Força Aérea Equatoriana incorpora mulheres pilotos ao esquadrão de transporte

Ecuadorean Air Force Incorporates Female Pilots in its Transport Squadron

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
março 27, 2018

As 1º tenentes da Força Aérea Equatoriana (FAE) Vanessa del Rocío Puga e Diana Estefanía Ruíz Solís passaram a ser, no final de janeiro de 2018, as primeiras mulheres pilotos a ingressar em um esquadrão da Ala de Transporte Nº 11, após sua graduação no Curso de Piloto Operacional de Transporte Nível II Twin Otter, na Base Aérea Cotopaxi. Desde 20 de março de 2018, as oficiais começaram a ajudar em missões operacionais em zonas remotas do país.

“Agora, temos duas mulheres pilotos encarregadas de voar equipamento de transporte. É motivo de orgulho que, na unidade, as mulheres possam voar e demonstrar todas as suas capacidades”, comentou com a Diálogo o Tenente-Coronel da FAE Edison Puga Castro, comandante da Ala de Transporte Nº 11. “A participação da mulher na aviação militar de transporte é fundamental.”

De novembro de 2017 a janeiro de 2018, as pilotos foram submetidas a uma formação intensiva junto com os oficiais do sexo masculino, que incluiu uma fase no simulador de voo da aeronave Twin Otter. Todos os participantes concluíram de forma satisfatória o treinamento e alcançaram a pontuação exigida e padronizada pela FAE.

“Sermos as primeiras mulheres pilotos do Esquadrão Nº 1113 da Ala de Transporte Nº 11 é uma honra e um orgulho”, disse a 1º Ten Puga. “Não só demonstramos, a cada dia, que somos capazes de fazer as coisas, como também abrimos as portas para que as mulheres que vêm depois de nós possam realizá-las de uma melhor maneira.”

“Graças ao curso e à soma de muitos desafios, estamos prontas para cumprir a missão a qualquer hora e em qualquer lugar”, manifestou à Diálogo a 1º Ten Ruiz. “Para o cumprimento das missões, devemos ter os cinco sentidos no avião, dentro da cabine, para operar em qualquer situação de emergência”, acrescentou a 1º Ten Puga.

No Equador, os pilotos devem trabalhar em cenários de difícil acesso porque operam em pistas não preparadas, em aeroportos de altura e com condições meteorológicas difíceis. “A aviação militar [do Equador] atua em uma orografia especial. Opera nos Andes e nas três regiões adicionais que o país tem, o que torna especial a atividade aeronáutica”, disse o Ten Cel Puga Castro.

Alas solidárias

A Ala de Transporte Nº 11 transporta pessoal militar armado e equipado para cumprir diferentes missões de segurança e defesa no Equador. Além disso, são desenvolvidos trabalhos de reconhecimento aéreo em toda a extensão do território nacional, como parte do combate a atividades ilícitas. A unidade está encarregada de dar apoio em casos de emergências e desastres naturais. Também executa operações em benefício da comunidade.

“Desde 20 de março [de 2018], todo o nosso esquadrão participa da missão operacional Asas para a Integração, com transporte de pessoas e carga às áreas de difícil acesso da zona oriental do Equador, também conhecida como a Amazônia”, comentou a 1º Ten Ruíz. “A população dessas comunidades só pode se deslocar por via aérea ou fluvial; eles necessitam de nossos recursos aéreos para deslocar-se. A Força Aérea leva esperança a essa região.”

O Ten Cel Puga Castro recordou que a Ala Transporte Nº 11 da FAE foi fundamental durante o terremoto de abril de 2016. Pilotos e técnicos realizaram centenas de voos de transporte de tropas e assistência humanitária; eles levaram alimentos e medicamentos às cidades afetadas.

“Na zona oriental equatoriana [formada por sete províncias], existem várias comunidades nativas isoladas de qualquer ajuda. Com estas aeronaves, ajudamos a população a melhorar a qualidade de vida e a integrar-se à sociedade”, assegurou a 1º Ten Puga. “A Asas para a Integração estará operando nessa região do país até que a nossa Força Aérea indique outra missão”, acrescentou a 1º Ten Ruíz.

Mulheres pilotos na FAE

Conseguir a presença feminina em trabalhos militares não foi tarefa fácil. Em 1966, a FAE abriu suas portas à primeira mulher. Em 2000, a Escola Superior Militar de Aviação recebeu as primeiras aspirantes a oficiais especialistas em comunicação social, finanças, medicina e arquitetura. Muitos anos tiveram que se passar até que a instituição abrisse suas portas às mulheres nas missões da aeronáutica, em 2007.

A FAE implementou uma evolução institucional para criar as condições que permitissem a incorporação das mulheres. Foi necessário transformar parte da legislação, da infraestrutura, das normas, das leis e dos regulamentos para que as mulheres pudessem se desenvolver com todas as garantias e com todos os direitos, para assegurar sua formação.

“Desde que ingressou na FAE, o pessoal feminino começou a enfrentar desafios”, comentou o Ten Cel Puga Castro. “Na operação militar, a atividade física não pode exigir de uma mulher o mesmo de um homem, mas no voo é diferente; as exigências são as mesmas e as mulheres têm que cumprir tudo o que os homens fazem.”

“Conviver com nossos companheiros homens é um desafio”, acrescentou a 1º Ten Puga. “Porém, já estamos acostumadas e todos os dias damos o melhor de nós para continuarmos nos integrando e mantendo uma convivência de camaradagem com eles.”

Hoje em dia, a FAE conta com mulheres nos diferentes ramos da aviação, como transporte, resgate em helicópteros e aviação de combate. “Agora, as mulheres têm as mesmas possibilidades que os oficiais homens para chegar às mais altas hierarquias na instituição aérea, porque são oficiais de armas. As mulheres pilotos podem chegar ao comando da FAE ou ao comando das Forças Armadas no futuro”, disse o Ten Cel Puga Castro.

A inclusão não é apenas questão das forças armadas, mas um pouco mais da sociedade em si. “As portas da FAE estão abertas; a decisão está agora com a mulher equatoriana. O caminho está traçado para que elas o percorram”, finalizou a 1º Ten Puga. “As mulheres só têm que se decidir, dar o seu melhor desempenho, profissionalismo, esforço e dedicação”, acrescentou a 1º Ten Ruíz.
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