República Dominicana: Presidente eleito intensificará combate às drogas

Por Dialogo
maio 30, 2012




SANTO DOMINGO, República Dominicana – Danilo Medina, que venceu por uma margem apertada a presidência dominicana em 20 de maio, diz que quer reforçar as penas para traficantes de drogas e reprimir crimes de rua investindo na polícia nacional e nas forças armadas.

A campanha de Medina foi centrada, em grande parte, na continuação do trabalho do atual presidente, Leonel Fernández, que foi impedido constitucionalmente de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Ambos são membros do Partido de Liberação Dominicano (PLD).
Fernández liderou um período bem-sucedido de crescimento econômico, impulsionado em grande parte pelo turismo, ao mesmo tempo em que fortaleceu a capacidade das forças armadas, principalmente no combate ao tráfico de drogas.
O país é um importante entreposto para a cocaína sul-americana a caminho do vizinho Porto Rico e, cada vez mais, da Europa. No início do ano, representantes do governo alertaram que integrantes do temido cartel mexicano de Sinaloa estariam atuando no país para estabelecer rotas de narcotráfico.
Durante a campanha, Medina, que tomará posse em 16 de agosto, disse ser favorável a penas mais duras para narcotraficantes e assassinos de aluguel. Também prometeu demitir autoridades governamentais corruptas que permitem a narcotraficantes operarem impunemente.
No governo de Fernández, o país avançou no combate ao narcotráfico. A República Dominicana, que já foi escala preferida de voos de drogas ilícitos, investiu em pequenas aeronaves de combate para reduzir o tráfego aéreo ilegal.
Neste ano, autoridades confiscaram vários carregamentos grandes que tentavam entrar no país por mar. Em abril, foram apreendidos 1.500 kg de cocaína que chegavam de lancha. Nas semanas anteriores a essa apreensão, agentes da Direção Nacional de Controle de Drogas (DNCD) interceptaram duas outras cargas de cocaína de cerca de 1.400 kg no total.
Segundo Medina, a estratégia para reduzir ainda mais o tráfico de drogas é investir nas forças armadas e na polícia nacional.
“É preciso combater de duas maneiras. Combater o crime organizado estabelecendo políticas direcionadas para acabar com a impunidade de que esses narcotraficantes gozam”, afirmou, de acordo com uma cópia de seus discursos fornecida por sua campanha. “Em segundo lugar, é preciso assegurar melhores condições de vida aos integrantes das forças armadas.”
Medina destacou a necessidade de reajuste salarial para policiais e membros das forças armadas, que são persuadidos a se envolver no narcotráfico por conta dos negócios lucrativos oferecidos pelos criminosos.
Um policial ou agente militar “pode receber 20 anos de seu salário em apenas uma operação”, disse.
O salário inicial dos policiais é de cerca de 5.300 pesos dominicanos (R$ 270,54), valor que mal cobre despesas básicas.
Medina diz que mais empregos, principalmente para adolescentes e jovens, ajudariam a diminuir o tráfico. Combinado à alta taxa de desemprego, o narcotráfico cria “um terreno fértil” para a criminalidade, acrescenta.
A saída para escapar da armadilha, enfatiza Medina, é o progresso econômico.
“Quero criar uma classe média. Esta é a principal meta – ter uma população que possa gastar, que tenha a capacidade de consumir”, declarou à CNN em Espanhol após ser declarado vencedor da eleição.
A mensagem da campanha de Medina, de que era a “escolha segura”, repercutiu junto aos eleitores, segundo analistas políticos e pesquisas de boca de urna. A maioria dos eleitores que votaram em Fernández em 2008 escolheu Medina. Ele manteve 90% dos votos do partido, de acordo com pesquisas de boca de urna da ASISA Research, de Santo Domingo.
O desemprego era a principal preocupação dos eleitores, diz Dan Guzmán, analista da ASISA.
“Os dois candidatos prometeram criar o mesmo número de empregos”, lembra. “Mas havia preocupação com o passado de Mejía.”
Mejía foi presidente de 2000 a 2004, período de ruína econômica em que a taxa de desemprego atingiu 19% e o segundo maior banco do país quebrou em meio a escândalos.
Fernández liderou anos de forte crescimento econômico e ajudou o país caribenho a se tornar o destino mais visitado da região.
“Para mim, particularmente, o país melhorou com Fernández”, avalia Raúl Castillo, que votou em Medina na pequena cidade de San Cristóbal, em 20 de maio. “Espero que Danilo governe de forma parecida.”
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