Encobrimento da China atrasou resposta global ao coronavírus, diz o consultor de Segurança Nacional dos EUA

Encobrimento da China atrasou resposta global ao coronavírus, diz o consultor de Segurança Nacional dos EUA

Por Steve McLoud
março 17, 2020

Ao “encobrir” o surto inicial do coronavírus, a China atrasou em dois meses uma resposta global efetiva, disse o consultor de Segurança Nacional dos EUA Robert O’Brien, durante o seu discurso em um evento na Fundação Heritage, um grupo conservador de investigação em Washington, D.C., no dia 11 de março.

Ele mencionou evidências que incluíram declarações de fonte aberta de cidadãos chineses, dizendo que os médicos estavam sendo silenciados ou postos em isolamento, para que as notícias sobre o vírus não fossem divulgadas.

O’Brien disse que se a China tivesse cooperado no início do surto, a Organização Mundial de Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos poderiam ter enviado equipes à China mais cedo, para analisar o desenvolvimento do vírus.

“Acho que teríamos reduzido dramaticamente o que aconteceu na China, como também o que está ocorrendo agora em todo o mundo”, acrescentou O’Brien.

A repreensão de O’Brien ao governo da China coincide com as considerações do secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo. “Lembrem-se, foi o coronavírus de ‘Wuhan’ que causou isso”, disse Pompeo, referindo-se à capital da província de Hubei, no centro da China, onde o surto começou em novembro de 2019. “E a informação que obtivemos quando tudo começou não era perfeita, o que nos fez perder muito tempo e nos atrasou em relação ao desafio que enfrentamos hoje”, acrescentou.

As observações de Pompeo e de O’Brien estão de acordo com uma campanha que está sendo elaborada pelo senador Marco Rubio, da Flórida. Em um artigo publicado no New York Post no dia 3 de março, o senador Rubio escreveu que o Partido Comunista da China está disseminando desinformação para culpar os EUA pelo vírus, com o objetivo de atenuar o descontentamento na China, desviar a atenção dos verdadeiros índices de infecção e da repressão que estão exercendo contra a sua população, e para “livrar a cara internacionalmente”.

Outros exemplos que o senador Rubio citou incluem o site militar chinês Xilu.com, que recentemente publicou um artigo afirmando, sem qualquer corroboração, que o vírus é “uma arma bioquímica fabricada pelos EUA para atingir a China”. Nas redes sociais, o porta-voz do ministro chinês das Relações Exteriores Zhao Lijian também está divulgando a mesma teoria conspiratória, com postagens aos seus mais de 300.000 seguidores no Twitter.

Rubio também disse que além da China, a desinformação vem da Rússia e do Irã, o país mais duramente atingido no Oriente Médio.

“Em Qom, marco zero do surto de coronavírus no Irã, um conhecido clérigo acusou os Estados Unidos de introduzirem o vírus ‘para danificar a cultura e a honra (da cidade)’”, escreveu Rubio.

“O povo iraniano, em consequência, adotou poucas medidas de precaução, e o país agora passa por uma das mais graves epidemias do mundo, inclusive com o seu vice-presidente e altas autoridades governamentais tendo sido confirmados como infectados”, acrescentou.

Na China continental, onde o vírus apareceu pela primeira vez, mais de 3.000 pessoas morreram com a doença, enquanto outras 80.000 foram infectadas e mais de 58.000 já se recuperaram até o momento.

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