Exército Brasileiro forma em 2021 primeira turma de mulheres combatentes

Exército Brasileiro forma em 2021 primeira turma de mulheres combatentes

Por Taciana Moury/Diálogo
abril 13, 2021

O ano de 2021 vai entrar para a história do Exército Brasileiro (EB), com a formatura da primeira turma de mulheres da tradicional Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), instituição com 210 anos de existência. Esse novo ciclo começou em 2018 com a inédita participação das mulheres entre os 414 novos cadetes oriundos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

De acordo com o comandante da AMAN, General de Brigada do EB Paulo Roberto Rodrigues Pimentel, em 2021 completa-se um ciclo inédito de formação na AMAN. “A inserção das mulheres na linha combatente marca a valorização da mulher, em estreito alinhamento da nossa instituição com a sociedade”, disse o Gen Bda Pimentel à Diálogo.

A Cadete Giovana Abrão Santos (centro), aluna do último ano, é uma das cadetes pioneiras da AMAN. (Foto: Exército Brasileiro)

Atualmente, na AMAN estudam 141 cadetes do segmento feminino nos quatro anos de ensino. “Das cerca de 450 vagas oferecidas no concurso anualmente, aproximadamente 10 por cento são destinadas às mulheres”, explicou o comandante da AMAN.

A Cadete Giovana Abrão Santos, uma das que irão se formar no final de 2021, revelou à Diálogo a expectativa ao iniciar o último ano de formação. “Como nos anos anteriores, as atividades operacionais se destacam dentre os desafios, já que carregam consigo fatores fisiológicos ainda pouco experimentados com o segmento feminino. Mas, apesar disso, acredito que o maior desafio seja provar a capacidade da mulher de trabalhar bem e honrar o espaço que temos conquistado”, destacou.

Para a cadete, que irá se formar no Quadro de Intendência do EB, ser uma das pioneiras do quadro feminino da AMAN é motivador, mas traz responsabilidades e cobranças. “Os desafios não fogem daqueles comuns a todos os cadetes e são enfrentados com o máximo de empenho, pois sabemos que a imagem da mulher combatente depende do nosso desempenho, o qual refletirá também nas próximas turmas que chegarem”, ressaltou.

As mulheres já integravam o efetivo do EB nas linhas de ensino científico-tecnológico, de saúde e complementar, desde 1992. “A realidade que se apresentará agora, a partir do final deste ano, será a inserção de oficiais do segmento feminino na linha combatente do Exército nos corpos de tropa”, revelou o Gen Bda Pimentel. “É uma mudança de paradigma até então vigente, oferecendo às mulheres a oportunidade de contribuir ainda mais com a Força Terrestre”, concluiu.

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