República Dominicana intensifica luta contra o narcotráfico

Por Dialogo
outubro 16, 2013




SANTO DOMINGO, República Dominicana – A apreensão de mais de 1 t de cocaína, realizada no início de outubro por agentes antinarcóticos dominicanos, é mais um sinal do sucesso do país centro-americano na luta contra grupos de crime organizado transnacionais.
Maior ponto de transbordo no Caribe para drogas destinadas aos Estados Unidos e à Europa, a República Dominicana também lidera a batalha contra o contrabando de narcóticos.
Com uma série de apreensões recentes, as autoridades dominicanas esperam bater o recorde de 9 t de cocaína confiscadas em 2012.
O major-general Julio César Souffront Velázquez, presidente da Direção Nacional de Controle de Drogas (DNCD), disse recentemente que as forças antinarcóticos dominicanas estão “comprometidas a não permitir que o narcotráfico e seus tentáculos se apropriem de uma sociedade que aspira a seguir a trilha de um desenvolvimento saudável e pacífico”.
Segundo Velázquez, várias unidades do sistema de segurança dominicano estão trabalhando em conjunto contra o tráfico de drogas, o que resultou em uma série de operações antinarcóticos bem-sucedidas.
Em 9 de outubro, as autoridades apreenderam mais de 1 t de cocaína em um pequeno barco a 14 milhas náuticas da costa sul do país, em outra grande ação policial. Os agentes prenderam três homens após uma operação antidrogas que envolveu forças aéreas, marítimas e terrestres do Exército Dominicano.
A bordo do bote azul Eduardoño, os agentes encontraram 1.060 pacotes que deram resultado positivo no teste para cocaína, o que torna a carga de 1.110,5 kg uma das maiores já confiscadas pelas autoridades dominicanas em meses, de acordo com o Instituto Nacional de Ciências Forenses (INACIF).
Miguel Medina, porta-voz da DNCD, disse que a operação exigiu coordenação entre a Marinha, a Força Aérea e uma unidade tática do departamento de Investigações Sensíveis do país, que “fizeram uma varredura em terra em busca de possíveis cúmplices” enquanto a intervenção era realizada no mar. Medina ressaltou a assistência da Agência Antidrogas dos EUA (DEA) e da Guarda Costeira dos EUA.
A bem-sucedida operação ocorreu em meio a um aumento do narcotráfico através do Caribe – 27 t de cocaína foram enviadas através da República Dominicana no primeiro semestre do ano, um crescimento de 23% em comparação com o mesmo período de 2012, de acordo com a DEA.
O país é o principal ponto de transbordo do Caribe, região responsável por 14% do tráfico de cocaína para os EUA nos primeiros seis meses do ano, de acordo com a DEA.
Mas, diante das grandes apreensões feitas pela República Dominicana, os traficantes começam a se mudar para outros lugares, de acordo com o pesquisador sobre narcóticos Daurius Figueira, residente em Trinidad.
“Haverá uma dramática redução no número de interdições na República Dominicana. Hoje, colombianos e venezuelanos usam lanchas para trazer drogas até a costa do país, mas isso será coisa do passado”, diz Figueira, autor do livro “Tráfico de Cocaína no Caribe e na África Ocidental na Era do Cartel Mexicano”, publicado recentemente.
Na República Dominicana, “os dias selvagens terminaram”, afirma Figueira.
Os dominicanos eliminaram os voos de drogas ilícitas provenientes da América do Sul, que traziam centenas de pacotes de cocaína ao país. Por isso, os traficantes optaram por rotas marítimas.
Com a ajuda de radares dos EUA que detectam barcos suspeitos, autoridades dominicanas realizaram grandes apreensões na costa sul.
Em 4 de setembro, agentes apreenderam cerca de 446 kg de cocaína e detiveram mais de dez supostos narcotraficantes após uma operação em um embarque marítimo, no início da manhã, que resultou em um tiroteio fatal.
A operação encerrou uma série de três grandes apreensões de drogas feitas por autoridades dominicanas em apenas três semanas.
Na metade de agosto, agentes da DNCD confiscaram cerca de 680 kg de cocaína em lanchas que supostamente vinham de Santo Domingo.
Em 2 de setembro, as autoridades dominicanas desmantelaram um laboratório clandestino de cocaína que foi descoberto em uma fazenda em um pequeno município 40 km a oeste da capital, Santo Domingo. Policiais apreenderam 225 kg de pasta de cocaína, suficientes para produzir 2 t de cocaína. Foi a primeira instalação desse tipo descoberta no país caribenho.

República Dominicana e Colômbia: unidas no combate às drogas

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, visitou em 3 de outubro a capital dominicana, Santo Domingo, e manteve reuniões com o ministro da Defesa dominicano, o almirante Sigfrido Pared Pérez, e com o presidente dominicano, Danilo Medina.
A Colômbia propôs compartilhar mais informações de inteligência com as forças de segurança dominicanas e coordenar missões contra o narcotráfico e o crime organizado, disseram os ministros em uma coletiva após os encontros.
“A colaboração oferecida pelo governo colombiano busca capacitar profissionais, além de manter e melhorar os níveis de informação que eles compartilham com agências de inteligência [da República Dominicana]”, disse Pared.
O acordo com a República Dominicana ocorreu no âmbito de uma viagem de “diplomacia de segurança” feita por Pinzón. Um dia antes de se encontrar com autoridades dominicanas, Pinzón assinou um acordo com a Guatemala para reforçar a segurança de rotas marítimas de narcotráfico.
“Temos visitado países irmãos na América Central e o Caribe buscando principalmente formas de cooperação e de assistência mútua para melhorar a segurança e a paz de nossos cidadãos”, disse Pinzón.
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