Costa Rica e Estados Unidos unem esforços para ajudar comunidades marginalizadas

Costa Rica and the United States Join Forces to Improve the Quality of Life for Marginalized Communities

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 26, 2016

O Comando Sul dos Estados Unidos e o Ministério da Segurança Pública da Costa Rica realizarão uma operação de ajuda humanitária que beneficiará 350 pessoas por dia. No dia 2 de setembo, funcionários do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), chefiados pelo Tenente Coronel do Exército dos Estados Unidos Daniel R. Fitch, chefe delegado do Escritório de Defesa Representante na Costa Rica, acompanhado pelo Ministro da Segurança Pública da Costa Rica, Gustavo Mata, e do embaixador dos Estados Unidos na Costa Rica, Stafford Fitzgerald Haney, visitaram as localidades de Piedra Mesa e Alto Telire, em Talamanca, para coordenar uma missão de ajuda médica programada para a última semana de novembro. Durante uma semana, uma equipe de médicos militares, técnicos em medicina, dentistas, farmacêuticos, pediatras, ginecologistas e funcionários de apoio da Força Tarefa Conjunta Bravo, um componente do Comando Sul, em coordenação com os ministérios de Segurança Pública, Saúde e do Governo e Polícia, além da Caixa de Seguro Social, oferecerão serviços médicos preventivos aos residentes da região de Alto Talamanca, na província de Limón. O acampamento médico estará montado no distrito de Telire. “Este esforço oferece a grande oportunidade de levar mais ajuda humanitária a Talamanca. Graças ao Comando Sul, levaremos muitos serviços de saúde, medicamentos, mantimentos e roupas a uma região de difícil acesso e de difícil coordenação para nós”, comentou à Diálogo o diretor do Serviço de Vigilância Aérea do Ministério da Segurança Pública, Capitão Juan Luis Vargas Castillo. “Há muitos anos não se realiza um exercício de ajuda humanitária tão grande em Talamanca”, acrescentou. As autoridades esperam atender entre 300 e 500 pacientes por dia nas comunidades da região. O acesso à saúde nessas regiões é quase nulo porque só é possível chegar ao local com helicópteros ou a pé. De acordo com Amanda Segovia, pesquisadora da Iniciativa de Saúde para a América Central, há comunidades que estão a sete dias de viagem da região de Talamanca e só é possível chegar a elas caminhando por trilhas perigosas, por sua topografia e pela presença de traficantes de drogas. Existem também outros fatores que dificultam a aproximação das pessoas ao atendimento médico, como as barreiras culturais e linguísticas entre certas comunidades. Missão humanitária Para realizar essa missão humanitária de tão grandes proporções, o transporte de pessoas, equipamentos e suprimentos médicos será feito em dois helicópteros UH-60 Black Hawk e dois CH-47 Chinook da Força Tarefa Conjunta Bravo, além de dois helicópteros MD600N do Serviço de Vigilância Aérea. Também participarão pessoas da região que foram capacitadas como técnicos em saúde pela Caixa de Seguro Social da Costa Rica, além de tradutores para estabelecer comunicação e laços de confiança com os pacientes. A Caixa de Seguro Social é o único organismo do Estado que leva atendimento médico às comunidades de Talamanca. Desde 2006, a instituição pode ingressar à região montanhosa uma vez a cada três meses para atender a população durante uma semana, pois conta com o apoio do Serviço de Vigilância Aérea. O plano atual de ajuda humanitária para atender as comunidades de Alto Talamanca é uma continuação do atendimento médico que durou quatro dias e que foi realizado há dois anos em Piedra Mesa. Nesse caso, o transporte aéreo em helicóptero e a assistência médica profissional foram a responsabilidade da Força Tarefa Conjunta Bravo. “O trabalho da Caixa de Seguro Social é muito importante, mas não é suficiente. Temos conhecimento desses problemas e fazemos o possível para ajudar as pessoas da região”, comentou o Cap Vargas. “Com todo o cuidado que requer o caso, conversamos com líderes das comunidades, entendemos seus costumes e conhecemos as suas necessidades. O importante é ajudar a nossa população a melhorar seu nível de vida”, enfatizou. Talamanca, com uma população de mais de 34.000 habitantes, é a segunda região mais extensa do território nacional e compreende os distritos de Chuita, Bratsi, Telire e Sixaloa. Ela é considerada como o território de menor índice de desenvolvimento social e econômico na Costa Rica. Em Talamanca, existem aproximadamente quatro policiais para cada 1.000 habitantes, de acordo com o relatório Diagnóstico 2013 da Região de Talamanca, emitido pelo Ministério de Habitação e Assentamentos Humanos. “Além da missão médica, a Polícia de Controle de Drogas da Costa Rica (PCD) efetuará uma missão de erradicação de maconha na região de Talamanca”, explicou o Ten Cel Fitch. “A PCD aproveitará os helicópteros da Força Tarefa Conjunta Bravo para transportar oficiais das unidades especiais de montanha ao longo de Talamanca, para erradicar plantações conhecidas de maconha.” De acordo com o Ten Cel Fitch, os índices de homicídios na Costa Rica aumentaram drasticamente nos últimos dois anos e o Ministério da Segurança Pública acredita que 70 por cento dos mesmos são o resultado de confrontos entre grupos criminais locais que disputam entre si o controle do comércio de maconha. “As taxas de homicídios são particularmente elevadas na costa caribenha, onde cultivam a maconha”, acrescentou. “Em um esforço para reduzir a maconha disponível para consumo interno, o país está utilizando atualmente os seus helicópteros orgânicos para realizar quatro operações anuais de erradicação, mas devido ao tamanho (pequeno) dos mesmos, eles não têm a capacidade para transportar suficientes oficiais para efetuar as missões com eficiência.” Este plano de cooperação continuará a médio e longo prazo e inclui a construção de obras essenciais como aquedutos, escolas, clínicas de saúde e um centro de atendimento integral para toda a comunidade. “Há muitos anos a Costa Rica e os Estados Unidos estão trabalhando em conjunto como sócios estratégicos, não apenas contra o crime organizado, mas também nessa parte humanitária. Se os Estados Unidos nos oferecem ajuda para bloquear por mar, terra e ar as atividades do crime organizado, oferecendo também assistência em ajuda humanitária, é claro que vamos aceitá-las”, concluiu o Cap Vargas. “O esforço conjunto de trabalho comunitário e de prevenção local vai evitar que as pessoas tenham vínculos com o crime organizado; por isso, há um esforço comunitário para levar serviços de saúde, criar empregos e caminhos de acesso para que os produtos possam sair e para que as forças de segurança tenham presença em Talamanca”, comentou Daniel Matul Romero, analista de segurança da Universidade da Costa Rica.
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