Mulher oficial hondurenha participa de missão de paz pela primeira vez

Female Honduran Officer Takes Part in Peacekeeping Mission for First Time

Por Kay Valle/Diálogo
maio 25, 2018

A viagem de seis militares hondurenhos para a África, no final de março de 2018, estabeleceu um marco importante para o país centro-americano. Pela primeira vez, uma mulher oficial hondurenha participa de uma missão de paz. A Capitão de Infantaria do Exército de Honduras Tarsis Dodanin Alvarado Guevara foi destacada com seus pares das Forças Armadas de Honduras, no dia 26 de março, na Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO, em francês).

“A inclusão de mulheres na vida cotidiana das Forças Armadas de Honduras, de modo que elas se envolvam em cada uma das atividades que realizamos como instituição armada, fortalece a imagem de Honduras”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha de Honduras José Domingo Meza, diretor de Relações Públicas das Forças Armadas. “Além disso, a participação de oficiais em missões de paz não só fortalece o país, como também os qualifica para as tarefas do Estado-Maior e lhes dá confiança para trabalhar com outras culturas de maneira bem-sucedida.”

Os oficiais revezaram a equipe que participava da missão de 2017, cujo objetivo era encerrar o conflito entre o Marrocos e a Frente Popular de Libertação de Saguía el Hamra e Río de Oro (Polisario), o movimento de libertação que representa a população nativa saariana. Por sua vez, a Cap Alvarado foi destacada para a base de operações Smara, no território controlado pelo Marrocos, onde desempenha as tarefas de paz.

“Tive a oportunidade de participar do processo de seleção de oficiais candidatos à Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental”, disse a Cap Alvarado à Diálogo em Smara. “Sinto-me muito orgulhosa e agradecida às Forças Armadas por terem me escolhido [para] ser a primeira mulher a participar desta missão e, além disso, representar a mulher militar, para que as demais possam ter a mesma oportunidade em futuras missões.”

Contribuir para a missão

Dentro de suas tarefas, a Cap Alvarado realiza patrulhamentos de supervisão terrestres e aéreos junto com a equipe da base de operações e contribui para a missão como assistente de alto escalão em operações de logística. Além disso, a Cap Alvarado presta serviço como oficial de comunicações da base e envia relatórios diários ao quartel-general, entre outras funções necessárias.

“Graças a Deus, meu processo de adaptação tem sido muito rápido, pois, como militares somos adestrados para executar missões no momento e no local designados pelo alto comando”, detalhou a Cap Alvarado. “O ambiente de trabalho é muito profissional, de muito respeito.”

Segundo o CMG Meza, que participou da MINURSO em 1997 e em 2012, embora o Saara Ocidental continue contaminado com minas antipessoal, “os níveis de risco são baixos na missão”. Apesar de o lugar ser remoto e possuir um clima inóspito, a missão é uma oportunidade única para consolidar e trocar conhecimentos entre militares.

“O soldado, por nossa formação militar, deve estar preparado para trabalhar em qualquer ambiente operacional”, disse o CMG Meza. “O trabalho distante, em postos militares no deserto, fortalece essa formação e essa cultura militar.”

Compromisso duradouro

Estabelecida em 1991, a MINURSO busca encerrar o conflito entre marroquinos e saarianos, que data da década de 1970. O território disputado, com mais de 250.000 quilômetros quadrados, divide fronteiras com o Marrocos, a Mauritânia e a Argélia, contornado pelo Oceano Atlântico, com um litoral de 1.100 km.

Para Honduras, a MINURSO representa um compromisso duradouro, já que o país começou sua participação desde o início da missão. De 1991 a 2018, um total de 314 militares hondurenhos serviram na missão de paz no Saara Ocidental.

Além da MINURSO, militares hondurenhos participaram da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti e da Missão de Verificação da Organização das Nações Unidas na Colômbia. Contudo, a Cap Alvarado se destaca como pioneira nas missões de paz.

“Há várias mulheres interessadas em auxiliar, não só nesta missão [MINURSO] como também em outras missões de manutenção de paz das quais nosso país participa”, detalhou o CMG Meza. “A direção de Organização, Operações e Adestramento das Forças Armadas de Honduras continuará dando esse tipo de oportunidade a seus membros, sem levar em consideração o gênero.”

A Cap Alvarado servirá no Saara Ocidental até março de 2019. Até então, ela continuará sendo uma fonte de inspiração para as outras mulheres militares hondurenhas, demonstrando “que nós, mulheres, somos capazes de assumir grandes desafios”.

“Minha experiência nesta missão é muito gratificante”, concluiu a Cap Alvarado. “Nossa tarefa consiste em inspirar segurança, consolidar a paz e ajudar as partes em conflito na transição do referido processo e promover a paz duradoura.”
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