El Salvador combate gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha

El Salvador Fights Barrio 18, Mara Salvatrucha Gangs

Por Lorena Baires/Diálogo
outubro 23, 2018

Grupos de elite da Força Aérea de El Salvador (FAES), da Polícia Nacional Civil (PNC) e da Promotoria Geral da República realizaram duas operações interagências para desarticular uma estrutura de testas de ferro que permitia que a gangue Barrio 18 lavasse o dinheiro proveniente do tráfico de pessoas, de extorsões e do narcotráfico. As duas intervenções terminaram no dia 4 de setembro de 2018. Com a Operação Tsunami, realizada no estado de La Libertad, e a Operação Libertad, realizada a nível nacional, as autoridades capturaram 224 líderes da gangue, acusados de lavar mais de US$ 1,2 milhão.

Lavagem de dinheiro

“As operações tinham o objetivo de capturar os líderes da estrutura que serviam como testas de ferro e apreender os imóveis que eles utilizavam para movimentar e fazer crescer o dinheiro obtido ilegalmente”, disse à Diálogo Howard Cotto, diretor-geral da PNC. “Conseguimos enfraquecer a rede financeira da Mara Salvatrucha (MS-13) e agora começamos a golpear a Barrio 18, exatamente nos locais onde as gangues cometem mais assassinatos violentos e praticam extorsão.”

A gangue Barrio 18 utiliza “laranjas” para abrir negócios como mercearias e lojas de eletrônica, restaurantes, transportes coletivos e bens imobiliários. “Já conseguimos confiscar 17 imóveis, entre residências e locais comerciais, diversos veículos e 19 contas bancárias”, disse à Diálogo Douglas Meléndez, procurador-geral de El Salvador. “As autoridades identificaram movimentações de mais de US$ 1,3 milhão nessas contas bancárias.”

Quatro suspeitos foram presos por lavagem de dinheiro e ativos. A primeira detida foi Reyna Isabel Molina, proprietária de várias mercearias e locais comerciais situados no município costeiro de La Libertad, que foi apontada como responsável por lavar dinheiro do subgrupo Barrio 18 Sureños, produto do tráfico de pessoas. “Dezessete veículos, uma oficina mecânica, quatro ônibus, sete locais comerciais e 12 imóveis foram confiscados dela”, informou Cotto.

Entre os detidos figura também um casal acusado de movimentar dinheiro através de depósitos de bebidas, da venda de alimentos e do aluguel de imóveis residenciais. Com o dinheiro lavado eles adquiriram 10 imóveis para a gangue Barrio 18. “Algumas pessoas identificadas na investigação fugiram para países como o México. No entanto, com esse golpe solucionamos mais de 50 homicídios, roubos, extorsões e associações ilícitas”, acrescentou Meléndez.

O quarto detido é Manuel Benjamín Romero, um indivíduo conhecido na gangue como El Morado, a quem se atribui a movimentação de US$ 1,2 milhão, produto da prática de extorsões, do tráfico em pequenas proporções e de outras atividades ilegais. Os militares de elite também prenderam Carlos Farabundo Molina, ex-prefeito do município de Puerto de La Libertad, acusado do pagamento de US$ 3.000 à Barrio 18 pelo assassinato de uma mulher.

Contra a MS-13

A FAES desarticulou várias estruturas da MS-13 que se dedicavam à lavagem de dinheiro e ao narcotráfico em diversas operações. Nesta ocasião, as autoridades identificaram que havia quatro subgrupos da gangue infiltrados na região costeira do país.

A Operação Cerro Verde, realizada no dia 28 de agosto de 2018, facilitou o deslocamento de grupos de elite da FAES em 25 municípios de sete estados litorâneos do país, onde capturaram mais de 400 líderes de subgrupos da gangue que formavam uma rede de narcotráfico. Como ocorreu em outros casos, o dinheiro ilícito era lavado através de diversos negócios como motéis, lava-jatos e vendas de veículos usados.

O centro comercial Megaplaza de Sonsonate também sofreu intervenção, pois a MS-13 praticava extorsões contra alguns negócios pelo uso dos banheiros. Foram ainda confiscados 30 automóveis, 18 caminhões, 20 trailers, 11 casas e dois negócios dos membros da gangue.

Quatro dos detidos são peças-chave para o funcionamento da rede, segundo a Procuradoria. Entre eles está Guillermo Stanley Corleto Ruiz, um pastor evangélico ligado ao subgrupo Acajutla Locos, dono de uma agência de veículos usados e de um lava-jato. “O pastor dava atestados falsos aos membros da MS-13, dirigidos ao Departamento de Liberdade Assistida da Corte Suprema de Justiça, onde afirmava que [os criminosos] haviam prestado serviços à comunidade quando, na verdade, nunca o haviam feito”, disse Meléndez. Foi também capturado Gustavo Neftalí Pérez de León, subinspetor policial destacado no município de Acajutla, no estado de Sonsonate, acusado de cooperar com os criminosos.

Como resultado da operação também foi detido Jorge Vega Knight, um empresário de motéis e sócio de negócios da gangue. Vega foi encontrado em uma luxuosa residência da colônia San Benito, zona nobre de São Salvador. Por último, prenderam Gilberto Ortega Fuentes, “dono de barcos pesqueiros, sócio de negócios de Gerardo Antonio Avelar, um líder da MS-13, no estado de Usulután”, garantiu Meléndez.

A Cerro Verde foi a sexta operação de grande magnitude que as autoridades coordenaram contra as finanças da MS-13 nos últimos três anos. No dia 16 de março de 2018 houve duas intervenções denominadas Libertad e Testaferros. No dia 15 de fevereiro de 2018 foi realizada a Operação Cuscatlán; no dia 8 de setembro de 2017, foi efetuada a Operação Tecana; e nos dias 28 e 29 de julho de 2016, a Operação Jaque.
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