A cooperação entre os Estados Unidos e o Caribe tornou-se um pilar essencial para a segurança regional, baseada em uma aliança estratégica profunda e duradoura. Nas últimas quatro décadas, uma estrutura coerente de programas econômicos e de segurança permitiu que os Estados caribenhos desenvolvessem capacidades para enfrentar ameaças transnacionais, contribuindo para a estabilidade e a prosperidade de todo o Hemisfério Ocidental. Essa aliança é definida pelo apoio mútuo e pelo compromisso compartilhado com valores comuns.
Uma base de prosperidade e segurança compartilhadas
A aliança é construída sobre uma base de cooperação econômica e segurança. A Lei de Recuperação Econômica da Bacia do Caribe (CBERA), em vigor desde a década de 1980, tem sido um pilar fundamental para a estabilidade econômica, promovendo o comércio e o crescimento na região. Posteriormente, ela foi complementada pela Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe (CBSI), que ampliou o escopo da cooperação, para incluir vigilância marítima, combate ao tráfico de drogas e capacitação de forças de segurança, programas que são a base de uma parceria mutuamente benéfica.
Essas iniciativas não são apenas ajuda unilateral; são uma resposta direta às necessidades comuns da região. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Caribe, com uma relação que cresceu significativamente nas últimas décadas. Esse vínculo econômico fortalece a base para a cooperação em segurança, já que as ameaças à estabilidade do Caribe são um desafio direto à prosperidade de todo o hemisfério.
Alinhamento estratégico de alto nível
No mais alto nível, a parceria é consolidada por meio de diálogo estratégico e exercícios colaborativos. A Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC), um fórum estratégico anual patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), reúne líderes militares e de segurança para coordenar respostas a desafios comuns, como crime organizado, desastres naturais e ameaças cibernéticas. Esse diálogo de alto nível serve de base para a capacitação no terreno, que faz com que a aliança seja tão eficaz.
O treinamento conjunto constitui um pilar fundamental dessa relação estratégica. O exercício anual Tradewinds, patrocinado pelo SOUTHCOM, é entre ais principais atividades multinacionais de preparação em segurança para o Caribe, onde as forças dos EUA e regionais se capacitam juntas para combater as redes criminosas, prestar assistência humanitária e responder a desastres.
Uma estrutura crucial para essa colaboração de longo prazo é o Programa de Parceria Estatal (SPP), que vincula unidades da Guarda Nacional dos EUA com nações parceiras. Por exemplo, o Acampamento de Treinamento Regional do Caribe (CRTC) de 2025, realizado de 12 a 27 de julho, reuniu soldados da Guarda Nacional do Distrito de Columbia com seus homólogos da Força de Defesa da Jamaica (JDF) e da Força de Defesa de Barbados, para realizar um treinamento conjunto sobre exercícios de combate e técnicas de armas de fogo. A Guarda Nacional de Dakota do Sul também realizou recentemente um intercâmbio de guerra na selva com as Forças Armadas do Suriname. Essas atividades do SPP são fundamentais para fomentar a confiança e os procedimentos comuns necessários para uma resposta verdadeiramente unificada para proteger a região.
Além disso, a JDF organizou recentemente o Exercício Event Horizon 2025, um importante evento multinacional e multi-institucional, que contou com a participação dos EUA. Esse exercício testou a cooperação regional em áreas como segurança marítima, busca e resgate e segurança cibernética, reforçando a prontidão coletiva para proteger a região.
A parceria também tem um componente humanitário significativo. As forças militares dos EUA são regularmente destacadas para missões que fornecem apoio médico, odontológico e de engenharia, demonstrando o compromisso da aliança com a saúde pública regional e a resiliência a desastres. Exemplos recentes incluem a Equipe de Assistência Médica das Pequenas Antilhas (LAMAT) 2025, que incorporou pessoal médico em hospitais de países como Santa Lúcia e Guiana, para prestar cuidados e intercambiar conhecimentos. Da mesma forma, a missão AMISTAD 2025 prestou atendimento clínico no Suriname, enquanto o USNS Comfort foi destacado na região para a missão Promessa Contínua 2025, oferecendo uma ampla gama de serviços em nações como Granada, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Essas missões não apenas prestam serviços essenciais, mas também fomentam a confiança e a interoperabilidade entre o pessoal militar e civil para crises futuras.
Frente unificada contra o crime transnacional
A aliança estratégica é mais evidente na luta bem-sucedida contra o crime transnacional. A geografia do Caribe torna a região um corredor importante para o tráfico de drogas, pois estima-se que 15 por cento do tráfico de cocaína no Hemisfério Ocidental passa pela região. Como disse à Diálogo o especialista em segurança, Daniel Pontón, professor da Universidade de Pós-Graduação do Estado, no Equador, essa atividade ilícita é exacerbada pela cumplicidade do regime venezuelano, que permite que o fluxo de drogas chegue ao Caribe a partir da região de Catatumbo. Isso faz com que a segurança da região seja uma responsabilidade coletiva de todos os países do hemisfério.
Em resposta, as forças dos EUA e do Caribe trabalham lado a lado para desmantelar essas redes criminosas. A Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF-Sul), com oficiais de ligação de mais de 20 nações parceiras, monitora o tráfico de drogas e coordena as interdições com as guardas costeiras dos EUA e da região. Essa cooperação produz resultados tangíveis. Em agosto de 2025, o USCGC Hamilton apreendeu uma quantidade histórica de narcóticos ilegais – mais de 34,5 toneladas – no Caribe e no Pacífico Oriental. Da mesma forma, o USCGC Vigilant interceptou 1.450 quilos de drogas ilícitas no sul da República Dominicana. Essas operações são uma prova da coordenação perfeita da aliança e do esforço coletivo para proteger a região.
Além da interdição de drogas, a parceria apoia o desenvolvimento de capacidades mais amplas. Na Jamaica, a polícia concluiu um curso de evidências forenses, ministrado pela Agência Federal de Investigação (FBI), e lançou o projeto Resiliência e Transformação Comunitária (CREATE), para reduzir a violência local.
Em Trinidad e Tobago, uma nova unidade policial de elite foi criada no final de 2024 com formação da Administração para o Controle de Drogas dos EUA (DEA). Esses esforços demonstram que a aliança não se concentra apenas nas operações em alto mar, mas também no fortalecimento do Estado de Direito e no aprimoramento da segurança interna em toda a região.
“A cooperação internacional com as ilhas do Caribe é essencial, pois elas não poderiam enfrentar essas ameaças sozinhas”, afirmou Pontón. “A cooperação dos EUA se estende às esferas política, tecnológica e financeira, consolidando alianças para combater eficazmente o crime organizado.”
A parceria também inclui assistência direta em matéria de segurança e doações. Por exemplo, em setembro de 2024, o Programa de Assistência Humanitária do SOUTHCOM doou duas unidades médicas móveis a Trinidad e Tobago, aprimorando a capacidade do país para responder a desastres. Em julho de 2025, os Estados Unidos e Belize assinaram um Memorando de Cooperação para uma Parceria de Intercâmbio de Dados Biométricos, fortalecendo a segurança nas fronteiras, ao permitir o acesso a bancos de dados norte-americanos de criminosos e terroristas conhecidos.
Olhando para o futuro: consolidação da aliança
A força dessa aliança é uma âncora geopolítica fundamental para o Hemisfério Ocidental. A presença dos EUA na região, através de uma sólida rede de iniciativas de cooperação em segurança, parcerias e capacitação, proporciona às nações caribenhas as ferramentas necessárias para defender sua soberania e combater influências malignas. Como Pontón concluiu, “a cooperação dos EUA […] proporciona aos países caribenhos as ferramentas para coordenar e aumentar sua capacidade de manobrabilidade geopolítica”. Essa parceria duradoura não apenas protege a região contra ameaças imediatas, mas também garante sua estabilidade contínua diante de desafios globais mais amplos.


