Parceiros em igualdade de condições contra o crime organizado transnacional

Equal Partners against Transnational Organized Crime

Por Geraldine Cook/Diálogo
janeiro 11, 2017

“Queremos ser parceiros em igualdade de condições”. Essas foram as boas-vindas do Major Brigadeiro Mark D. Kelly aos 50 participantes da Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central. O Maj Brig Kelly, comandante do 12o. Comando de Combate Aéreo da Força Aérea dos EUA/Forças Aéreas Sul (AFSOUTH, por sua sigla em inglês) e anfitrião do evento, saudou os chefes das forças aéreas e seus representantes de Belize, Colômbia, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, afirmando que “aprendemos tanto com os nossos parceiros quanto eles conosco”. Os representantes do Programa de Parceria do Estado da Guarda Aérea Nacional dos EUA e do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês), entre outros, também estavam presentes no evento, que ocorreu na Base da Força Aérea de Davis-Monthan, em Tucson, Arizona, em 12 e 13 de dezembro, para garantir a troca de experiências, objetivos e desafios comuns entre as nações parceiras, a partir da perspectiva da força aérea. “O melhor sobre a realização da conferência aqui é que ela oferece a eles [chefes das forças aéreas] um fórum distante de todas as nações de origem e onde estão todos em igualdade de condições, com o mesmo status”, disse o Maj Brig Kelly. “Ela oferece aos chefes das forças aéreas um local e algum tempo dedicado para ficarem juntos e perceberem que eles têm desafios bastante comuns na região.” Precisamente, a Conferência de Chefes das Forças Aéreas é um evento anual focado nos desafios de segurança comuns, a partir da perspectiva da força aérea que os Estados Unidos compartilham com suas nações parceiras na América Latina e no Caribe. Nessa ocasião, o evento concentrou-se especificamente na América Central. “A importância de estar aqui com todos os outros chefes das forças aéreas da América Central é, para nós, a de compartilhar informações sobre como podemos desenvolver novas táticas para combater o crime organizado transnacional a partir da perspectiva da aviação”, disse o Major Jermaine Nolan Burns, oficial de comando da Ala Aérea da Força de Defesa de Belize. O compartilhamento de informações e a colaboração entre as nações é o caminho para combater redes criminosas. “Estar com outros chefes das forças aéreas da América Central nos ajuda a analisar onde estão as lacunas e decidir como podemos proceder para eliminá-las, discutindo onde está o problema e como cada um o está combatendo em seus respectivos países. Tentamos modelar nossas táticas a partir do que cada um de nós faz essencialmente através da avaliação de nossas conquistas”, acrescentou o Maj Burns. Agenda da conferência A agenda dos chefes das forças aéreas durante o evento de dois dias contou com inúmeras reuniões informativas, fornecidas por AFSOUTH, Força Tarefa Conjunta Interagentes - Sul (JIATF-S, por sua sigla em inglês), Força Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo, por sua sigla em inglês) e pelo programa de cooperação de segurança regional Plano de Ação Colômbia-EUA (USCAP, por sua sigla em inglês). Também foram realizadas reuniões bilaterais com o Maj Brig Kelly. Além disso, eles tiveram uma visita guiada às Base de Operações para Demostrações de Estática das Aeronaves A-10 e C-130, ao 309o Grupo de Manutenção e Recuperação Aeroespacial e visitaram o 612o Centro de Operações Aéreas. Finalmente, encontraram-se com representantes do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA). “O evento nos permite compartilhar experiências para tratar dos riscos e combater ameaças comuns que afetam nossas nações”, disse o Brigadeiro Piloto Richard Vázquez Jimenez, comandante em exercício geral da Força Aérea da República Dominicana. “Isso nos permite coordenar esforços para confrontrá-las [as ameaças comuns].” Durante as reuniões, os participantes discutiram sobre as redes de ameaças transregionais e transnacionais (T3N, por sua sigla em inglês) em operação na região, especificamente, as gangues e a violência que geram em toda a América Central. Os chefes das forças aéreas expressaram sua preocupação com a expansão das maras (gangues) em outros países e suas sangrentas atividades criminosas. “As maras, embora dependam do tráfico de drogas, também podem trabalhar independentemente dele [para cometer outros crimes]. Elas já estão no meu país e começaram a cometer atos de terrorismo”, disse o Brigadeiro Jorge Ruíz Serovic, comandante da Força Aérea da Guatemala. Seu homólogo de El Salvador concorda com ele. “Temos um alto índice de mortes diárias como resultado da atividade de gangues, seguido pelo tráfico de drogas. Nosso principal problema são as gangues, que também afetam a economia do nosso país, sua estabilidade e segurança”, disse o Coronel Salvador Ernesto Hernández Vega, comandante da Força Aérea de El Salvador. Os chefes das forças aéreas observaram que um único país não pode combater sozinho o crime organizado transnacional. “Atualmente, um país não pode combater o crime organizado transnacional por conta própria. É necessária uma unidade de informações muito grande, além de - no caso específico das forças aéreas - ter aeronaves e mecânicos para a sua manutenção, para sermos capazes de confrontá-los”, completou o Ten Brig Ruíz. Combate ao crime organizado “A meta da conferência é oferecer um fórum para os nossos parceiros - tanto internacionais quanto de outras organizações dos EUA - para discutir nossa capacidade de combater o crime organizado transnacional”, disse o Major da Força Aérea dos EUA Arthur “Chip” Barton, estrategista de Assuntos Políticos Americanos na AFSOUTH e organizador do evento. “Este fórum permite a cooperação e uma discussão aberta dos problemas que estão afetando as nações parceiras individualmente e entãotrabalhar juntos para descobrir soluções inovadoras para combater esses problemas.” Cada país da América Central tem uma perspectiva única quando se trata de temas da conferência, de acordo com o Maj Barton. Isso ficou claro quando os chefes das forças aéreas das nações parceiras analisaram as ameaças de segurança que cada um dos países enfrentou como resultado das T3N. “As relações com os países são fortes... As perspectivas exclusivas dos chefes das forças aéreas são fundamentais para a discussão regional sobre como os países podem participar das soluções comuns.” Na sua opinião, a conferência tem um papel fundamental para todos os participantes e “o investimento deles será recompensado em longo prazo”. A criação do relacionamento entre os países é uma etapa principal para a cooperação futura e a Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central é um excelente cenário para a troca de ideias e informações. “Este evento é importante, pois ajuda a estabelecer relacionamentos. Gostaríamos de ter mais parcerias com mais países na América Latina. Eu creio que em Porto Rico temos muito a oferecer”, disse o Brigadeiro Wayne Zimmet, assistente adjunto geral, comandante da Guarda Nacional do Ar de Porto Rico. “É mais importante estar cara a cara pois, quando as coisas acontecem ou quando você quer que algo seja feito, é esse reconhecimento, é esse contato real que faz a grande diferença, especialmente na cultura latina.” Tyrone Barbery, vice-chefe da divisão de Cooperação em Segurança da AFSOUTH, concordou. “Isso nos permite que nos aproximemos de comandantes para ver como é possível ajudarmos uns aos outros e encontrar soluções para problemas comuns... Se pudermos fazer algo coletivamente com essa sinergia, como uma equipe, podemos alcançar muito mais do que seria possível por um país apenas.” Os participantes do evento concluíram que apenas por meio do trabalho conjunto a região como um todo poderia combater as T3N. “A prioridade número um da Costa Rica é ser uma aliada estratégica regional na luta contra o crime organizado”, afirmou o Capitão Juan Luis Vargas Castillo, diretor do Serviço de Vigilância Aérea do Ministério de Segurança Pública. Uma das principais parcerias estratégicas entre as forças aéreas do Hemisfério Ocidental é o SICOFAA, uma organização voluntária, apolítica, dedicada à promoção da cooperação, unidade e interoperabilidade entre as forças aéreas. “O SICOFAA é uma organização vital para empregar corretamente nossa capacidade aérea em todo o continente”, disse o Tenente Brigadeiro do Ar Carlos Eduardo Bueno Vargas, comandante da Força Aérea da Colômbia. “Queremos trabalhar juntos para evitar que crimes transnacionais, como redes de contrabando e tráfico de drogas, usem a região da América Central; assim, impediremos o uso de nosso espaço marítimo, aéreo e terrestre para seus atos ilegais”, concluiu o Cel Hernández.
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