Especialistas da Colômbia examinam a sua bola de cristal

Experts on Colombia Gaze into the Crystal Ball

Por Dialogo
novembro 20, 2012


A Colômbia está começando a ver a luz no fim do túnel e esse túnel poderá ser a mesa de negociações, disseram especialistas no conflito colombiano durante um encontro em Miami, Flórida, no dia 16 de novembro, três dias antes de as conversações entre as FARC e o governo colombiano começarem em Havana.

A conferência, organizada pelo Centro para a Política Hemisférica da Universidade de Miami, concentrou-se no tema “Os desafios de segurança na Colômbia: o processo de paz e suas possibilidades de sucesso”, numa tentativa de dar um prognóstico de qual será o resultado deste novo esforço para acabar com o conflito interno que fustiga o país há meio século.

De acordo com Román Ortiz, diretor da companhia de consultoria Decisive Point, com sede na capital colombiana, o balanço estratégico das negociações se inclina desta vez em favor do Estado. “Não me ocorre qualquer outra organização mais impopular do que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Sua situação política, hoje, é a mais difícil de toda sua história, completamente isoladas politicamente dentro e fora do país”, disse ele.

Ortiz acrescentou que a esta equação se soma uma força militar e policial esmagadora, que alcança aproximadamente 55 efetivos para cada guerrilheiro, bem como que pela primeira vez o grupo admite que está disposto a se desmobilizar e desarmar se chegarem a um acordo.

Neste mesmo sentido, os panelistas concordaram em que a decisão do governo de Juan Manuel Santos de não aceitar um cessar-fogo foi chave, pois poderá contribuir para que as FARC continuem se debilitando no terreno, enquanto seus representantes conversam na capital cubana. Esta é uma diferença importante em relação às negociações passadas, quando o grupo aproveitou a trégua para ressurgir com novo ânimo.

“Se eliminarmos ou limitarmos as operações militares, a única coisa que conseguiremos é estender o conflito. Os militares da Colômbia estão completamente operacionais nesse momento e exercem sua pressão melhor do que nunca”, afirmou Jorge Mario Eastman, que foi vice-ministro da Defesa da Colômbia durante a presidência de Álvaro Uribe.

Bruce Bagley, chefe do Departamento de Estudos Internacionais da Universidade de Miami, reconheceu também a capacidade profissional dos militares colombianos que conseguiram reduzir as FARC a áreas remotas da geografia colombiana. “É uma mudança da noite para o dia”, comentou. “Os militares de hoje são uma espécie diferente, uma geração diferente. Foram treinados pelas melhores Forças Armadas, não apenas dos Estados Unidos mas também de outros países.

No entanto, Bagley explicou que seria arriscado pensar que o fortalecimento dos militares e os golpes desferidos contra importantes líderes das FARC durante o último ano significam que a organização esteja derrotada. Segundo o especialista, existem nas FARC elementos que geram cerca de US$ 300 milhões anualmente em atividades do narcotráfico e do crime organizado. São motivados pela ambição, segundo ele, e por conseguinte poderão decidir não aderir ao processo de paz.

Tanto o catedrático da Universidade de Miami como os demais panelistas concordaram que, embora não possam adivinhar quando e como terminarão as negociações, o que vislumbram é que as FARC sairão ainda mais divididas e debilitadas de Havana. Além disto, concordaram, está claro que as circunstâncias são ideais para a tão esperada transição para uma sociedade pós-conflito. “Em termos de segurança, de situação política interna e externa, de calendário eleitoral… os astros estão alinhados para que se realize essa transição”, concluiu Jorge A. Restrepo, do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos de Bogotá.



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