Equador e Colômbia cooperam na luta contra o crime organizado

Por Dialogo
novembro 28, 2013



O presidente do Equador, Rafael Correa, e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, discutiram os diálogos de paz em andamento entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) durante um encontro binacional que ocorreu em 25 de novembro de 2013.
Os dois líderes encontraram-se na região de fronteira entre os dois países, na cidade colombiana de Ipiales.
Correa, Santos e os ministros das Relações Exteriores dos dois países, além de diversos ministros equatorianos e colombianos, reuniram-se por cerca de quatro horas para discutir o progresso dos acordos alcançados durante o I Gabinete Binacional entre os dois países. Esse primeiro encontro ocorreu em 2012, na cidade de Tulcán, no Equador.
Após o encontro de 25 de novembro, Correa e Santos assinaram oito acordos sobre questões como segurança, transportes, educação, turismo e indústria petrolífera.

Cooperação na luta contra o crime organizado

Segundo Correa, os dois países realizaram acordos positivos que fortalecerão a cooperação na luta contra os cartéis de drogas e outras organizações do crime organizado.
“Onde nos reunimos, a maior parte de nossos objetivos era de segurança. Tivemos que dar ao crime transnacional uma resposta coletiva dos dois países”, disse Correa durante o encontro com as autoridades colombianas.
Equador e Colômbia compartilham uma área de fronteira de 730 km de extensão. As FARC e outros grupos do crime organizado, assim como criminosos comuns, atuam na região. Membros do crime organizado e criminosos comuns traficam drogas, contrabandeiam armas, realizam tráfico de seres humanos e cometem outros crimes na região de fronteira.
Ambos os países têm trabalhado em estreita cooperação em questões de segurança nos últimos anos.

A captura de "Palustre"

Por exemplo, em agosto de 2013, as forças de segurança equatorianas capturaram Jorge Dominguez, procurado na Colômbia acusado de ser líder de gangue. Ele é conhecido como “Palustre” e é suspeito liderar Los Ratrojos, uma violenta organização colombiana do narcotráfico.
Los Rastrojos traficam cocaína, maconha e heroína, e também praticam garimpo ilegal de ouro. Los Rastrojos foram criados em meados do ano 2000 por Wilber Varela, que era líder da organização de narcotráfico o Cartel Norte do Vale. Varela formou Los Rastrojos quando rompeu com Diego Leon Montoya, com quem dividia a liderança do Cartel Norte do Vale. Montoya é conhecido como “Don Diego”.
Em setembro de 2007, as forças de segurança colombianas capturaram Don Diego. Através da cooperação com os Estados Unidos, em dezembro de 2008, autoridades colombianas extraditaram Don Diego para os EUA para enfrentar acusações federais de prática de narcotráfico. Varela, conhecido como “Jabón”, foi morto em janeiro de 2008. Autoridades suspeitam que ele foi assassinado por comparsas do crime organizado.
De acordo com José Serrano, ministro do Interior do Equador, Palustre foi deportado para a Colômbia.

Violência das FARC

Nos últimos anos, cerca de 57.000 colombianos atravessaram a fronteira com o Equador para fugir da violência causada pelas FARC, de acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
O Equador recebeu bem os refugiados, disse Correa, acrescentando que eles “não saíram do país por livre vontade, mas porque foram afugentados pela violência.”
Devido à violência causada pelas FARC, a Colômbia é o país com o maior número de pessoas deslocadas internamente no mundo, segundo um relatório emitido pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno (IDMC).
A Colômbia possui 4,9 milhões de pessoas deslocadas, de acordo com o relatório do IDMC. Grupos violentos do crime organizado são responsáveis pela maior parte do deslocamento, segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Em 2012 houve 137 deslocamentos em massa na Colômbia, que deslocaram mais de 9.000 colombianos, de acordo com a ACNUR.

Violência e ameaças

A violência causada pela luta entre os grupos do crime organizado, incluindo gangues de rua e organizações transnacionais do narcotráfico, é responsável pela maioria dos deslocamentos, de acordo com a ACNUR. Milhares de pessoas fugiram de suas comunidades colombianas para escapar das ameaças das FARC e de outros grupos do crime organizado, que pressionam adolescentes e jovens para unir-se às organizações e atuar em empreendimentos ilícitos, tais como o garimpo ilegal de ouro.
A violência do crime organizado causou deslocamentos de pessoas em todas as regiões da Colômbia. Os departamentos mais afetados incluem Nariño, Cauca, Valle del Cauca, Cordoba e Antioquia, segundo a ACNUR.

A importância da cooperação

Devido à fronteira comum e ao enfrentamento das mesmas questões de segurança, a cooperação entre Equador e Colômbia é crucial na guerra contra o crime organizado, disse um analista de segurança.
“Colômbia e Equador possuem muitas quetões importantes comuns que precisam combater juntos. Então, os gabinetes binacionais são um grande passo no sentido de conquistar esses objetivos comuns”, explicou Hector Chavez, analista de segurança da Universidade de Guayaquil. “Nós precisamos ter em mente que, devido aos desafios que as FARC apresentam à Colômbia e à região, a segurança sempre deve ser um dos principais assuntos a serem tratados entre os dois países.”

Santos agradece a Correa

Santos, o presidente colombiano, agradeceu a Correa, o presidente equatoriano, pelo apoio que ele tem dado ao processo de diálogos de paz com as FARC. Autoridades colombianas têm-se encontrado com representantes das FARC em Havana. As conversações iniciaram-se em 2012
As forças de segurança colombianas têm combatido as FARC por mais de 50 anos.
Santos disse que agradece o apoio que Correa verbalizou durante os diálogos de paz.
“Eu quero reiterar meu agradecimento ao contínuo apoio [de Correa] ao processo de paz. Desde o início, ele está atento e indicou sua vontade de colaborar com o processo, que ele define como importante não apenas para a Colômbia, mas para toda a região”, declarou Santos.
Autoridades inauguraram a Ponte Internacional de Rumichaca durante o encontro binacional. A ponte foi concluída em oito meses.

Tratado para lutar contra o crime de fronteira

Uma semana antes de Correa e Santos se encontrarem, os principais promotores públicos do Equador e da Colômbia assinaram um acordo para melhorar a troca de informações no que diz respeito ao contrabando de armas, tráfico de seres humanos e outros crimes ao longo da fronteira entre os dois países.
O acordo foi assinado durante a XXI Assembleia da Associação Americana dos Promotores Públicos, que ocorreu em Quito, Equador. Durante o encontro, autoridades da Colômbia e do Equador discutiram que ferramentas legais eles poderiam compartilhar para lutar contra as organizações criminosas transnacionais.
O Equador está propondo a criação de um Tribunal Criminal da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) que possa expedir a investigação e a punição de crimes cometidos por grupos organizados que atravessam fronteiras internacionais. A ideia é apoiada por autoridades colombianas.
Essa corte seria especializada em casos envolvendo réus pertencentes a grupos do crime organizado, disse o Procurador-Geral colombiano, Eduardo Montealegre.

Troca de camisas esportivas

Os presidentes Santos e Correa trocaram presentes de seus países natais no final da conferência binacional. Os dois chefes de Estado trocaram camisas esportivas de suas respectivas seleções nacionais de futebol, que competirão na Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá no Brasil.
“Boa sorte na Copa da Mundo, vocês têm um grande time, exceto quando vocês jogam com o Equador, é claro”, disse Correa rindo ao presentear a camisa da seleção nacional do Equador ao presidente Santos.




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