República Dominicana, parceira do Haiti no combate ao narcotráfico

Dominican Republic, Haiti partner to bolster narcotics fight

Por Dialogo
maio 15, 2012




SANTO DOMINGO, República Dominicana – Autoridades do Haiti e da República Dominicana firmaram acordo para coordenar os esforços na luta contra o narcotráfico na ilha compartilhada pelos dois países.
A Direção Nacional de Controle de Drogas da República Dominicana (DNCD) afirmou que vai compartilhar recursos técnicos e logísticos com seus colegas haitianos para rastrear carregamentos de drogas enviados à ilha de Hispaniola.
O major general Rolando Rosado Mateo, que comanda o órgão, disse que o presidente Leonel Fernández instruiu os militares dominicanos a compartilhar recursos para ajudar o Haiti a lutar contra o narcotráfico.
“O presidente da República expressou um claro desejo de organizar os treinamentos necessários e compartilhar os recursos do sistema de defesa da República Dominicana para ajudar nessa luta em comum”, disse ele durante o anúncio dos acordos, em 20 de abril.
Além da DNCD, outros braços especializados das forças militares dominicanas, como a Força Aérea e unidades navais que rastreiam carregamentos aéreos e marítimos de drogas, participariam da troca de informações com o Haiti, disse Rosado Mateo.
A ilha de Hispaniola, segunda maior do Caribe, é há muito tempo um importante entreposto para traficantes que enviam cocaína e outras drogas da América do Sul a mercados nos Estados Unidos e na Europa.
De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas de 2010 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a quantidade de cocaína que passou pela ilha teve uma queda constante entre 2000 e 2004. Depois disso, houve um aumento. Em 2007, 9% de toda a cocaína enviada para os EUA passou pela região, informa o relatório.
Analistas temiam que o narcotráfico aumentasse no Haiti depois do terremoto de 2010, que destruiu boa parte da pequena capacidade institucional do país para combater o comércio de drogas.
Única força de segurança doméstica do país, a Polícia Nacional do Haiti não possui a capacidade nem os recursos humanos para cobrir seu território. E as embarcações usadas pela Guarda Costeira do Haiti, uma unidade da polícia, não têm alcance para patrulhar os 1.500 km de litoral.
O governo haitiano tenta dar suporte à força policial, com a assistência da missão de paz da ONU.
No ano passado, o Haiti apreendeu 33,6 quilos de cocaína e 435 quilos de maconha, segundo dados oficiais.
Através do acordo com a República Dominicana, o Haiti busca preencher algumas lacunas de segurança e treinar mais policiais.
Os dois países têm um longo histórico de tensão, marcado pela desconfiança e por grandes diferenças culturais.
No entanto, depois do terremoto de 2010, equipes de resgate dominicanas foram as primeiras a prestar assistência ao Haiti. Fernández visitou o país vizinho dois dias após a tragédia para discutir como seu país poderia ajudar.
Desde a visita de Fernández, a relação entre os dois países melhorou. O presidente haitiano, Michel Martelly, visitou Santo Domingo em março e recebeu uma medalha de honra, a mais alta distinção para líderes estrangeiros. Na ocasião, diversos acordos foram assinados.
“Eu agradeço em nome de meu governo pelo apoio oferecido pelas forças armadas e pela DNCD (...) e por toda a colaboração que nos ofereceram nessa área”, disse Fritz Cineas, embaixador haitiano na República Dominicana, durante o anúncio da parceria.
Cineas afirmou que o narcotráfico representa um problema para o Haiti e a República Dominicana. Por isso, é do interesse de ambos os países compartilhar informações e recursos humanos.
Rosado Mateo disse que as unidades dominicanas de combate às drogas estariam disponíveis para o Haiti “durante todo o tempo e sempre que necessário”.
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