O Equador continua lutando contra as organizações criminosas transnacionais (OCTs) que têm causado estragos no país sul-americano. O presidente do Equador, Daniel Noboa, recentemente pediu às nações parceiras que ajudassem a apoiar sua guerra contra as drogas, argumentando que seu país precisa de mais forças armadas para combater grupos terroristas.
Atingido por uma onda de violência, o Equador tomou uma série de medidas, incluindo o envio de milhares de soldados para todo o território e a declaração de um “conflito armado interno”, que continua em vigor. O governo Noboa também recorreu a novos estados de emergência para conter a agitação interna e restaurar a segurança, com uma recente prorrogação anunciada no início de outubro para várias províncias costeiras importantes, incluindo El Oro, devido ao aumento do crime organizado e dos ataques direcionados.
Fronteira reforçada e bases estratégicas
Entre algumas de suas medidas recentes, o governo equatoriano disse que construiria duas bases militares provisórias na fronteira com o Peru, na província de El Oro, para combater as OTCs, cuja presença aumentou na região. A situação de segurança nesta fronteira continua instável, levando o governo peruano a também reforçar seu lado da fronteira devido ao transbordamento da atividade criminosa do Equador.
Entre as OTC estão grupos armados mexicanos, venezuelanos e colombianos, incluindo o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), conhecido por sua extrema violência. O Equador e os Estados Unidos designaram vários cartéis, incluindo o CJNG, o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua, como organizações terroristas.
As bases serão localizadas em Pasaje e Puerto Bolívar, pontos estratégicos onde as TCOs usam a infraestrutura portuária para traficar grandes carregamentos de cocaína, camuflados entre produtos de exportação. Com essa medida, o Equador busca reforçar a segurança e cortar as rotas usadas pelos narcotraficantes e pelo crime organizado.
“Essas bases foram estrategicamente selecionadas como parte de um plano de inteligência militar e policial que, com o apoio de tecnologia avançada, busca bloquear os movimentos e as rotas usadas por essas organizações”, disse Jorge Serrano, assessor da Comissão de Inteligência do Congresso peruano, à revista Diálogo em uma entrevista em abril. “O objetivo é impedir sua expansão e evitar que se estabeleçam permanentemente naquela região.”
Em pé de guerra
“Estamos em guerra. Estamos enfrentando uma ofensiva de grupos criminosos e agora é nossa vez de lançar uma contraofensiva”, disse o presidente Noboa em entrevista à emissora equatoriana Radio Canela. Noboa disse que o Bloco de Segurança está em processo de reorganização, mobilizando recursos e pessoal para as áreas mais afetadas pelas organizações narcoterroristas, que se envolvem em guerras territoriais pelo controle.
“O Equador está enfrentando uma crise alarmante. Ele está cercado pela Colômbia e pelo Peru, onde operam os cartéis de drogas mais poderosos”, disse Serrano. “Ele também sofre a influência da Venezuela, onde o crime organizado mantém alianças com redes terroristas internacionais.”
Segundo Serrano, “um fator-chave nessa crise é a expansão do Tren de Aragua, designado como organização terrorista, apoiado pelos regimes da Venezuela e de Cuba. Ao contrário de outros grupos criminosos, ele não busca apenas lucro, mas também opera como uma ferramenta de desestabilização regional, por meio de ataques com objetivos políticos”.
Puerto Bolívar
“As novas bases fazem parte do esforço do Equador para recuperar território e fortalecer a segurança na região”, disse Serrano. “Um ponto crítico é Puerto Bolívar, um dos principais portos do país, que foi praticamente tomado por gangues narcoterroristas, por meio de suborno e violência contra as forças de segurança.”
Puerto Bolívar, localizado em Machala, capital da província de El Oro, já foi um destino gastronômico e turístico. Agora, enfrenta uma crise de segurança sem precedentes. A violência decorrente da disputa entre grupos criminosos que operam em seu porto pesqueiro mergulhou a comunidade no medo, com relatos de ataques coordenados a bombas em residências e empresas que continuaram ao longo de outubro.
“Dezenas de famílias abandonaram suas casas devido ao aumento dos assassinatos e ataques a bombas em residências e empresas”, informou o jornal equatoriano Primicias. De acordo com o jornal, em resposta, as forças de segurança intensificaram as patrulhas em áreas estratégicas para conter a onda de violência.
Campo de batalha e apoio internacional
Gangues locais e grupos terroristas como Los Choneros estão envolvidos em uma disputa entre o CJNG e o Cartel de Sinaloa, que buscam controlar rotas importantes para o tráfico de drogas e armas na América Latina, bem como os corredores para o transporte de cocaína da costa equatoriana para a América Central, os Estados Unidos e a Europa, informou o jornal mexicano El Sol de México.
O Departamento de Estado dos EUA identificou tanto o CJNG quanto o Cartel de Sinaloa como líderes no tráfico de fentanil para os Estados Unidos.
De acordo com Serrano, “as novas bases equatorianas permitirão que operações de inteligência sejam realizadas em cooperação com os Estados Unidos, para identificar e capturar os líderes e principais operadores dessas organizações terroristas transnacionais”.
Os Estados Unidos têm sido firmes em seu apoio ao Equador na luta contra o narcoterrorismo, implementando vários programas que incluíram treinamentos para policiais equatorianos, as Forças Armadas e o sistema judicial. Esse apoio foi ainda mais solidificado em setembro de 2025, com as designações de Los Lobos e Los Choneros como Organizações Terroristas Estrangeiras, o que abre caminho para maiores mecanismos de compartilhamento de inteligência e financiamento do contraterrorismo.
“A aliança com os Estados Unidos tem um impacto positivo no Equador, fortalecendo o treinamento de suas forças militares e de segurança para agir”, disse Serrano. “Hoje, as forças equatorianas estão mais bem equipadas, mais bem preparadas e têm um sistema de inteligência mais sofisticado do que há alguns anos.”
Para Serrano, a designação pelos EUA de cartéis mexicanos, gangues centro-americanas e o Tren de Aragua como organizações terroristas estrangeiras marca um ponto de inflexão na luta contra o crime organizado na região. “Com essa medida, surge a oportunidade de fortalecer a colaboração entre os serviços de inteligência nacionais, para desenvolver uma estratégia conjunta para combater essa ameaça de forma mais eficaz.”
Observação: este artigo é uma versão revisada e atualizada de um relatório publicado originalmente em abril de 2025.


