Polícia dominicana desmantela rede de narcotraficantes

Dominican police dismantle international narco-trafficking ring

Por Dialogo
outubro 05, 2012




SANTO DOMINGO, República Dominicana – Uma “enorme” organização criminosa, que supostamente usava a República Dominicana como um centro de preparação de aviões destinados a contrabandear drogas para fora da América do Sul, foi desmantelada por agências antinarcóticos, segundo as autoridades.
Quinze suspeitos foram detidos, entre eles um tenente-coronel do Exército Dominicano e um importante empresário dono de uma pequena companhia aérea, informou a Direção Nacional de Controle de Drogas da República Dominicana (DNCD) em 1º de outubro.
A rede, formada por integrantes da República Dominicana, Jamaica, Colômbia, Venezuela, Porto Rico, Estados Unidos e Bahamas, teria trazido aviões ao país e os adaptado para voarem distâncias mais longas e levarem mais carga.
O grupo era uma engrenagem fundamental numa rede internacional que usava aeronaves para levar drogas da América do Sul, principalmente da Venezuela, rumo ao norte através de países como Honduras e Haiti, segundo a DNCD.
Em seu comunicado sobre as detenções, o general Rolando Rosado Mateo, chefe da DNCD, não estimou o volume de narcóticos que a organização supostamente ajudou a transportar usando esse esquema. Mas, em 3 de outubro, a imprensa dominicana, citando fontes do governo, informou que o grupo criminoso era parte do cartel Norte del Valle, que opera a partir da Colômbia e cresceu no fim dos anos 90.
O jornal dominicano El Día informou que o grupo trabalhava com o cartel Golfo do México. A reportagem e o número de pessoas de diferentes nacionalidades detidas em 1º de outubro enfatizam os temores das autoridades dominicanas, segundo as quais o país tem sido cada vez mais alvo de grupos criminosos internacionais.
O cartel de Sinaloa, rival da organização do Golfo, estabeleceu sua presença na região de Cibao, no norte da República Dominicana, segundo as autoridades.
A apreensão também expõe a profunda influência que os narcotraficantes conseguiram exercer no país. Entre os detidos, estão o tenente-coronel do Exército Juan Ramón Rosado Pérez, o ex-agente da Polícia Nacional Carlos Manuel Ramírez e o tenente da Força Aérea Henry Valdez García, que são acusados de ter recebido US$ 2.500 dos criminosos para manter aviões no país durante um mês. O sargento do Exército José Antonio Cleto Cruz também foi mantido em custódia por suposta participação na operação.
A investigação, que durou um ano e teve o apoio da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), revelou que soldados mobilizados no pequeno aeroporto da cidade de Constanza e funcionários de outros terminais deram proteção ao grupo.
“Essa organização conseguiu até penetrar nos controles dos aeroportos como resultado da assistência recebida nesses lugares, onde recrutaram civis e soldados de diversas patentes para realizar suas atividades sem problemas nem suspeitas”, afirmou Rosado.
Os agentes prenderam Rafael Senén Rosado Fermín, dono da Caribair, uma pequena companhia aérea, e os empresários Sergio René Gómez Díaz e José Vicente Figueroa Ortiz. Eles estão sendo investigados por lavagem de dinheiro.
“Sergio René Gómez Díaz era o cérebro [do grupo] e montou a estrutura fundamental na área da República Dominicana. Sua casa era o centro de operações”, disse Rosado.
A DNCD também informou as detenções do venezuelano José Luis Veras Márquez; dos americanos Alberto Laureano e Daimon Mario Pérez; do porto-riquenho Harry William Nazario; dos dominicanos Víctor Hugo Sánchez Portes, Danny Salvador Ramírez Cabral e Christian Suárez Javier; e de Holmer Errol Outram, das Bahamas.
As prisões foram acompanhadas da apreensão de bens no valor de “milhões de dólares”, incluindo seis aviões, casas, uma boate, um lava-jato e uma revenda de automóveis, informaram as autoridades.
A investigação entrou numa nova etapa no final de setembro, quando houve um acidente com um pequeno avião em Constanza. Funcionários da DNCD disseram que a aeronave foi trazida dos EUA à República Dominicana para ser modificada e transportar grandes quantidades de drogas provenientes da América do Sul.
Dois homens morreram no acidente, entre eles o capitão da polícia Anthony Eduardo Leyba, que, conforme divulgado depois, vinha trabalhando de forma encoberta. Ele teria recebido uma oferta de US$ 40.000 para pilotar o avião até a Venezuela. Após o carregamento das drogas, o piloto e o copiloto receberiam US$ 250.000 e US$ 150.000, respectivamente, para voar até Honduras, disseram as autoridades.
Os investigadores identificaram um segundo avião para o qual o grupo teria comprado 108 galões de combustível no aeroporto de Isabela, em Santo Domingo. O avião voou até a ilha de Curaçao em 25 de setembro e de lá para a Venezuela, perto da fronteira com a Colômbia.
O Cessna 310J foi construído em 1965 e registrado em um endereço de Porto Rico, de acordo com dados da Administração Federal de Aviação dos EUA. Rosado disse que o avião pertence a Sergio René Gómez Díaz, embora não esteja registrado em seu nome, conforme os arquivos.
As autoridades dominicanas continuam procurando Luis Alberto Blanco Ascanio, venezuelano que supostamente estava entre os líderes da organização, além de seu motorista. Os agentes suspeitam que eles estejam na República Dominicana.
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