Estudo: O deslocamento de venezuelanos superará o dos sírios

Estudo: O deslocamento de venezuelanos superará o dos sírios

Por Voz da América
janeiro 21, 2020

A crise humanitária da Venezuela está em vias de superar a dos refugiados sírios e, nos próximos meses, poderá se tornar a maior da história moderna, afirma um estudo da Instituição Brookings.

O estudo, divulgado no dia 9 de dezembro de 2020, faz a comparação: 4,6 milhões de venezuelanos abandonaram seu país até o momento, enquanto na Síria o número de refugiados em 2015 era de 4,8 milhões. No entanto, a crise de refugiados sírios já está contida e a da Venezuela tende a aumentar.

A Brookings prevê que 6,5 milhões de venezuelanos residam no exterior até 2020, segundo números do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o ACNUR, e que se a crise humanitária na Venezuela se fortalecer, essas cifras chegarão a 8 milhões.

Entretanto, o estudo destaca que a resposta da comunidade internacional tem sido pequena em relação à magnitude do deslocamento humano.

Em resposta à crise da Síria, a comunidade internacional mobilizou grandes somas de capital, que atingiram US$ 7,4 bilhões em quatro anos. Para a Venezuela, em um período de tempo similar, foram destinados apenas US$ 580 milhões. Isso representa, segundo o estudo, um valor per capita de US$ 1.500 para cada refugiado sírio e de US$ 125 para cada venezuelano.

O documento ressalta que, diferentemente de outras crises de refugiados, a da Venezuela não é resultado de uma guerra ou conflito convencional, mas sim das condições que os venezuelanos enfrentam diariamente em seu país, que não são muito diferentes do que ocorre em uma zona de guerra.

“O colapso econômico que precedeu as sanções internacionais se destaca porque não foi causado por forças externas ou distúrbios internos: foi fabricado pelos que estão no poder e, portanto, seria totalmente evitável”, diz o relatório.

A Venezuela está se tornando um Estado falido, se é que já não o é. A escassez de água e energia elétrica passou a ser regra geral e a violência generalizada, às vezes com a cumplicidade das forças de segurança do governo, torna o país um dos mais violentos do mundo, acrescenta o documento.

O estudo da Brookings afirma que os venezuelanos que fogem são refugiados e merecem a proteção associada a essa condição, mas até agora o peso dessas responsabilidades tem caído sobre os vizinhos da região, principalmente Colômbia, Equador e Peru, que receberam muito pouco apoio da comunidade internacional, em comparação com outros deslocamentos históricos.

Até o momento, esses três países continuam solicitando mais colaboração para poder fazer frente à corrente migratória.

Essa situação levou alguns países da região a impor barreiras à entrada de venezuelanos. Assim o fizeram Equador, Peru e Chile e, mais recentemente, a República Dominicana, que anunciou que exigirá um visto dos migrantes da Venezuela.

O relatório diz que não existem soluções simples, porque a crise é politicamente complexa, extensa e envolve mais de 17 nações que acolhem refugiados, e propõe uma maior coordenação entre esses países e os doadores.

“A crise dos refugiados venezuelanos já atingiu uma escala global. Portanto, ela agora requer que a resposta também seja dada em nível global”, concluiu o estudo da Brookings.

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