Equador e Peru desativam minas em fronteira comum

Ecuador and Peru Deactivate Mines along Shared Border

Por Alex Ormaza García/Diálogo
novembro 29, 2017

Equador e Peru propuseram-se a declarar a área fronteiriça de Tiwintza livre de minas antipessoais até 2018. A Ata de Brasília, assinada em 26 de outubro de 1998, selou a paz entre as duas nações.

“O cálculo é que possamos declarar Tiwintza livre de minas em 2018 com três jornadas de trabalho; em 2017, esperamos completar quatro jornadas”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel do Exército do Equador Ignacio Fiallo, comandante do Batalhão Cotopaxi e da Unidade Binacional de Desminagem. Para conseguir esse objetivo, os dois países realizaram a terceira jornada de 2017 entre setembro e outubro.

A Unidade Binacional de Desminagem realiza três tipos de procedimentos de desminagem: manual, com cães e com robôs. O primeiro ocorre com detectores de metais; o segundo, com cães treinados que encontram os explosivos com o olfato; e no terceiro, usam máquinas de seis toneladas com martelos para detonar os explosivos.

Desminagem humanitária

Para desminar toda a fronteira comum restante, os dois países criaram a Unidade Binacional de Desminagem Humanitária (UBDH), através da qual o exército de cada país erradica os explosivos em seus respectivos territórios e ambos trabalham em conjunto com mapas e cartilhas. Os encarregados de desativar as minas são membros da unidade binacional, a qual treina 1.054 desminadores desde o ano 2000.

“Entre 1998 e 1999, determinamos quais territórios cada país desminaria e iniciamos um programa de desminagem”, disse à Diálogo o vice-ministro de Defesa do Equador Felipe Vega de la Cuadra. “Entre 2000 e 2017, liberamos mais de 506.000 metros quadrados de minas em cinco províncias fronteiriças. Também destruímos 12.000 minas antipessoais, 74 minas antitanques e 27 restos de explosivos de guerra em Tiwintza.”

Entre os trabalhos de organização desenvolvidos, Vega destacou os manuais de procedimentos e de operações, assim como as cartilhas e os protocolos de evacuação aerotransportada para casos emergenciais. Este último permite que um helicóptero peruano entre para evacuar feridos da área equatoriana de Tiwintza com a simples permissão da unidade de desminagem binacional.

“Ainda há 125.000 metros quadrados a serem liberados, dos quais 30.500 estão na região de Tiwintza, e 94.500 nas áreas de desminagem humanitária”, disse Vega. “Existe uma sintonia perfeita com o Peru para a desminagem.”

Convenção de Ottawa

Os dois países andinos fazem parte das 162 nações signatárias da Convenção de Ottawa, adotada em 1997 para impulsionar a proibição universal do uso de minas antipessoais, imposta como meta para declarar o mundo livre de minas antipessoais até 2025. Tanto o Equador quanto o Peru solicitaram a Ottawa uma prorrogação para a desminagem de suas fronteiras.

O Equador explicou em 2016 que não poderia cumprir o prazo em outubro de 2017 devido ao terremoto de 7,8 graus na escala Richter, que atingiu o país em abril de 2016, deixando 673 mortos e milhares de feridos; seu novo prazo é 2021. Por sua parte, o Peru pediu uma extensão até dezembro de 2024 para cumprir o objetivo.

“O terremoto nos obrigou a atrasar o trabalho de desminagem e, portanto, nos concentramos em atender a população civil, para quem tivemos que reconstruir infraestrutura, produzir água potável e fornecer segurança”, disse o Ten Cel Fiallo. “Parte do atraso se deve ao surgimento de novos mapas de áreas minadas, além do clima e do difícil acesso às regiões de selvas. No país inca, as minas antipessoais foram colocadas ao longo da fronteira com o Equador nas regiões de Amazonas, Cajamarca, Piura e Tumbes.

Acreditamos que em 2021 teremos desminado completamente as províncias de Zamora Chinchipe e Morona Santiago, que é onde está a maior parte das minas”, disse o Ten Cel Fiallo. “Também eliminamos 260.000 minas antipessoais de nossos depósitos, atendendo ao mandato de Ottawa.” As outras províncias equatorianas onde se realiza a desminagem são Loja, El Oro e Pastaza.

Unidade Binacional de Desminagem Humanitária

Para honrar a Ata de Brasília e ratificar sua vocação pacifista, Peru e Equador se propuseram a criar a UBDH durante o I Encontro Presidencial e V Gabinete Binacional entre Peru e Equador, realizados em Chiclayo, no Peru, em 29 de fevereiro de 2012. Desde a sua criação, a unidade humanitária foi colocada à disposição da Organização das Nações Unidas (ONU) para que a mobilize para regiões do planeta que precisem de seus serviços e experiência quando for necessário.

“É o melhor exemplo para o mundo”, disse Vega referindo-se à UBDH. “A ideia é de que, quando terminemos as tarefas, esta unidade formada por uma companhia peruana e uma equatoriana, cada uma com 12 esquadras de desminagem, possa estar a serviço da ONU para atender a desminagem humanitária no mundo”, finalizou.
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