá fornecer. A ministra da segurança Nilda Garré disse que os

satélites podem revelar pistas de pouso clandestinas e rotas terrestres alternativas

utilizadas pelo tráfico de drogas, localizar plantações de culturas ilícitas, além de

descobrir contrabandistas e até mesmo traficantes de seres humanos.

A Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CONAE) é a agência estatal encarregada

de distribuir imagens de satélite para as forças de segurança. Seu secretário-geral, Felix

Menicocci, disse ao jornal Clarín, em outubro de 2011, que os satélites enviam dois tipos de

informações: imagens ópticas (fotografias) e imagens de radar. Especialistas dizem que o

último permite o acompanhamento mais eficiente dos movimentos do tráfico de drogas, pois

fornece uma visão clara através da densa vegetação ou mesmo à noite.



O tráfico de drogas na Argentina





Ao longo dos anos, o comércio ilegal de drogas na Argentina tem crescido em

proporções preocupantes. “A capacidade da Argentina de implementar complexas operações de

longo prazo contra o tráfico de drogas é limitada”, disse o último relatório detalhado do

Departamento de Estado dos EUA, que se assemelha a relatórios da ONU e indica um comércio de

drogas em expansão no território argentino.

A questão da cocaína na Argentina é bidirecional, de acordo com o Relatório Mundial

sobre Drogas 2011, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Por um

lado, o país está mostrando sinais positivos em relação ao resto da América Latina em termos

de luta contra o consumo. Por outro lado, é um dos países de trânsito, no qual passa a maior

parte da cocaína vinculada à Europa. Um dos muitos exemplos foi o de um avião carregado na

Argentina com 940 quilos, que foi apreendido pela Guarda Civil espanhola em Barcelona, em

2011.

A sofisticação das organizações criminosas tem sido uma constante. Além de crescer

em tamanho, coordenando os seus interesses e expandindo seus mercados, eles estão

rapidamente multiplicando seus recursos. Por exemplo, centenas de pistas de pouso

clandestinas estão espalhadas no norte da Argentina.

Na província de Chaco, a organização não governamental Associação Antidrogas

descobriu o funcionamento de pelo menos 141 pistas de pouso ilegais, em grande parte graças

às informações de satélite. Diante de um cenário cada vez mais complicado, as autoridades

argentinas têm focado seus esforços na luta contra a sofisticação do crime organizado, com

uma tecnologia de estado mais sofisticada.



Coordenação interinstitucional



Um acordo entre o Ministério da Segurança e o Ministério das Relações

Internacionais (onde está situado a CONAE) permite o uso de imagens de satélite na luta

contra o tráfico de drogas, mas ainda precisa ser feito um trabalho para melhorar a

coordenação entre as agências do Estado.

O Ministério da Segurança entende que isso implica um alto grau de complexidade,

tanto que seus funcionários destacaram a importância da sinergia, quando assinaram o acordo

em outubro de 2011. A abordagem inicial entre a CONAE e as forças de segurança federais

tornou-se o “Primeiro Curso Conjunto sobre Interpretação de Imagem”. Nele, os especialistas

da CONAE ensinaram os oficiais da Gendarmerie, Prefeitura e Polícia Federal como ler as

informações sobre imagens de satélite.

María José Meincke, especialista em tráfico de drogas e vice-presidente da

Associação Argentina de Graduados do Centro para os Estudos de Defesa Hemisférica, em

Washington, DC, disse que os principais objetivos do acordo assinado são os de assegurar que

as agências envolvidas conciliem seus objetivos e cheguem a um nível de colaboração adequado

para intercâmbio e coordenação. “Na realidade, os dados de sensibilidade e outros assuntos

relacionados com a rivalidade que existe entre as agências resultam em que, por enquanto, a

informação não está sendo compartilhada como deveria”, disse Meincke, que é grande

conhecedora da coordenação interinstitucional e do combate ao crime organizado

transnacional.

“Muitas vezes, cada uma das agências vai por um caminho separado e executa a sua

tarefa separadamente”, disse Sebastián García Díaz, ex-secretário da agência de Prevenção da

Toxicodependência e Luta contra o Tráfico de Drogas, uma instituição do governo na província

de Córdoba. “É muito importante contar com o controle de satélite, mas agora temos que

determinar o que fazer com esta informação. Quem irá processá-la e atuar com os recursos,

regulamentos e procedimentos claros em tempo real?” Ele explicou que esses assuntos serão

resolvidos pela coordenação interinstitucional.

Diante da complexidade inerente à luta contra o crime organizado, que está se

tornando cada vez mais transnacional e sofisticado, a tecnologia de satélite, sem dúvida,

vai desempenhar um papel fundamental. A iniciativa na Argentina começou no caminho certo,

com a assinatura de um acordo de cooperação e a troca de informações. O desafio para as

agências estatais díspares agora é o de articular e captar recursos para efetuar um impacto

significativo contra o tráfico de drogas.





As imagens de satélite são e serão uma ferramenta fundamental para combater as drogas. À medida que as usamos mais, eles vão direcionar as câmaras fotogramétricas e radares adequados para eles. Não tenho dúvida alguma de que irão fabricar satélites para essa finalidade. Fiz alguns cursos na CONAE e no Sat. Lab. Técnico com o Dr. V. H. Rios, prestigiado pesquisador na Universidade UNT. Informação muito boa. Saudações.
Share