Diálogo teve a oportunidade de conversar com o General de Brigada Hermelindo Choz Soc, chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala, que contribui com mais de três décadas de experiência em liderança militar.
O Gen Bda Choz Soc, cuja carreira inclui vários cargos de comando no Exército, entre eles o de adido de defesa na Embaixada da Guatemala em Taiwan e como subchefe do Estado-Maior, antes de sua nomeação atual, ascendeu na hierarquia de forma constante e adquiriu um profundo conhecimento das operações de defesa da Guatemala.
Durante a entrevista, o Gen Bda Choz Soc falou sobre os desafios de sua missão, os sucessos do Exército da Guatemala na luta contra o narcotráfico e a importância de ser o país anfitrião do exercício multinacional CENTAM Guardian 2025.
Diálogo: O senhor chefia o Estado-Maior da Defesa Nacional do seu país desde maio de 2024. Quais foram seus desafios durante esse primeiro ano de liderança e quais são seus principais objetivos para levar adiante sua visão à frente das Forças Armadas da Guatemala?
General de Brigada Hermelindo Choz Soc, chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala: É muito importante fortalecer a eficácia das operações contra o narcotráfico e de apreensões de drogas. Isso tem sido um desafio desde o início e continua sendo.
Então, começamos a trabalhar para exercer a soberania em nível nacional nos espaços que nos correspondem – aéreo, terrestre e marítimo –, e poder desenvolver esse tipo de operações com uma abordagem integral, interagindo com agências nacionais e internacionais e privilegiando o uso de informações e inteligência que nos permitam dar uma resposta eficaz a essas ameaças transnacionais.
Os resultados são pontuais: em 2024, o Estado da Guatemala apreendeu 18 toneladas de cocaína, das quais 14,2 toneladas foram graças ao esforço do Exército da Guatemala, por meio da Marinha da Defesa Nacional. Também temos apreensões significativas de erradicação de maconha, folhas de coca e papoula.
Todo esse trabalho é o resultado que se materializa para poder responder a essas ameaças.
Diálogo: As forças de segurança da Guatemala desferiram um golpe histórico contra as organizações criminosas em 2024, impulsionando o país à vanguarda na luta contra o narcotráfico. A que se devem essas conquistas?
Gen Bda Choz Soc: As conquistas são resultado do compromisso que têm os diferentes níveis de atuação, ou seja, no nível político-estratégico, a cargo do senhor ministro da Defesa Nacional; no nível estratégico-operacional, a cargo da chefatura do Estado-Maior da Defesa Nacional; e no nível tático-operacional, a cargo das brigadas e de todo o pessoal que compõe o Exército da Guatemala.
Além disso, a interação com agências nacionais e internacionais é muito importante, porque tudo isso permite o desenvolvimento de operações bem-sucedidas e a geração desses resultados.
As ameaças transnacionais e o narcotráfico estão em constante mutação, por isso é um desafio poder gerar esses resultados.
Diálogo: Em fevereiro deste ano [2025], a Guatemala criou a Força-Tarefa de Controle Territorial e Fronteiras e destacou centenas de soldados do Exército nas fronteiras com El Salvador e Honduras. Quais são os objetivos dessa nova força-tarefa e que resultados obteve até agora?
Gen Bda Choz Soc: A Guatemala e, neste caso, o Exército da Guatemala, determinamos em 2024 que as ameaças afetam nossas fronteiras. Temos fronteiras com México, Honduras e El Salvador, além do referendo que está sendo realizado entre Guatemala e Belize. Para proteger a nossa cidadania, implementamos uma medida estratégica, que chamamos de Plano Cinturão de Fogo. Este plano está ativado em toda a linha de fronteira da Guatemala com os países vizinhos.
Dentro deste quadro, implementamos recentemente a Força-Tarefa Controle Territorial e de Fronteiras, que se desenvolve na região oriental, onde temos as fronteiras entre Guatemala e Honduras e Guatemala e El Salvador, com um limite político internacional de 559 quilômetros.
O desenvolvimento dessa Força-Tarefa nos permitiu melhorar a percepção de segurança, para dissuadir e negar o terreno a todas as ameaças que se movem na fronteira, como o narcotráfico, a migração ilegal, o contrabando e o tráfico de armas.
Todas essas ameaças, que afetam a sociedade e a região, foram limitadas através do controle territorial que desenvolvemos com essa Força.
Diálogo: A Guatemala tem colaborado com os Estados Unidos, servindo como país ponte, para repatriar migrantes ilegais aos seus países de origem. Qual é a importância dessa colaboração com os Estados Unidos para a segurança da Guatemala?
Gen Bda Choz Soc: Nosso enfoque está no âmbito da cooperação bilateral. Nesse sentido, contribuímos principalmente com nossos compatriotas, recebendo-os e dando espaço para os voos que chegam e partem dos Estados Unidos. Eles chegam à rampa militar, recebemos nossos conacionais e lhes damos todas as facilidades, para que possam chegar em segurança às suas comunidades.
Isso nos permite contribuir com a segurança da região, porque, se não o fizermos, eles ficam muito vulneráveis e poderíamos ter os efeitos colaterais das ameaças transnacionais, que são incentivadas pela vulnerabilidade da situação, para realizar atividades que não são boas para a sociedade.
Diálogo: Quais são as medidas ou acordos que a Guatemala tem com nações parceiras para combater as organizações criminosas transnacionais, que se dedicam ao narcotráfico e se aproveitam dos migrantes, alimentando a violência e a insegurança?
Gen Bda Choz Soc: Os acordos estão no conceito de apoio bilateral e multilateral. Dessa forma, participamos de diferentes fóruns e conferências, onde podemos intercambiar informações críticas, para poder desenvolver nossas operações em diferentes espaços.
Cito alguns exemplos: participamos da Conferência de Exércitos Americanos, onde o crime transnacional é um tema comum. Temos a Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas, onde a segurança e o desenvolvimento da região centro-americana também são temas comuns. Obviamente, há a conferência mais recente, a Conferência Centro-Americana de Segurança CENTSEC, e temos operações em exercícios como PANAMAX e CENTAM-Guardian, todos com um objetivo comum.
Diálogo: No final de fevereiro, foi anunciada a ampliação do terminal portuário Quetzal, no Oceano Pacífico, com o apoio do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA. Qual é a importância da cooperação dos Estados Unidos em projetos de infraestrutura estratégica, não apenas para a economia, mas também para a defesa da Guatemala?
Gen Bda Choz Soc: Sem dúvida, há uma importância financeira que incentiva nossa economia. Do ponto de vista da Guatemala, nos permitirá atender ao fluxo comercial que se desenvolve por via marítima, já que 90 por cento do comércio internacional é movimentado por mar. Portanto, a modernização desse porto nos permite ter essas capacidades e contribuir com a economia.
Do ponto de vista da segurança e da defesa, fortalecerá nossa capacidade de exercer a autoridade marítima e a soberania nas águas nacionais e internacionais, o que nos permitirá responder à ameaça comum que afeta a região e o hemisfério: o narcotráfico.
Diálogo: Este ano, a Guatemala é o CENTAM Guardian, um exercício multinacional na América Central, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), que se concentra em assistência humanitária, resposta a desastres e segurança. Como as Forças Armadas da Guatemala se preparam para receber tal exercício?
Gen Bda Choz Soc: O planejamento começou em 2024. Realizamos três reuniões muito importantes, duas na Guatemala e uma em Miami, Flórida. Esta última foi realizada em março de 2025. Levamos a preparação aos detalhes, para poder desenvolver esse exercício que, em termos estratégicos, fala sobre fortalecer nossas capacidades de resposta a ameaças transnacionais e resposta a desastres, onde podemos exercer a ajuda humanitária, bem como fortalecer nossas capacidades em ciberdefesa.
Diálogo: Qual é a importância para a Guatemala de ser a anfitriã do exercício CENTAM Guardian, para a segurança da região e para continuar melhorando a interoperabilidade entre as nações participantes?
Gen Bda Choz Soc: Representa uma excelente oportunidade estratégica, que nos posiciona para aumentar a liderança e, dessa forma, contribuir com o desenvolvimento regional em matéria de segurança nacional, interoperabilidade e intercâmbio de informações, o que é extremamente vital. Tudo isso nos permite continuar crescendo em nível regional e ter a oportunidade de exercer essa liderança.
Estamos muito felizes, muito motivados e, ao mesmo tempo, reconhecemos a grande responsabilidade que esse compromisso acarreta. Confiamos em Deus e em nossas unidades, para que tudo corra bem e possamos alcançar o objetivo desse exercício.


