Equador recomeça manobras militares no UNITAS LIX-18

Ecuador Takes Up Military Maneuvers at UNITAS LIX-18

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 29, 2018

A Marinha do Equador, junto com 13 forças navais da América e da Europa, destaca seu poderio militar no Caribe colombiano, no UNITAS LIX-18, de 30 de agosto a 12 de setembro. A Marinha Nacional da Colômbia será a anfitriã da edição 2018 do maior exercício de guerra marítima do planeta, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e dirigido por seu componente marítimo, as Forças Navais do Comando Sul (NAVSO em inglês).

“O Equador retornou a todos os eventos multinacionais ligados às operações navais. Foi um desafio. Nós o fizemos a partir das conferências iniciais de planejamento e agora está materializado com a presença da corveta de mísseis BAE Esmeraldas, de um avião de vigilância marítima, um avião de transporte, um helicóptero e do pessoal designado”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Darwin Jarrín Cisneros, comandante de Operações Navais da Marinha do Equador. “O desafio acontece junto com a nossa participação também do exercício militar PANAMAX [2018] e como observadores pela primeira vez do componente marítimo RIMPAC [2018].”

O UNITAS é, desde 1960, o exercício marítimo de maior importância da Marinha dos Estados Unidos. Seu objetivo é manter treinadas as forças navais das marinhas das nações parceiras da América Latina, para intensificar sua capacidade combinada de proteger a vida humana no mar e os interesses marítimos regionais e continentais das nações no âmbito jurídico internacional.

O exercício terá a participação das marinhas da Argentina, do Brasil, do Canadá, do Chile, da Costa Rica, do Equador, dos Estados Unidos, de Honduras, da Inglaterra, do México, do Panamá, do Peru, da República Dominicana e da Colômbia, como país anfitrião pela quarta vez. O exercício consistirá de operações navais conjuntas de interdição marítima, guerra antissuperfície e combate ao crime organizado transnacional.

“Devemos trabalhar de forma integrada com as marinhas dos países vizinhos, com as nações parceiras, porque as ameaças e os riscos que enfrentamos se apresentam com magnitude e violência por [causa] do narcotráfico, da pesca ilegal e dos desastres naturais. Não se trata de uma problemática apenas equatoriana, mas sim regional e mundial”, destacou o C Alte Jarrín. “Os treinamentos permitem ao Equador navegar junto com as marinhas da região para fortalecer os laços de amizade e garantir a segurança.”

“Construímos parcerias, construímos amizades e desenvolvemos a confiança”, disse o Contra-Almirante Sean S. Buck, comandante da NAVSO, em um comunicado. “A confiança não pode surgir, não pode aparecer em tempos de crise; ela precisa ser cultivada e conquistada com o tempo e esses exercícios servem para fazer exatamente isto.”

Recuperar o espaço perdido

As capacidades navais utilizadas pelas diferentes marinhas no UNITAS são as manobras de superfície, a defesa antiaérea, a assistência humanitária e o auxílio em desastres, os exercícios submarinos e de mergulho e os estudos de meteorologia, hidrografia e oceanografia. “As atividades permitem que nossa marinha se mantenha atualizada, que fortaleça o nível de treinamento, que possa fazer intercâmbio de conhecimentos e experiências com as marinhas que participam permanentemente de todas essas operações; elas permitem também que trabalhemos de maneira combinada e conjunta, para enfrentar qualquer tipo de ameaça”, disse o C Alte Jarrín.

Os militares equatorianos farão parte da Força-Tarefa de Operações do UNITAS LIX-18 e participarão de uma manobra de ajuda humanitária à comunidade colombiana. “Estaremos em todos os níveis, tanto na condução como nas operações”, destacou o C Alte Jarrín. “Retomamos o caminho e queremos fazê-lo com todo o nosso compromisso e entusiasmo, porque é preciso recuperar o espaço perdido e o nível de treinamento em exercícios multinacionais.”

Uma nova maneira de pensar

“Temos que visualizar os cenários cada vez mais complexos; devemos repensar os conceitos antigos de soberania, o uso dos recursos e das forças armadas, de acordo com as exigências do mundo atual”, declarou o C Alte Jarrín. “Poderíamos pensar em navios de múltiplas bandeiras, navios com tripulações regionais e inclusive uma unidade naval que opere com tripulação colombiana-equatoriana ou equatoriana-peruana, ou das três nacionalidades, para que a força do Estado seja aplicada onde quer que seja, até mesmo em alto mar. O narcotráfico ou a pesca ilegal devem ser vistos como agressões a todo o sistema interamericano.”

O C Alte Jarrín disse que as marinhas devem visualizar também o cenário cada vez mais complexo das operações de ajuda humanitária em casos de desastres. Ele lembrou que o Equador recebeu apoio internacional durante o terremoto de 2016, depois que o governo equatoriano solicitou ajuda às nações parceiras para prestarem assistência às zonas mais afetadas. O oficial destacou que na parte naval a Marinha da Colômbia e a Marinha de Guerra do Peru somaram seus esforços e capacidades para ajudar aos equatorianos.

“Dadas as complexas ameaças que se estendem sobre o Hemisfério Ocidental, é impossível estabelecer uma verdadeira segurança e o estado de direito sem uma estratégia marítima multinacional integral”, disse em um comunicado o Contra-Almirante (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA David G. Bellon, comandante da Força do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Sul. “Para ser eficaz, essa estratégia deve incluir todos os países; eles devem trabalhar juntos para reduzir o crime transregional e aliviar o sofrimento humano causado pelos desastres naturais.”

O Equador tem um Plano de Fortalecimento do Poder Naval projetado até 2030, que envolve a renovação da infraestrutura de segurança dos espaços marítimos, a modernização de duas unidades submarinas, o fortalecimento das capacidades de controle do Corpo de Fuzileiros Navais e a recuperação da capacidade de mobilidade das corvetas Manabí e Loja. O plano também inclui a recuperação das capacidades e a eficiência do sistema de vigilância aeromarítima. “Essas necessidades estão em processo de execução e são necessárias para a participação em treinamentos multinacionais. É preciso começar muito, muito lentamente”, finalizou o C Alte Jarrín.
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