Corpo de Engenharia do Exército do Equador conecta comunidades afetadas pelo terremoto

Ecuadorean Army Corps of Engineers Connects Communities Affected by Earthquake

Por Alex Ormaza/Diálogo
agosto 19, 2016

Uma ponte portátil tipo Bailey foi extremamente importante para conectar o aeroporto de Tachina com a cidade de Esmeraldas, no Equador. A ponte pré-fabricada para uso militar serviu para evacuar e levar ajuda às vítimas do terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter que afetou o país andino no dia 16 de abril, deixando 671 mortos e mais de 6.000 feridos. A ponte havia sido anteriormente instalada de forma temporária pelo Corpo de Engenharia do Exército do Equador (CEE, da sigla em espanhol) como parte do projeto de construção de um complexo de sete pontes na região. "Por sua versatilidade e flexibilidade, essas pontes nos permitem chegar a locais bastante distantes e proporcionam um fluxo contínuo. Neste caso, para dar acesso a lugares aonde não se podia levar ajuda humanitária ou a zonas onde outras pontes desabaram", disse à Diálogo o General Pedro Mosquera Burbano, comandante do CEE é engenheiro civil graduado pela Escola Politécnica do Exército do Equador. "Sempre tivemos como base as pontes do tipo Bailey". Horas depois do terremoto, o Batalhão Puentes do CEE recebeu a ordem de deslocar-se para as zonas afetadas pelo abalo sísmico, assinalou o Gen Mosquera. "Nosso escalão superior, o Comando Conjunto das Forças Armadas, através do Comando do Exército, nos ordenou coordenar com diferentes ministérios para realizar trabalhos como implementação de vias, acesso a água potável e ativação de abrigos para os desalojados." O Batalhão Puentes estava preparado para atuar frente a desastres naturais. "Instalamos um pouco mais de 300 metros dessas pontes depois do terremoto e, em certas ocasiões, tivemos que reposicionar outras, e nesse sentido se fez um levantamento de pontes que não estavam na rede primária." O CEE conta com seis batalhões de engenheiros de combate. Os critérios foram realocar as populações que originalmente só podiam ser acessadas por via aérea. "Enviamos nossos soldados para realizar os reconhecimentos técnicos, obstáculos a vencer e condições de encostas. A missão era não ter populações isoladas e acessar as cidades mais afetadas, como Pedernales, Manta, Portoviejo, Canoa e Bahía de Caráquez", disse o Gen Mosquera. "Nós nos concentramos nas cidades menores, no norte de Manabí; nas maiores, o ministério de Obras Públicas, Conselhos Provinciais e outras autoridades começaram a fazer seus trabalhos." O CEE também recebeu a ordem de se concentrar na manutenção dos albergues, das vias e das pontes. Em sua tarefa de avaliação dos danos, o CEE determinou que várias pontes necessitavam de reparos ou de reinstalação. “Algumas haviam caído e outras haviam sofrido danos e precisavam de reparos", disse à Diálogo o Tenente-Coronel do Exército Freddy Merizalde, chefe do Estado Maior do CEE. "Reinstalamos uma ponte do tipo "Mabey Johnson" de 55 metros que apresentava problemas nos suportes na cidade de Jama e outra sobre o rio Portoviejo, no local chamado Torre Agua", acrescentou o Ten Cel Merizalde. "Construímos também 35 abrigos nos dias após o terremoto." Outra ponte avaliada foi a de Los Caras, que liga a Baía de Caráquez a San Vicente, uma das obras emblemáticas do Exército do Equador. "Por enquanto fazemos nela manutenções menores e, dentro de pouco tempo, começaremos a manutenção de longo prazo", disse o Gen Mosquera. Essa ponte havia sido construída pelo CEE e inaugurada em 4 de novembro de 2010, com uma extensão de 1.980 metros e é a mais comprida do país. Segundo dados do Exército, oito desses albergues foram construídos na província de Esmeraldas e 27 na província de Manabí, as mais afetadas pelo terremoto. O CEE retirou 96.000 m3 de escombros, purificou mais de 7 milhões de litros de água, transportou 60.000 m3 de material rochoso, limpou 3.240 m3 de material arrastado para as estradas, entre outros. Instalação de pontes Bailey As pontes Bailey vêm sendo usadas pelo Exército do Equador há décadas. "Há décadas que trabalhamos com pontes Bailey, então estamos acostumados a falar de pontes dupla-dupla, simples-dupla, tripla-simples, algo muito comum no linguajar dos engenheiros militares equatorianos", disse o Gen Mosquera. "Inclusive para a construção de pontes de grandes dimensões, as pontes Bailey nos servem de obra falsa, ou seja, a partir delas podemos fazer o lançamento de vigas muito compridas e complexas." Nessa modalidade, "instalamos duas pontes, uma sobre o rio Aguarico e outra sobre o rio Tigre, na Amazônia equatoriana", acrescentou o Gen Mosquera. A ponte sobre o rio Aguarico, na província amazônica de Sucumbios, mede 90 metros de altura por 440 metros de comprimento e foi construída pelo CEE a um custo de US$ 29 milhões. Foi inaugurada em fevereiro de 2014. A ponte permite o fluxo diário de 1.300 veículos e evita a travessia em barcaças, que durava por volta de 40 minutos. A ponte El Tigre, que atravessa o rio Guamaní, na província amazônica de Napo, foi construída pelo CEE a um custo de US$ 11,5 milhões e foi inaugurada apenas uma semana antes do terremoto de abril.
Share