Cadetes dominicanos treinam no WHINSEC

Dominican Cadets Train at WHINSEC

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
julho 18, 2017

Uma equipe de 10 alunos e um oficial escolta destacados da Força Aérea da República Dominicana (FARD) concluiu o curso de “Desenvolvimento e Liderança para Cadetes”, oferecido pelo Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica (WHINSEC, por sua sigla em inglês), com o propósito de se prepararem para postos de liderança. Os cadetes se graduaram no dia 29 de junho, após completarem 190 horas acadêmicas durante cinco semanas no Forte Benning, na Geórgia, EUA. Os alunos foram instruídos por 19 suboficiais instrutores altamente qualificados do Chile, da Colômbia, de El Salvador, dos EUA e do Panamá, altamente capacitados e certificados pelo Exército dos Estados Unidos e pelo WHINSEC. Participaram também da instrução nove cadetes da Escola Militar de Chorrillos, do Peru, 110 cadetes e alferes da Academia Militar General José María Córdoba, da Colômbia, e cinco cadetes do Exército dos EUA provenientes de diferentes universidades de todo o país. “Esse curso se diferenciou dos demais porque foi composto por 40 por cento de mulheres [54], a porcentagem mais alta de mulheres vista no WHINSEC. A instrução cumpriu o Plano Nacional dos EUA e aumentou a importância das mulheres como futuras líderes das forças de segurança no hemisfério”, disse à Diálogo o Capitão do Exército dos EUA Joseph Macchiarella, chefe da Divisão de Desenvolvimento e Liderança da Escola de Liderança e Tática do WHINSEC. Tomada de riscos Os cadetes e alferes, selecionados entre os melhores de seus ramos e de seu país, foram treinados em uma série de capacitações. Essas incluíram noções básicas sobre a liderança do Exército dos Estados Unidos, o estabelecimento de metas, a administração do tempo e o condicionamento físico e mental, o trabalho em equipe, a prova de sobrevivência aquática em combate e pista de reação. Os instrutores do WHINSEC também forneceram instrução sobre navegação terrestre, campo de bússola, familiarização com armas, simulador de tiro efetivo e tiro de precisão com fuzil. O curso colocou ênfase especial no programa de leis internacionais de direitos humanos e na aplicação de valores democráticos conforme definido pela Organização dos Estados Americanos. “O Curso de Desenvolvimento de Liderança para Cadetes é extremamente importante, já que aqui podemos influenciar os futuros líderes de nossos países. A mudança cultural e o foco global começam neste nível antes de se graduarem em suas respectivas academias militares”, indicou o Cap Macchiarella. Para fortalecer a capacitação, os cadetes e alferes realizaram um exercício de dois dias, de final de curso, no campo de treinamento. Lá, praticaram desde as instruções com movimentos básicos no terreno, habilidade de leitura de cartas topográficas e conhecimentos adquiridos na área médica, até a colocação em prática dos armamentos da equipe de combate do Exército dos EUA. “Com o desenvolvimento das habilidades cognitivas, físicas, de liderança, trabalho em equipe, tomada de decisões e tomada de riscos, os cadetes estão preparados para liderar tropas de maneira mais efetiva em um ambiente intercultural”, disse à Diálogo o Coronel Paraquedista Rubén Agustín Tiburcio, diretor da Academia Aérea “General de Brigada Piloto Frank Andrés Miranda” da Força Aérea da República Dominicana. “Além disso, com os ensinamentos em direitos humanos e democracia, atuarão de forma apropriada, em conformidade com as regras de confronto”, observou. Uma experiência produtiva Vários cadetes da FARD, participantes do curso, contaram seus aprendizados à Diálogo. “Este curso representa uma experiência produtiva, visto que cada um de nós aprendemos a maneira como o Exército dos EUA atua, recebendo um ensino sobre liderança”, disse o Cadete Rafael Lora. “O que mais chamou minha atenção foi o relacionamento que existe entre os oficiais e suboficiais do Exército dos Estados Unidos. O tratamento do superior para com o subalterno e vice-versa é de respeito mútuo e participação, dando maior valor aos conhecimentos e à experiência, sem importar a patente”, acrescentou, em seguida, a Cadete Deysi Concepción. “Contudo, nosso próximo objetivo é implementar os conhecimentos adquiridos baseados na doutrina do Exército dos EUA em nossa instituição”, finalizou o Cadete Pedro López. O Curso de Desenvolvimento de Liderança para Cadetes é um componente da cooperação militar permanente entre a República Dominicana e os Estados Unidos. Historicamente, essas nações parceiras têm unido seus esforços para lutar contra as redes do crime organizado transnacional, principalmente o narcotráfico. “Essas capacitações vêm permitindo expandir a visão do pessoal da Força Aérea dominicana e fazem com que eles se deem conta das novas ameaças que devem enfrentar, transmitindo-lhes uma visão comum estratégica das realidades que o hemisfério enfrenta no que se refere à segurança e à defesa”, relatou à Diálogo o Coronel Piloto Néstor Iván Acosta, diretor de Ligação e Serviços Externos da FARD. “A nova geração de líderes do hemisfério enfrentará muitas situações que vão exigir agilidade mental, capacidade de adaptação rápida, tomada de decisões éticas, alta habilidade física e pensamento crítico”, acrescentou o Cap Macchiarella. Passos para o sucesso O WHINSEC, fundado em janeiro de 2001, oferece capacitação a alunos de todos os países do hemisfério ocidental há mais de uma década. Por meio dos programas educativos, o instituto recebe mais de 1.500 membros das forças militares, policiais e civis do Canadá ao Chile, todos os países da Organização dos Estados Americanos. “Os próximos passos para o sucesso do programa de profissionalização dos alunos que participam do WHINSEC é que não queremos apenas cadetes do exército, mas também cadetes da marinha e da força aérea”, ressaltou o Cap Macchiarella. “Ter conosco os dominicanos da Força Aérea foi extremamente interessante e enriquecedor para o aprendizado de [todos] os cadetes.” “Agora, nosso principal desafio é manter esse aprendizado vigente”, acrescentou o Cadete da FARD José Alejandro de la Cruz, participante do curso. “Ao mesmo tempo, [será] uma forma de nos sentirmos mais seguros para realizar nossas missões e funções”, finalizou.
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