Daniel Ortega aumenta repressão para garantir reeleição

Daniel Ortega aumenta repressão para garantir reeleição

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 07, 2021

À medida que se aproximam as eleições presidenciais na Nicarágua, programadas para o dia 7 de novembro de 2021, o regime de Daniel Ortega intensifica a perseguição aos opositores, informou a ONG Human Rights Watch (HRW, em inglês), em um comunicado, no dia 5 de agosto.

“Desde o início de junho de 2021, as autoridades nicaraguenses já detiveram arbitrariamente e abriram investigações penais por motivos políticos contra sete importantes candidatos presidenciais da oposição e pelo menos 20 críticos proeminentes do governo”, escreveu José Miguel Vivanco, diretor executivo da Divisão das Américas da HRW. “Parece ser parte de uma estratégia mais ampla para eliminar a concorrência política, sufocar a dissidência e abrir caminho para a reeleição de Ortega para um quarto mandato consecutivo.”

Impera na Nicarágua um estado de terror entre políticos oposicionistas, ativistas e analistas, que já não querem falar com os jornalistas por medo de perder sua liberdade, publicou no dia 7 de agosto o jornal espanhol El País. O regime sandinista está intimidando os advogados de defesa dos candidatos presidenciais encarcerados, o que os obriga a fugir do país, disse a HRW.

A tropa de choque monta guarda em frente ao Complexo Policial Evaristo Vásquez, conhecido como El Chipote, onde continua detido o candidato à presidência nicaraguense Juan Sebastián Chamorro, em Manágua, no dia 30 de junho de 2021. Até o momento, permanecem detidos 21 opositores de Daniel Ortega, incluindo cinco candidatos à presidência. (Foto: STR/AFP)

O advogado Elton Ortega (sem relação com Daniel Ortega), encarregado da defesa dos políticos oposicionistas Arturo Cruz e Juan Sebastián Chamorro, presos pela lei que os classifica como “traidores da pátria”, abandonou o país por sofrer ameaças. Ortega é o primeiro jurista a fugir da Nicarágua, informou o serviço de rádio internacional Deutsche Welle.

Cruz foi detido no dia 5 de junho e Chamorro no dia 8 do mesmo mês. Os dois “foram acusados de pedir intervenções militares, organizar atos terroristas e desestabilizadores com financiamento de potências estrangeiras, de solicitar, exaltar e aplaudir a imposição de sanções contra a Nicarágua e seus cidadãos e incitar a ingerência estrangeira nos assuntos do país”, ressaltou a HRW. Outros detidos acusados dos mesmos crimes também estão incomunicáveis na prisão de El Chipote, em Manágua, acrescentou.

Eleição sem concorrência

Em um comunicado no dia 9 de junho, o governo dos EUA pediu ao regime da Nicarágua que libertasse imediatamente Cruz, Chamorro e outros líderes da oposição. “Os Estados Unidos impõem sanções a vários membros do regime de Ortega, que são cúmplices da repressão do regime, e isso inclui o não cumprimento das reformas eleitorais solicitadas pela Organização dos Estados Americanos e pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU”, informou o Departamento de Estado dos EUA.

O Conselho Supremo Eleitoral desabilitou o partido Cidadãos pela Liberdade no dia 6 de agosto, porque a representante legal da aliança, Kitty Monterrey, tem dupla nacionalidade, informou o jornal mexicano El Universal. Dessa forma, Ortega fica como o único candidato das próximas eleições.

Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, “querem vencer as eleições sem concorrência”, declarou a União Europeia em um comunicado, no dia 9 de agosto. Ao destituir de sua personalidade jurídica o último partido político da oposição que ainda subsistia antes das eleições de novembro, afastam-se as perspectivas de um processo eleitoral legítimo e confiável, acrescentou.

Por sua vez, Emmanuel Colombié, diretor do gabinete da ONG Repórteres sem Fronteiras na América Latina, disse ao jornal nicaraguense La Prensa que “diante das eleições, Ortega está reforçando seu arsenal de censura e abrindo processos judiciais contra todos os seus oponentes, particularmente contra os meios de comunicação independentes”. A Polícia da Nicarágua ocupou as instalações do jornal La Prensa no dia 14 de agosto, confiscou o papel e, até o dia 24 de agosto, seu gerente Juan Lorenzo Holmann continuava detido e o jornal fechado, informa o portal espanhol Periodistas. La Prensa continua ativa em seu portal na internet.

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