O Paraguai e os Estados Unidos continuam consolidando sua cooperação estratégica em defesa e segurança, por meio de uma parceria multifacetada, o que representa um pilar da estabilidade na região. Essa aliança mutuamente benéfica, construída sobre uma base de princípios compartilhados, está ativamente focada em enfrentar ameaças transnacionais, fortalecer instituições e promover a segurança regional.
A relação, que abrange mais de 160 anos de laços diplomáticos, é reforçada por um compromisso comum com a democracia e a transparência institucional. As obrigações diplomáticas de alto nível efetuadas nos últimos meses consolidaram ainda mais essa aliança, com altos funcionários de ambos os governos concordando em ampliar a cooperação em segurança, economia e migração irregular.
De acordo com o cientista político Juan Belikow, “a relação em defesa e segurança é excelente”. Belikow também ressaltou que o Paraguai é o único país da América do Sul que mantém relações diplomáticas com Taiwan.
Apoio e colaboração tangíveis
A parceria é definida pelo apoio mútuo e pela colaboração operacional conjunta. O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), seus componentes, e a Guarda Nacional de Massachusetts, parceira do Paraguai no Programa de Parceria Estatal, colaboram com as Forças Armadas do Paraguai com capacitação, assessoria e equipamentos, especialmente em áreas sensíveis, como o norte e a Tríplice Fronteira.
“A cooperação técnica e os exercícios conjuntos são essenciais para manter o profissionalismo e a atualização das Forças Armadas do Paraguai”, afirmou Belikow. “A transferência de tecnologia, o intercâmbio de conhecimentos, a atualização doutrinária e as ações cívicas desempenham um papel central nesse processo.” Administração para o Controle de Drogas dos EUA.
Essa cooperação também é um elemento crucial do trabalho em nível de agência. “O melhor aliado dos Estados Unidos no Paraguai é o setor de defesa e segurança”, destacou Belikow. A Unidade de Investigação Sensível, uma iniciativa conjunta entre a Administração para o Controle de Drogas dos EUA e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, resultou em apreensões significativas de cocaína e maconha. Esses esforços conjuntos demonstram o papel crucial do Paraguai nas operações regionais de interdição, que beneficiam diretamente a região.
Isso inclui um Treinamento Conjunto Combinado que reuniu instrutores do 7º Grupo de Forças Especiais (Aerotransportado) do Exército dos EUA e comandos paraguaios, entre março e maio. Esse treinamento aprimorou as capacidades táticas nacionais e fortaleceu a interoperabilidade.
A aliança também inclui doações significativas para modernizar as Forças Armadas do Paraguai. O Paraguai adquiriu um radar terrestre de US$ 45,7 milhões no âmbito do programa de Vendas Militares ao Exterior dos EUA. Os Estados Unidos também entregaram 10 barcos de patrulha fluvial, para reforçar a segurança na hidrovia Paraná-Paraguai. No início de agosto, a missão AMISTAD 2025, liderada pelas Forças Aéreas Sul dos EUA, fez uma parada no Paraguai para prestar atendimento médico especializado conjunto, um exemplo importante de cooperação civil-militar e assistência humanitária.
No final de 2024, o governo do Paraguai, em colaboração com o SOUTHCOM, conduziu uma revisão conjunta da segurança cibernética das redes do governo paraguaio. Durante a revisão, o agente de espionagem cibernética chinês Flax Typhoon foi identificado como infiltrado nos sistemas governamentais. Essa colaboração faz parte de uma parceria contínua para construir uma infraestrutura digital mais segura e resiliente e para enfrentar os desafios comuns no ciberespaço.
Papel estratégico e liderança regional do Paraguai
O Paraguai é um parceiro estratégico fundamental, devido à sua localização como passagem para o narcotráfico entre Brasil, Argentina, Bolívia, Peru e Chile, uma posição que lhe permite desenvolver capacidades de controle regional. Isso torna o país um parceiro crucial em missões que aprimoram a segurança hemisférica. O Paraguai participa ativamente de exercícios patrocinados pelo SOUTHCOM, como UNITAS, o exercício marítimo multinacional mais antigo, PANAMAX, que se concentra na defesa e segurança do Canal do Panamá, e, recentemente, o Estrela Austral 2025, liderado pelo Chile, entre outros. Esses exercícios são uma parte essencial de seus esforços para melhorar a prontidão e a interoperabilidade.
O papel do país como líder regional também está crescendo. Em junho, o Paraguai presidiu a 65ª Conferência das Forças Aéreas Americanas – CONJEFAMER –, um importante fórum regional que promoveu o intercâmbio de doutrina e compartilhou iniciativas de vigilância aérea com representantes de mais de 20 países. “Estamos unidos não por ideologias nem políticas, senão por um compromisso com a solidariedade, a confiança e a busca coletiva de paz e segurança. Nossa soberania não deve ser uma barreira, mas uma ponte para a responsabilidade compartilhada”, declarou o presidente Santiago Peña, durante a conferência. Em dezembro de 2024, durante uma operação conjunta com a Polícia Federal do Brasil, o Paraguai realizou a maior apreensão de maconha de sua história, com 57 toneladas confiscadas, demonstrando seu papel fundamental nas operações de interdição regional.
“Nos últimos 20 anos, o Paraguai passou por uma transição na defesa e a questão se tornou uma prioridade nacional”, ressaltou Belikow.
A natureza abrangente da aliança entre o Paraguai e os Estados Unidos, que combina engajamento diplomático com apoio tangível, capacitação estratégica e cooperação digital, serve para fortalecer as capacidades de defesa do Paraguai e promover a estabilidade regional. “Em um contexto em que os conflitos assumem formas híbridas e atores não estatais utilizam tecnologias avançadas, como drones, sistemas automáticos de armas, ou esquemas de lavagem de dinheiro, a cooperação dos EUA é fundamental”, concluiu Belikow. “Esse apoio permitiu que o Paraguai avançasse no enfrentamento dessas ameaças, fortalecendo a interoperabilidade com aliados como os Estados Unidos.”


